Dr. Antonio Carlos de Farias - Neurologista Infantil e de Adolescentes

Dr. Antonio Carlos de Farias - Neurologista Infantil e de Adolescentes Especialista em neurodesenvolvimento e saúde mental de crianças e adolescentes. Mestre e Doutor em Neurociências

Diagnóstico de autismo na fase adulta cresce com maior entendimento e conscientização sobre o tema* Pesquisas mostram qu...
16/05/2026

Diagnóstico de autismo na fase adulta cresce com maior entendimento e conscientização sobre o tema

* Pesquisas mostram que resultados podem ser atribuídos a melhorias nos métodos de vigilância e acesso à informação
* Diagnóstico e tratamento são multidisciplinares e envolvem psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde

Pesquisas recentes confirmam que o número de diagnósticos de TEA (transtorno do espectro autista) em adultos teve um salto expressivo nos últimos anos. O fenômeno é explicado pela melhoria na capacidade de identificação, mudanças nos critérios diagnósticos e redução do estigma, dizem especialistas ouvidos pela Folha.
Publicado ano passado, um levantamento feito com adultos nos Estados Unidos, por exemplo, mostrou que entre 2011 e 2022 o número de pessoas com idade entre 26 e 34 anos que receberam o diagnóstico de TEA aumentou 450%.
Já o relatório publicado em 2025 no The Lancet Psychiatry sobre o tema estima que uma em cada 127 pessoas no mundo, em 2021, estava no espectro autista —53,1% a mais que o indicado em 2019, quando os dados apontavam um TEA a cada 271 neurotípicos.

Os pesquisadores dos dois trabalhos afirmam que os resultados podem ser atribuídos a melhorias nos métodos de vigilância e acesso à informação.
José Guilherme Giocondo, médico psiquiatra da infância e adolescência e membro da equipe da Unidade de Bem Estar do Einstein Hospital Israelita, concorda: "Não aumentou a prevalência do autismo, o que cresceu foi o diagnóstico e as informações com maior qualidade."

Não aumentou a prevalência do autismo, o que cresceu foi o diagnóstico e as informações com maior qualidade
José Guilherme Giocondo
psiquiatra

A neuropsicóloga Thais Barbisan reforça que, apesar da descoberta do autismo tardia ser cada vez mais presente, é importante deixar claro que o TEA não começa na vida adulta. "A pessoa nasce com esse funcionamento. É comum principalmente nos casos de nível 1 de suporte, em que sintomas são mais sutis", afirma Barbisan.
Nessa situação, a pessoa desenvolve estratégias de adaptação, confundindo ou mascarando o quadro ao longo da vida. Foi o caso de Thomás Levy, 41, consultor de comunicação corporativa e um dos idealizadores da ONG Octo, dedicada a pessoas com deficiências ocultas.
Levy relata que buscou o diagnóstico apenas em 2019, após alerta de uma colega de trabalho. Antes disso, conviveu com um histórico de dificuldades em socialização, com bastante deslocamento na vida escolar. "Eram as décadas de 1980, 1990. O que se entendia sobre neurodivergência, sobre autismo, era radicalmente diferente do que sabemos agora", observa.

O consultor passou por diversas consultas multiprofissionais e te**es antes de estabelecer que tinha mesmo um TEA de nível 1 de suporte com altas habilidades. "Teve um lado de luto e um de libertação, no sentido de eu [poder dizer que] não estou quebrado, não há nenhuma coisa intrinsecamente errada comigo, é uma característica do autismo que não posso alterar, mas posso trabalhar para que tenha mais qualidade de vida", diz Levy.

“Teve um lado de luto e um de libertação, no sentido de eu [poder dizer que] não estou quebrado, não há nenhuma coisa intrinsecamente errada comigo, é uma característica do autismo que não posso alterar, mas posso trabalhar para que tenha mais qualidade de vida”
Thomás Levy
consultor que recebeu o diagnóstico de autismo depois dos 30 anos

A médica Fabricia Signorelli, mestre em distúrbios do desenvolvimento e psiquiatra no Ambulatório de TDH no Adulto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destaca que o diagnóstico determina não só a compreensão que o indivíduo tem de si ou que a família tem dele, mas o tratamento.
Antes de 2013, o espectro autista era dividido em nomenclaturas diversas, mas foi unificado pelo Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais na DSM-5, que criou um diagnóstico mais heterogêneo e dimensional.
TRATAMENTO PRECOCE
Diagnosticar o autismo na infância tem muita diferença. Quando feito de forma precoce, antes dos 6 anos, a identificação permite aplicação de terapias que levam ao desenvolvimento de habilidades sociais, comunicação e autonomia, podendo até melhorar o nível de suporte dos casos mais graves (níveis 2 e 3).�"Toda intervenção que a gente faz nessa fase vai surtir mais e melhor efeito", avalia Giocondo.
A habilidade da criança de modificar e criar novas conexões cerebrais é chamada de neuroplasticidade. "O cérebro infantil tem uma capacidade maior de adaptação a partir dos estímulos recebidos. Quanto mais é estimulado, mais se adapta ao ambiente e melhor responde", diz Barbisan.
Signorelli destaca que aproveitar a janela de oportunidade terapêutica da infância permite preservar a funcionalidade da saúde mental dos indivíduos com TEA, evitando a sobrecarga socioemocional quando crescem.

"E quando vai acontecer o diagnóstico? No início da vida adulta, porque as demandas sociais impostas pelo ambiente passam a ser maiores, as dificuldades ficam evidentes", observa a psiquiatra.
Para o adulto com TEA, esse cenário acaba sendo muito favorável à instalação de depressão, ansiedade e medo de enfrentamento social. Pode também levar a "evasão escolar e até dificuldade na manutenção de empregos e nos seus relacionamentos pessoais", reforça Signorelli.
Saber, a qualquer tempo, porém, faz diferença. "A beleza do diagnóstico é fornecer explicações para aquilo que talvez tenha sido uma grande dificuldade, questões até de autoestima, como ‘sempre fui diferente; nunca tive muitos amigos’ ou ‘sofria bullying’", diz Giocondo.

A jornalista Debora Saueressig, 48, mãe de uma criança autista, recebeu o próprio diagnóstico de TEA há apenas dois anos e afirma que foi o "fim de uma busca por respostas" —quem percebeu os sintomas nela foram outras mulheres autistas.
"Gostaria muito de ter sabido antes. Na infância, para ter sido menos tachada de esquisita. Na adolescência, para ter sido menos tachada de antipática, inacessível, deprimida. Mas chegou só na fase adulta e é com essa realidade que trabalho hoje", relata Saueressig.
A camuflagem do autismo acontece em meninos e meninas, mas Signorelli conta que é mais comum no gênero feminino, que desde a infância é levado a "desenvolver estratégias adaptativas", como imitar o comportamento de outras garotas.
A cantora e compositora Bea Duarte, 28, recebeu o diagnóstico de TEA aos 26 anos, só depois que fãs no espectro autista comentaram em seus posts que as letras dela "representavam exatamente a vivência de uma pessoa autista".

Estudos da mente autista durante muito tempo só eram feitos em homens brancos, tem dez anos que começaram a estudar o espectro autista em mulheres, por isso tem tantas diagnosticadas só agora. Mas só de saber que não sou tão diferente assim, que é apenas um jeito diferente de ver o mundo, já deixa tudo mais calmo", pondera Duarte.
Barbisan lembra que "durante muito tempo o autismo foi associado a um perfil muito específico, o da pessoa que não olha nos olhos e tem um comportamento mais frio.
"Hoje a gente sabe que não é assim, tem informação que circula em redes sociais e muita gente se identificando, mas é importante ter cuidado. Nem toda manifestação é um diagnóstico, precisa ser feito de forma criteriosa", diz Barbisan.
A identificação e o tratamento de TEA são multidisciplinares e podem envolver psicólogos, neuropsicólogos, neurologistas, pediatras, psiquiatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais entre outros.

Pesquisas mostram que resultados podem ser atribuídos a melhorias nos métodos de vigilância e acesso à informação

Debate sobre TEA expõe tensão entre autistas nível 1 e pais dos casos severos* Apenas 6% das pesquisas focam autismo pro...
16/05/2026

Debate sobre TEA expõe tensão entre autistas nível 1 e pais dos casos severos

* Apenas 6% das pesquisas focam autismo profundo, que atinge 26% dos autistas
* Criação do espectro em 2013 trouxe direitos, mas dificultou pesquisas e políticas públicas

O debate sobre uma possível separação entre as categorias agregadas no TEA (Transtorno do Espectro Autista) traz à tona uma divergência: autistas nível 1, ou ‘leve’, como é conhecido, costumam liderar movimentos ligados ao autismo e nem sempre há consenso com pais dos autistas de grau chamado de ‘severo’, que têm deficiência intelectual e dificuldade extrema ou incapacidade de se comunicar.
O conceito do espectro foi estabelecido, em 2013, pela quinta e mais recente versão do DSM, sigla em inglês para Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, ‘bíblia’ da psiquiatria.
Nos últimos anos, ganhou força entre os cientistas a discussão sobre a necessidade de se reavaliar o TEA na próxima edição do DSM, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria.

O TEA unificou condições diversas, divididas pelos níveis 1 ("exige apoio"), 2 ("exige apoio substancial") e 3 ("exige apoio muito substancial"). Em geral, especialistas apontam que o lado cheio do copo foi o aumento da conscientização e de conquistas de direitos para os autistas. Já o lado vazio, seriam as dificuldades na realização de pesquisas, políticas públicas e nos diagnósticos e tratamentos.
O debate evidenciou uma "disputa muito séria" entre autistas com graus "mais sutis e pais dos que apresentam as condições mais graves", de acordo com Lucelmo Lacerda, especialista na área.
Doutor em educação com pós-doutorado em psicologia, ele realiza pesquisas em um dos principais centros para autistas do mundo, o Instituto Frank Porter Grahan de Desenvolvimento Infantil, da Universidade da Carolina do Norte (EUA) e mantém um perfil sobre autismo no Instagram, com 549 mil seguidores.
Lacerda conhece os dois lados da história, e não só profissionalmente. Com um filho, hoje com 18 anos, autista de grau severo, ele próprio recebeu posteriormente o diagnóstico de autismo. A sua condição era antes chamada de Síndrome de Asperger, em que as pessoas, em geral, têm inteligência normal ou acima da média, mas sofrem com dificuldades em relacionamentos sociais, hiperfoco e rigidez na rotina. A denominação Asperger foi excluída do DSM e se tornou parte do TEA, o autismo nível 1.
Os autistas níveis 2 e 3 normalmente têm dificuldades ou incapacidade de comunicação e comprometimento intelectual, de maior ou menor grau.

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"[Antes do TEA] Quem falava pelo Asperger? Os [com] Asperger, porque são pessoas verbalmente competentes, intelectualmente competentes. E quem falava pelos autistas, via de regra, eram os pais."
Após a criação do espectro, explica Lacerda, surgiu nos movimentos a ideia de uma "voz própria". "[O discurso passou a ser:] ‘Nós [que temos autismo nível 1] estamos falando pelos autistas’."
O problema, diz, é que quem fala é "totalmente diferente do autista nível 2 e nível 3", e surge o conflito.
"Vamos considerar, por exemplo, o autismo profundo: alguém com deficiência intelectual grave, dependente 24 horas por dia. São 26% dos autistas, mas apenas 6% das pesquisas são sobre eles."
Também há dificuldades nas pesquisas, e ele cita um exemplo. "Estamos conduzindo uma pesquisa de equoterapia [terapia que utiliza cavalos para estimular o desenvolvimento] e selecionamos autistas níveis 2 e 3", conta. "Foi um quiprocó com os pais dos autistas nível 1, [que reclamaram]: ‘Você está querendo dizer que meu filho não precisa de nada?’. Claro que precisa, mas aquela pesquisa é voltada para os que têm outras condições. Não tem como fazer o mesmo estudo para pessoas como eu e como o meu filho."
A unificação, afirma, também dificulta políticas públicas, inclusive de inclusão escolar. A previsão de gastos para a contratação de profissionais especializados, por exemplo, acaba considerando o número total do TEA, mesmo quando apenas um grupo utilize determinados benefícios.

Lacerda aponta prevalência do autismo 1 na mídia. "Quanto da cobertura fala de autismo profundo? Quase tudo é história de superação, de autista que foi para a faculdade, que se casou. Nas séries de TV, quase todos os personagens autistas são nível 1, e gênios."
Pondera que os autistas de nível 1, como ele, também são prejudicados pela unificação: passam por um sofrimento emocional intenso, negligenciado pela dualidade entre autismo "leve" X "severo". "Eu mesmo sofri bullying grave na escola e até no trabalho."
O perfil publicou no Instagram um post alertando para uma falsa ideia de que é um "luxo" ter autismo "leve". "Dizem que virou moda ter laudo de TEA nível 1 e que estamos buscando privilégios." A publicação afirma que mesmo autistas com QI acima da média sofrem com desemprego e subemprego em razão das dificuldades de manejar as relações sociais. Alerta para a prevalência de burnout e tentativas de suicídios geradas pelo sofrimento de "ter que forçar contato visual, monitorar o tom de voz e engolir o pânico sensorial para não ser chamado de ‘esquisito’."
A sociedade tem dificuldade de compreender as categorias do TEA, avalia. "Um autista nível 1 pode ser indeferido para uma vaga, mesmo que tenha condições para o trabalho", afirma. "Aconteceu recentemente em Santa Catarina. Uma autista foi eliminada de um concurso para delegada. Achavam que tinha hipersensibilidade auditiva e não poderia atirar. Sorte que tinha vários vídeos em que aparecia atirando."

A deputada estadual Andréa Werner (PSB-SP), que se tornou militante da causa autista, afirma receber uma série de denúncias de pessoas com autismo nível 1 recusadas em concursos, nas cotas para pessoas com deficiência.
"Há um julgamento: ‘Você não é deficiente o suficiente’, o que é ilegal", afirma a deputada. Autistas, em qualquer categoria do TEA, são legalmente considerados pessoas com deficiência, com seus benefícios e direitos garantidos pela Lei Berenice Piana (2012) e pela Lei Brasileira de Inclusão (2015).
A deputada tem um filho com autismo nível 3 e foi diagnosticada como autista nível 1.
Para ela, a divisão do DSM em apenas três níveis não dá conta da diversidade do TEA. Aponta que a nova versão da CID (Classificação Internacional de Doenças), da Organização Mundial da Saúde, que entra em vigor no Brasil em janeiro de 2027, é mais clara por ter mais subníveis de autismo, que abordam a existência ou não de deficiência intelectual e da linguagem funcional.
Ela afirma que, atualmente, "há margem para muitas interpretações" e tensão. "Muitas vezes, os governos se baseiam nas palavras de autistas nível 1 para criar políticas para todos os autistas, sem ouvir as famílias dos que têm nível 2, 3. Para incluir, de fato, autistas como o meu filho, que quase não usa a comunicação, não podemos excluir as famílias do debate."

Lacerda afirma não ter dúvida de que os recentes debates sobre o autismo levarão ao fim do conceito de espectro em uma nova edição do DSM (ainda sem data).
Para o neuropediatra Paulo Liberalesso, diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa em Saúde e Inclusão Social (Iepes), que aborda o autismo em seu perfil no Instagram, com 1,5 milhão de seguidores, esse debate é "reflexo da evolução de conceitos e da neurociência contemporânea".
Ele pondera que "o conceito de espectro teve um papel fundamental na construção de uma identidade coletiva e na mobilização por direitos".
"Fragmentar excessivamente o diagnóstico pode reduzir a força do movimento em defesa dos autistas. Em um país como o Brasil, onde ainda lutamos por acesso básico a diagnóstico precoce e intervenção minimamente especializada, essa é uma preocupação legítima da comunidade autista."

Apenas 6% das pesquisas focam autismo profundo, que atinge 26% dos autistas

À minha querida mãe, à minha amada mãe dos meus filhos,  e a todas as mães que acolho diariamente em meu consultório, qu...
10/05/2026

À minha querida mãe, à minha amada mãe dos meus filhos, e a todas as mães que acolho diariamente em meu consultório, que me mostram a força essencial do amor de mãe no encaminhamento dos filhos, deixo meus mais sinceros desejos de um feliz Dia das Mães!

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02/05/2026

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24/04/2026

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Por que o aumento do diagnóstico de autismo incomoda tanto?* Não querer que o filho seja autista não muda em nada a real...
17/04/2026

Por que o aumento do diagnóstico de autismo incomoda tanto?

* Não querer que o filho seja autista não muda em nada a realidade do transtorno
* Que bom que hoje aprendemos a reconhecer autismo que passava despercebido

Meu mais novo "hack" para lidar com meu autismo são óculos de lentes coloridas, que reduzem a luz ambiente que chega aos meus olhos, de outra forma sempre excessiva. Some a isso o chapéu sem o qual não saio de casa e o colar de girassol que me identifica como portadora de deficiência oculta e me empodera a embarcar primeiro, e minhas viagens frequentes de avião são agora muito mais agradáveis, com ataques de ansiedade, com dor de cabeça e enjoo que eu confundia com enxaqueca, quase reduzidos a zero.
Minha vida mudou para muito melhor desde meu diagnóstico sete anos atrás, como acontece com a grande maioria dos adultos que recebem diagnóstico, e também das crianças que, com um diagnóstico, podem receber compaixão, compreensão e acomodação que de outra forma lhes seriam negadas. Ser "difícil" ou "autista" muda tudo para o futuro de uma criança.

Mas acho que quando eu chegar em casa, no Brasil, minha mãe vai revirar os olhos e desaprovar meus novos óculos permanentemente semi-escuros. Ela acha que eu não sou autista, por uma razão simples: eu sou igualzinha a ela em muitas coisas, e ela se acha "perfeitamente normal".
Estou tentando entender por que tantas pessoas, como minha mãe, ficam tão incomodadas com o que chamam de "moda" ou "epidemia de autismo", que de epidemia não tem nada. Sim, o diagnóstico de autismo aumentou de 1 em 150 pessoas para 1 em 31 nos últimos 20 anos, mas se há alguma epidemia acontecendo, ela é de conhecimento, conscientização e reconhecimento, o que leva a mais diagnósticos corretos.
Por que tanto incômodo, então, com o reconhecimento do autismo alheio? Por que tanta gente normal se acha no direito de questionar e até rejeitar o diagnóstico de autismo dos outros?
Talvez a proximidade seja um fator. Como o autismo tem forte componente genético, o meu autismo (e de mais outras pessoas na minha família materna) aponta fortemente para a possibilidade de minha mãe ser, no mínimo, portadora. Mas, como eu disse, ela recusa veementemente qualquer rótulo que não "normal".

Medo parecido é o de ser considerada "mãe-geladeira", de ter culpa do autismo do filho –e também de ser pai ou mãe de filho considerado "retardado". Já ouvi pai de criança evidentemente atípica em família cheia de autistas esbravejar, com o orgulho ferido, que "minha criança não é retardada!". De fato, não é. Sua criança é autista. Deficiência intelectual é outra estória, que pode ou não ocorrer junto com autismo.

Talvez exista também uma esperança equivocada de que se o diagnóstico de autismo não for assim tão comum, então a chance de ter que lidar com uma criança autista deve ser menor. Não é. A realidade do autismo não diminui com menos diagnósticos no mundo. Pelo contrário, a vida de um autista é desnecessariamente mais difícil sem o diagnóstico, pois o cérebro dificilmente enxerga o que não espera ver, e não se trata um problema que não se sabe que existe.
Por fim, talvez exista uma raiva em se sentir preterido quando a gente, de óculos escuros, chapéu e colar de girassol, mas andando com as próprias pernas, passa na frente da fila. Tento ser generosa e pensar que se as pessoas soubessem como essa pequena vantagem basta para eu ganhar meu dia, elas ficariam felizes por mim.

Opinião - Suzana Herculano-Houzel:

Não querer que o filho seja autista não muda em nada a realidade do transtorno

11/04/2026
Estudos recentes publicados na The Lancet indicam que a cannabis medicinal mostra evidências limitadas para tratar ansie...
23/03/2026

Estudos recentes publicados na The Lancet indicam que a cannabis medicinal mostra evidências limitadas para tratar ansiedade e depressão, com aumento de riscos à saúde conforme a oferta aumenta. Pesquisas mostram possíveis benefícios para dor crônica e condições como Alzheimer, mas falham em comprovar eficácia terapêutica robusta em saúde mental.

Principais achados sobre Cannabis na The Lancet:
* Saúde Mental (Ansiedade/Depressão): A maior revisão já feita sobre segurança e eficácia de compostos de cannabis, focada no Matilda Centre (Universidade de Sydney) e publicada na The Lancet, não encontrou evidências fortes de que o tratamento funcione para ansiedade, depressão ou estresse pós-traumático (TEPT).
* Riscos de Legalização: Uma revisão sistemática na The Lancet Regional Health - Americas mostrou que o aumento de dispensários de cannabis está associado a maior uso, uso frequente por jovens e mais internações relacionadas à substância.
* Uso em Dores Crônicas: Estudos na The Lancet Public Healthindicam que, em pacientes com dores crônicas usando opioides, o uso de cannabis não trouxe melhoria clínica ou redução do uso de opioides, apesar de percepções contrárias dos usuários.
* Potencial Terapêutico e Limitações: The Lancet Neurology reconhece o potencial terapêutico (como no caso de esclerose múltipla e dor crônica), mas aponta que ainda há pouca evidência sólida em estudos clínicos randomizados de larga escala.

There was some evidence that cannabinoids can reduce symptoms of cannabis use disorder, insomnia, tic or Tourette's syndrome, and autism spectrum disorder, but the quality of this evidence was generally low. Cannabinoids were associated with a greater risk of any adverse events but not of serious ad...

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