Dr. Gustavo Lenci Marques

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Dr. Gustavo Lenci Marques Médico
Especialista em Cardiologia e Clínica Médica
Doutor em Medicina Interna
Divulgador de Conteúdo Científico

06/08/2026

Chegou o Ozivy, o "Ozempic brasileiro".

Fabricado pela EMS em Hortolândia (SP), ele é um similar da semaglutida e chega bem mais barato que o Ozempic e o Mounjaro. Mas por quê?

A EMS largou na frente por dois motivos: já tinha entrado com os pedidos enquanto esperava a patente da semaglutida cair, e já produzia a liraglutida (antigo Victoza e Saxenda). Meio caminho andado.

Um detalhe importante, porém: o princípio ativo (IFA) ainda vem da China, da Sinopep. O Brasil ainda não produz esse peptídeo sozinho. A boa notícia é que o contrato prevê transferência progressiva de tecnologia, e a produção nacional deve começar até 2030.

Qual exercício reduz mais a pressão arterial?A resposta mais comum costuma ser caminhada, corrida ou bicicleta. Mas uma ...
30/07/2026

Qual exercício reduz mais a pressão arterial?

A resposta mais comum costuma ser caminhada, corrida ou bicicleta. Mas uma metanálise em rede publicada no Journal of the American Heart Association comparou sete modalidades: aeróbico, musculação, treino combinado, HIIT, isométricos, yoga e tai chi.

Foram 105 ensaios clínicos randomizados, com 6.734 adultos com pressão elevada ou hipertensão.

A primeira conclusão é a mais importante: todas as modalidades reduziram a pressão.

O treino combinado (aeróbico + musculação) teve a maior redução média:
➡️ ~12,1 mmHg na máxima
➡️ ~6,2 mmHg na mínima

O HIIT veio logo atrás (~11 / 6,4 mmHg). Mas yoga, tai chi, musculação, aeróbico e isométricos também funcionaram.

O estudo ainda avaliou a dose de exercício em MET-minutos por semana, uma medida que junta intensidade e tempo. Na prática, cerca de 150 minutos semanais de atividade moderada já se associaram a uma redução estimada de ~9/5 mmHg. O maior efeito apareceu perto de 160-180 minutos semanais. Depois disso, a queda parece atingir um platô.

Mas vale a leitura MBE. A evidência de que exercício reduz a pressão é boa. Já a posição exata de cada modalidade no ranking é menos definitiva: houve heterogeneidade elevada, protocolos diferentes e comparações indiretas.

Ou seja: não é abandonar a caminhada para começar um HIIT amanhã. É construir uma rotina que, idealmente, combine aeróbico e força, mas que respeite segurança, preferência e capacidade de manter no longo prazo.

E exercício faz parte do tratamento da hipertensão. Não é justif**ativa para interromper medicamentos sem avaliação.

Curta, salve e compartilhe. A análise completa está no meu Grupo de Atualizações, link na bio.

Ref: Xin X et al. J Am Heart Assoc. 2026;15:e044003.

Cigarro eletrônico é realmente uma alternativa segura para quem parou de fumar?Um estudo publicado na Nature Medicine an...
29/07/2026

Cigarro eletrônico é realmente uma alternativa segura para quem parou de fumar?

Um estudo publicado na Nature Medicine analisou mais de 4,5 milhões de adultos com histórico de tabagismo.

Quando comparados com pessoas que abandonaram completamente o tabagismo, os ex-fumantes que usavam cigarro eletrônico diariamente apresentaram:

➡️ 56% maior risco de câncer de pulmão
➡️ risco aproximadamente duas vezes maior de morte por câncer de pulmão

Entre os participantes considerados de maior risco — pessoas de 50 a 80 anos com pelo menos 20 anos-maço — a associação também foi observada.

Mas atenção: este é um estudo observacional.

Ele identif**a uma associação, mas não consegue provar que o cigarro eletrônico causou diretamente esses eventos. Além disso, o uso foi autorreferido, o seguimento foi relativamente curto e houve poucos eventos entre os usuários de v**e.

Mesmo assim, o estudo desafia uma ideia muito difundida:

trocar o cigarro convencional pelo eletrônico não parece oferecer os mesmos benefícios que abandonar completamente os dois.

O v**e pode até representar uma redução de danos em relação à continuidade do cigarro convencional em alguns contextos, mas isso está muito longe de signif**ar ausência de risco.

A análise completa do artigo, incluindo os principais números, as limitações metodológicas e a aplicação prática, está no meu Grupo de Atualizações — link na bio.

Curta, salve e compartilhe.

Referência:
Kim YW, Park EJ, Kwak KI, et al. Electronic cigarette use after smoking cessation and lung cancer risk. Nature Medicine. 2026;32:2410–2419. DOI: 10.1038/s41591-026-04469-5.

27/07/2026

O R1 de Clínica Médica é imersão total. Você vive a especialidade o dia inteiro, com responsabilidade real de médico, mas ainda com alguém experiente ao lado para te nortear.

Essa combinação é rara na carreira. Depois dela, o suporte diminui e a cobrança aumenta.

22/07/2026

Sim, estatina baixa a Coenzima Q10 no sangue. Só que isso importa menos do que parece.

Dentro do músculo, onde a Q10 de fato atua, os níveis se mantêm. A queda f**a só na circulação. E suplementar não resolve: quase nada do que você toma chega à célula, que continua produzindo a sua própria Q10.

16/07/2026

Existe, sim, quem precise repor Coenzima Q10, mas não é quem a propaganda costuma mirar.

São as mitocondriopatias, doenças em que a pessoa nasce com dificuldade de produzir a molécula. Aí o corpo sente de verdade: perda de força muscular (não o cansaço do fim do dia), alterações no coração e no cérebro. Nesses casos, a reposição é indicação absoluta.

E o detalhe surpreende: a dose necessária chega a 20-30 mg por quilo. Uma pessoa de 70 kg precisaria de mais de 2 gramas por dia, cerca de 21 cápsulas de 100 mg, porque o corpo absorve pouquíssimo do que ingere.

Ou seja: o suplemento comum de farmácia não chega nem perto disso. E para quem não tem deficiência, não faz a diferença prometida.

15/07/2026

Poucas moléculas trabalham tanto e recebem tão pouco crédito quanto a Coenzima Q10.

Ela f**a nas mitocôndrias e ajuda a transformar oxigênio e nutrientes em energia. Cada batimento, cada passo, cada pensamento passa, de algum jeito, por reações que dependem dela. Como bônus, ainda protege as células como antioxidante, reduzindo o dano dos radicais livres que sobram da produção de energia.

Com esse currículo, parece óbvio suplementar. Só que não. O corpo produz Q10 sozinho, em boa quantidade, na maior parte das células. Ter deficiência de verdade é incomum.

Ela é essencial, mas isso não signif**a que você precise comprá-la.

13/07/2026

Dá para ajudar a controlar a pressão pela alimentação?

Em parte, sim. A dieta DASH (Dietary Approach to Stop Hypertension) foi desenhada exatamente para isso: mais frutas, vegetais, grãos e laticínios magros, menos sódio. Ela pode reduzir a pressão e ainda ajuda na perda de peso, um efeito que soma.

Não é a dieta mais fácil de manter, nem a mais barata. Quando ela não cabe na rotina, reduzir o sódio já traz resultado, e o sal light pode entrar como alternativa, com atenção para quem tem problema renal.

Importante deixar claro: nada disso substitui o acompanhamento médico nem o tratamento prescrito. São formas de somar, não de trocar. Converse sempre com seu médico antes de mudar qualquer coisa.

09/07/2026

Soroterapia não ressuscita ninguém.

Melhorar depois de uma fase ruim de sono e alimentação é esperado, com ou sem soro. Vitamina na veia não beneficia quem não tem deficiência, e ainda custa caro.

Todo mundo já ouviu que "uma taça de vinho por dia faz bem ao coração". Virou quase senso comum, repetido em jantar, con...
07/07/2026

Todo mundo já ouviu que "uma taça de vinho por dia faz bem ao coração". Virou quase senso comum, repetido em jantar, consultório e reportagem.

O problema é que essa ideia nasceu de estudos com falhas importantes. Quando a ciência aprendeu a comparar os grupos de forma justa, o tal "benefício" simplesmente desapareceu.

Neste carrossel, explico de onde veio esse mito, por que ele enganou tanta gente e o que as evidências mais recentes realmente mostram.

Não é sobre julgar quem bebe. É sobre parar de vender álcool como se fosse remédio.

Salve e compartilhe com quem ainda repete a história da taça diária.

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Rua Emiliano Perneta, 860, 17º Andar, Sala 1. 701
Curitiba, PR

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