12/08/2026
Dia 10/08 foi o dia da superdotação, e talvez uma das coisas mais difíceis de explicar sobre ela seja justamente aquilo que não cabe em uma definição simples.
Trabalho com isso desde 2010 e perdi a conta de quantos livros e artigos científicos já li sobre isso, bem como quantos superdotados conheci, e ainda descubro novidades todos os dias, buscando conciliar resultados científicos que por vezes são opostos, inclusive.
Ser superdotado não é apenas pensar rápido, aprender melhor ou perceber coisas que outras pessoas não percebem. É, muitas vezes, conseguir sustentar um panorama inteiro na cabeça.
Perceber os pormenores sem perder o todo, enxergar contradições sem precisar eliminá-las, tolerar ambiguidades, mudar de perspectiva sem necessariamente abandonar a anterior…
Perceber que duas coisas aparentemente opostas podem conter, cada uma, uma parte da verdade, porque a realidade (e a maturidade) raramente funciona no “ou isso ou aquilo”.
A vida é cheia de contextos, nuances, exceções, camadas e relações que se modificam dependendo de onde você olha. E talvez seja justamente aí que algumas experiências de pessoas superdotadas sejam tão difíceis de traduzir.
Não porque exista sempre uma resposta mais complexa, mas porque, às vezes, a própria pergunta precisa ser ampliada.
E talvez o pertencimento também tenha a ver com isso: encontrar pessoas e espaços onde você não precise reduzir a complexidade do que percebe para conseguir ser compreendido. Onde sua forma de pensar não seja “demais” e você possa simplesmente existir.
Talvez pertencer seja, também, poder pensar assim e descobrir que você não é o único. Lembre-se de que não está sozinho!
Feliz 10 de agosto (atrasado)!