09/08/2026
Dia dos Pais
Em datas comemorativas como hoje, Dia dos Pais, constato como, ao olhar fotografias, redes sociais e declarações de amor, tantas pessoas parecem viver relações interpessoais perfeitas e invejáveis com alguém que um dia foi chamado de PAI.
E me pergunto: será que vivo em outro mundo? Ou será que minha percepção sobre o viver é diferente da maioria?
Afinal, diariamente vejo grandes pais, mas também homens incapazes de exercer verdadeiramente a paternidade.
O ser humano, por sua própria essência, é resiliente. Para sobreviver psiquicamente, muitas vezes apaga da memória aquilo que foi doloroso e preserva o que foi bom ou aquilo que, com o tempo, conseguiu transformar em aparentemente bom.
A memória também é uma forma de sobrevivência.
Nem sempre lembramos do que aconteceu; muitas vezes lembramos daquilo que conseguimos suportar.
Quando perdemos a percepção das nossas próprias emoções, passamos a banalizar o certo e o errado, a alegria e a tristeza, o afeto e a dor.
E, muitas vezes, relações abusivas têm suas raízes na infância e se perpetuam ao longo da vida, até que, em algum momento, seja possível interromper esse ciclo. Talvez pela análise, pelo autoconhecimento, pela coragem de mergulhar em águas profundas e encontrar aquilo que durante tanto tempo foi silenciado.
Por isso, o Dia dos Pais não precisa ser celebrado apenas pela figura do pai biológico.
Pode ser celebrado por quem verdadeiramente exerceu a função de pai em nossa vida: avô, padrasto, mãe, casal homoafetivo, professor, amigo ou qualquer pessoa que tenha nos acolhido, protegido, ensinado e amado.
Hoje, mais do que homenagear quem recebeu o título de pai, talvez seja importante reconhecer quem, de fato, foi pai.