29/04/2025
Leia meu novo artigo:
Mãe de REBORN
Maria Ofelia Fatuch
Anos atrás em um dos aeroportos nos EUA, voo doméstico entre qualquer cidade americana, vejo uma senhora entre 40 a 50 anos segurando um bebê. Pensei comigo, o neto
O cuidado, as carícias eram tantas que me chamaram a atenção. Será que vou agir assim quando me tornar avó? Meus filhos ainda crianças
O bebê era um fofo, não me recordo o gênero, mas fixando o meu olhar percebi que talvez fosse embalsamado. Morreu?
Sinceramente foi a cena mais macabra que presenciei, como médica, mãe e colecionadora de bonecas
Não passou pela minha cabeça que era uma nova modalidade de brinquedos destinada a adultos e não a crianças. Perguntei a um americano, relatou que a prática era comum em fazer bonecas com o rosto, cabelo dos filhos quando bebê. Pensei comigo, preciso objetivar a minha memória?
Durante minha permanência em terras americanas entrei em diversos locais para ver se conseguia encontrar esse bebê. A “American Girls” especializada em bonecas, tem uma maternidade com recém nascidos, mas a perfeição não chegava a tal boneca que anos após descobri que chamava REBORN
"Mãe de reborn" é uma expressão comum no universo dos bonecos reborn, que são bonecas hiper-realistas feitas para parecerem bebês de verdade. A "mãe de reborn" é geralmente a pessoa que cuida da boneca como se fosse um bebê real — trocando roupas, alimentando simbolicamente, levando para passeios, e até criando perfis em redes sociais para compartilhar momentos com o "bebê".
O conceito de reborning surgiu quando colecionadores de bonecas e artistas começaram a modificar bonecas de vinil padrão, transformando-as em réplicas de bebês de verdade.
Uma das pioneiras do movimento reborn foi Sherry R. Williams, que começou a modificar bonecas no início dos anos 90
Com o tempo, o interesse por essas bonecas cresceu, e começaram a ser produzidas de forma comercial.
Na década de 2000, o mercado de bonecas reborn se expandiu enormemente, com artistas e fabricantes criando modelos cada vez mais detalhados, e os preços dessas bonecas variando de algumas centenas a milhares de dólares, dependendo da complexidade e do realismo.
1. Modelos mais acessíveis: R$ 500 a R$ 1.500 (US$ 100 a US$ 300)
2. Artistas especializados (menos personalizados): R$ 3.000 a R$ 8.000 (US$ 600 a US$ 1.500)
3. Bonecas exclusivas e personalizadas: R$ 10.000 ou mais (US$ 2.000+)
Nos últimos anos, plataformas como Instagram, YouTube e TikTok deram um impulso significativo ao mundo dos reborns, com vídeos e fotos dessas bonecas se tornando populares. Muitas pessoas compartilham suas experiências e rotinas com seus bebês reborn, criando uma comunidade global de fãs e colecionadores.
Atualmente, é um modismo brasileiro, 35 anos após!
O que faz uma mulher adotar uma boneca?
A) Como uma forma de arte e hobby:
Auto conhecimento
B)Como uma forma de terapia:
A boneca sempre foi utilizada pelos psicólogos ou como objeto representativo para retratar abuso sexual
C) Como manifestação de afeição e cuidado:
Uma forma simbólica de expressar cuidado e carinho. Isso não significa necessariamente que a pessoa tenha problemas mentais, mas sim que encontrou uma maneira de canalizar essas emoções de uma forma segura e não convencional. Um benefício em idosos com Alzheimer
O mais importante é observar como essa prática afeta a vida da pessoa
No entanto, se o apego a um reborn começa a interferir negativamente na vida cotidiana da pessoa, a ponto de ela se afastar das interações sociais, negligenciar responsabilidades ou viver uma realidade distorcida, pode ser um sinal de que essa pessoa precisa de apoio emocional ou psicológico.
O ato de brincar na infância é estimular o desenvolvimento físico, emocional, cognitivo, social e desenvolvimento de linguagem. Reduz o estresse melhora o bem estar
O ato de brincar com uma boneca no adulto não pode ser interpretado como saudável e sim fuga de um desejo reprimido que poderia ser substituído com adoção temporária, acolhimento familiar, uma medida protetiva que coloca crianças e adolescentes em uma família substituta de forma temporária, enquanto a situação da criança é avaliada e definida. Ou mesmo, adoção de um animal de estimação, não para humaniza-lo, como troca de sentimentos. Ou serviços voluntários. Promover um sentido para sua própria vida. Diferente do humor, sempre bem-vindo, segundo Freud, não é resignado é rebelde, significa não apenas o triunfo do eu, mas também o princípio do prazer, que nele consegue afirmar-se contra adversidades das circunstâncias reais
Essa modalidade de bonecas é a mesma sobre robôs para substituir parceiros reais. O confronto com a realidade, por pior que seja, é necessário; além de, lembrar, repetir e elaborar o passado. Elaborar não é esquecer, é ressignificar. E não criar uma interação com a perfeição física e psíquica de um ser inanimado.
Viver o luto não só de quem morreu, mas de tudo que não foi como se fantasiou. Parafraseando: "A vida é injusta, a morte é injusta” Clarice Lispector
“Precisa aprender a viver, quem souber”. Cartola compôs: “O Mundo é um Moinho”
“O luto leva o eu a renunciar ao objeto, declarando-o morto e oferecendo ao eu o prêmio de continuar vivo” Freud
https://mundoadaptado.com.br/blog/mae-de-reborn