15/09/2026
Você muda as pessoas, os cenários, as circunstâncias… mas algumas sensações insistem em voltar.
Às vezes, aquilo que se repete não está apenas em quem encontramos pelo caminho, mas no lugar que ocupamos diante do outro.
O lugar de quem espera.
De quem precisa provar que merece ser amado.
De quem cuida de todos e se esquece de si.
De quem tenta ser suficiente o tempo inteiro.
De quem teme frustrar, perder ou ser abandonado.
Na psicanálise, a repetição não é entendida simplesmente como uma escolha consciente — e muito menos como falta de força de vontade. Há algo de nossa história, de nossos vínculos e de nossa constituição subjetiva que pode continuar encontrando maneiras de retornar.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas:
“Por que isso acontece comigo de novo?”
Mas também:
“Que lugar eu costumo ocupar nas histórias que se repetem?”
Reconhecer uma repetição não significa encontrar imediatamente uma maneira de interrompê-la. Mas pode ser o começo de uma escuta diferente sobre aquilo que insiste.
E, quando conseguimos colocar em palavras o que antes apenas se repetia, outras posições podem começar a se tornar possíveis.
E você: já percebeu alguma sensação que parece retornar, mesmo quando as pessoas mudam?
Bruna Basile
Psicóloga e Psicanalista
CRP 08/15077
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