01/09/2026
DMEK — a cirurgia tecnicamente mais difícil da oftalmologia.
O tecido transplantado tem 15 micra. Não pode ser pinçado, se enrola sozinho e é desdobrado dentro do olho por correntes de líquido, fixado com uma bolha de ar. Orientação invertida significa falha.
A córnea só é transparente porque uma camada de células na face interna bombeia água para fora dela o tempo todo. Quando essas células morrem — como na distrofia de Fuchs — a bomba falha, a córnea incha e a visão embaça. No DMEK trocamos só essa camada, e nada além dela.
Por transplantar apenas o endotélio, a chance de rejeição é bem menor que no transplante convencional.
Dois pacientes operados na semana passada. Imagens do 3º e do 5º dia de pós-operatório: córnea transparente e paquimetria normalizada. A bomba volta a funcionar em dias.
Não é para todo olho. O pós exige decúbito dorsal por alguns dias e parte dos casos precisa de reinjeção de ar.
Glauco Reggiani Mello — CRM 22727-PR | RQE 16282
Professor da UFPR | Mestre e Doutor em Cirurgia
Fellowship em córnea e segmento anterior — Cleveland Clinic