Psicologia - Daphne Resnauer Queiroz

Psicologia - Daphne Resnauer Queiroz �Daphne Resnauer Queiroz é psicóloga formada pela PUC-PR em fevereiro de 2011. Pós-graduada em

09/08/2026

Quando o corpo congela, o pensamento também pode perder fluidez.

Na perspectiva da Teoria Polivagal, o estado de congelamento pode surgir quando o sistema nervoso percebe que não há recursos suficientes para enfrentar ou escapar de uma situação.

O corpo reduz a mobilização. O movimento diminui. A energia parece desaparecer. E, junto com isso, podemos ter menos acesso a recursos cognitivos importantes para o dia a dia:

Atenção concentrada
Memória operacional
Flexibilidade cognitiva
Planejamento
Tomada de decisão
Iniciação de tarefas

É por isso que, nesses momentos, podemos saber exatamente o que precisamos fazer, mas simplesmente não conseguir começar.

Não é necessariamente preguiça.
Não é falta de disciplina.
E insistir em “pensar positivo” ou se cobrar ainda mais pode não ajudar.

Quando o corpo está em congelamento, a regulação precisa começar pelo corpo.

E, muitas vezes, não é hora de fazer grandes movimentos. É hora de recuperar, aos poucos, a fluidez: um pequeno movimento, uma mudança de postura, uma respiração que não seja forçada, perceber o ambiente, sentir os pés no chão, permitir que o corpo volte a se movimentar.

Porque, quando o sistema nervoso recupera segurança e flexibilidade, o acesso aos recursos cognitivos também pode se ampliar novamente.

Às vezes, antes de aumentar a produtividade, precisamos recuperar a capacidade de estar presentes no próprio corpo.

Você já percebeu momentos em que parece que sua mente simplesmente “desliga”?

06/08/2026

Tem dias em que você simplesmente não consegue parar.

Isso nem sempre é ansiedade ou excesso de produtividade. Pode ser o seu sistema nervoso em modo fuga.

Quando o cérebro percebe ameaça, ele mobiliza o corpo para seguir em movimento. Você pode sentir inquietação, pensamentos acelerados, dificuldade para descansar e culpa ao parar.

A fuga é uma resposta de sobrevivência, não uma falha.

Reconhecer esse estado é o primeiro passo para oferecer ao corpo experiências de segurança e recuperar a capacidade de desacelerar.

💙 Seu corpo não precisa viver correndo para estar seguro.

05/08/2026

A raiva não é um defeito da personalidade. Na maioria das vezes, ela é um sinal de que o seu sistema nervoso percebeu uma ameaça: uma invasão de limites, uma injustiça, uma humilhação, uma sensação de impotência ou de risco. E isso pode se tornar uma reação constante aprendida em casos de ameaça crônica.

Quando entramos em um estado de mobilização (o que, de forma didática, chamamos de modo luta), o organismo aumenta a energia disponível para agir. A frequência cardíaca sobe, os músculos ficam mais preparados, a atenção se estreita e a mente passa a buscar formas de enfrentar aquilo que parece perigoso.

Esse modelo é uma simplificação da realidade. As respostas do sistema nervoso são muito mais complexas e podem se misturar, variar em intensidade e mudar rapidamente, mas entender esses estados ajuda a reconhecer o que está acontecendo dentro de nós.

E esse reconhecimento importa, porque a emoção que é percebida tende a encontrar um caminho. A emoção que é combatida costuma ganhar ainda mais intensidade.

Validar a raiva não significa agir impulsivamente, machucar alguém ou justificar qualquer comportamento. Significa reconhecer que ela existe por um motivo.

Quando você consegue dizer: “Meu corpo entrou em um estado de luta”, cria uma pequena distância entre a emoção e a ação. É nesse espaço que a autorregulação começa.

A raiva deixa de ser uma inimiga e passa a ser uma informação importante sobre aquilo que precisa de proteção, de cuidado ou de mudança.

Psicoeducação SaúdeMental Autoconhecimento

01/08/2026

A gente costuma ouvir que, para regular uma criança, primeiro precisamos regular o adulto, mas essa frase não é um convite à perfeição…

É um convite ao cuidado. 💛

Porque criar um filho, especialmente uma criança intensa, sensível ou neurodivergente, é uma experiência que exige muito do nosso sistema nervoso.

Existem dias em que você vai conseguir oferecer calma, e existem dias em que você também vai se sentir sobrecarregado, cansado, irritado ou sem recursos.

Isso não faz de você um pai ou uma mãe ruim, faz de você um ser humano.

A boa notícia é que a regulação não acontece porque nunca nos desorganizamos. Ela acontece porque, aos poucos, aprendemos a reconhecer nossos estados, encontrar caminhos de volta à segurança e reparar as rupturas quando elas acontecem. É justamente isso que fortalece a relação.

A parentalidade de alta demanda nos convida a olhar para uma verdade que muitas vezes esquecemos: cuidar de si não é egoísmo. É uma das formas mais profundas de cuidar dos filhos.

Quando um adulto amplia sua capacidade de se regular, toda a família se beneficia.

Se esse tema faz sentido para você, conheça o EBOOK Manual de Regulação para Pais Neurodivergentes, no LINK DA BIO.

Ele foi criado justamente para quem vive a intensidade da parentalidade e precisa de ferramentas práticas para cuidar do próprio sistema nervoso, reduzir a sobrecarga e construir uma presença mais segura e disponível para os filhos.

Porque, no fim das contas, o melhor presente que podemos oferecer às crianças não é sermos pais perfeitos.

É sermos adultos que também aprendem, todos os dias, a voltar para um lugar de segurança. 💛

09/07/2026

Muitas pessoas neurodivergentes crescem com a sensação de privação emocional. Não necessariamente porque faltou amor, mas porque, muitas vezes, faltou alguém que realmente compreendesse a intensidade, a complexidade e a forma como elas vivenciavam o mundo.

Com o tempo, isso pode gerar uma crença profunda de que pedir ajuda não adianta, de que ser vulnerável é arriscado ou de que ninguém será capaz de entender o que está acontecendo. Assim, a autossuficiência deixa de ser apenas uma característica e passa a funcionar como uma estratégia de proteção.

Quando olhamos para os traumas de desenvolvimento, entendemos que esse padrão não surge do nada. Ele é construído nas experiências de vínculo e pode ser transformado quando compreendemos sua origem.

Se você deseja entender melhor a relação do trauma de desenvolvimento nesta condição, conheça o curso Trauma e Superdotação. O acesso está disponível no link da bio.

04/06/2026

Quando somos muito sensíveis, intensos ou empáticos, é comum confundirmos nossas emoções com as emoções das pessoas ao nosso redor.

Às vezes sentimos a angústia do outro como se fosse nossa. Tentamos resolver, absorver, carregar ou aliviar aquilo que nem nos pertence. E, sem perceber, vamos perdendo o contato com os próprios limites emocionais.

A diferenciação emocional é a capacidade de reconhecer: “Eu consigo sentir você sem me tornar você.”

Criar contorno não significa ser frio, indiferente ou deixar de se importar. Significa desenvolver espaço interno suficiente para sustentar a própria experiência emocional e permitir que o outro sustente a dele.

Quanto mais aprendemos a tolerar nossas emoções sem fugir delas, mais conseguimos permanecer presentes diante das emoções das outras pessoas sem sermos arrastados por elas, e também sustentar o desconforto do outro sem tornar nossa responsabilidade.

Sentir não é o problema. O desafio é aprender a sentir sem se perder.

💛 Se esse tema faz sentido para você, meu e-book de autorregulação reúne conceitos e práticas para fortalecer sua capacidade de sustentar emoções, ampliar sua janela de tolerância e construir mais segurança interna. O link está na bio.

25/05/2026

O que ajuda você a lidar com a fadiga social?
Conta nos comentários quais estratégias fazem diferença pra você. 👇

A fadiga social na neurodivergência não é “drama”, falta de vontade ou excesso de sensibilidade.

Muitas vezes, ela acontece porque o corpo e o cérebro processam interações, estímulos, emoções, microexpressões e tensões relacionais de forma muito mais intensa e profunda.

E, além disso, muitas pessoas neurodivergentes desenvolveram uma hipervigilância relacional ao longo da vida: ficam monitorando o ambiente, o impacto que causaram, o tom do outro, o que disseram, o que sentiram, o que podem ter feito “errado”.

Não porque querem.
Mas porque viver sendo percebido como “demais”, “estranho”, “intenso” ou “difícil” pode transformar o vínculo em um lugar de alerta constante.

Por isso, depois das interações, muitas pessoas precisam de tempo de digestão emocional, sensorial e corporal.

E entender isso muda tudo.

Quando a pessoa compreende o que acontece com ela, começa a se respeitar mais, a parar de se forçar tanto e a construir uma vida mais compatível com o próprio funcionamento.

E quando o ambiente entende isso também, deixa de interpretar essa necessidade de pausa como rejeição, frieza ou desinteresse.

Às vezes, o sistema nervoso só precisa de tempo para processar.

Se você quer entender mais profundamente a relação entre neurodivergência, trauma, sistema nervoso e saúde emocional, meu curso “Superdotação e Trauma” está disponível no link da bio.

19/05/2026

Amadurecer nas relações não é aceitar o que machuca.
É aprender que existir junto implica tolerar diferenças de ritmo, lógica, intensidade e forma de amar.

Muitas pessoas superdotadas passam a vida percebendo o quanto sua intensidade naturalmente convoca exigência no outro, mesmo sem querer.

E a adultez madura traz justamente essa consciência com mais leveza: a de que vínculo não nasce da perfeição, mas da capacidade de coexistir sem precisar apagar quem se é… nem controlar quem o outro precisa ser.

Talvez amar também seja aprender a abrir espaço para o outro existir sem transformar diferença em ameaça, permitir ser cuidado, entender com honestidade o que o outro pode oferecer e o quanto nós também não somos cem por cento assertivos o tempo todo.

Com isso, talvez possamos aprender a dar os limites e fazer os pedidos necessários, bem como achar formas de suprir a nós mesmos, de uma forma real e enraizada.

Existe maturidade em entender que toda relação terá desencontros, limites, diferenças de ritmo, falhas e frustrações. Mas também existe maturidade em reconhecer quando algo ultrapassa o limite do possível e começa a custar a própria saúde emocional.

A adultez madura não romantiza relações perfeitas.
Ela aprende a discernir:
o que é incompatibilidade,
o que é diferença,
o que é falta de habilidade,
o que é falta de cuidado,
e o que é apenas humanidade.

E talvez uma das coisas mais difíceis da vida adulta seja justamente sustentar esse paradoxo:
aceitar que ninguém será exatamente como imaginamos, sem abandonar a responsabilidade de continuar escolhendo relações onde ainda exista encontro, presença e reciprocidade possível.

13/05/2026

Uma coisa que eu observo muito na prática clínica com pessoas neurodivergentes é que muitas foram treinadas a aguentar demais.

A funcionar cansadas, a passar por cima do corpo, a camuflar desconfortos e tentar acompanhar um ritmo que nem sempre combina com o próprio funcionamento.

E o mais difícil é que, muitas vezes, falta uma medida interna de limite. Então a pessoa facilmente extrapola… ou se esquiva completamente.

Porque o cérebro acelera, os interesses aceleram, a mente continua funcionando, enquanto o corpo vai ficando para trás.

E aí o estresse crônico começa a parecer produtividade, adaptação ou alta performance… até virar exaustão, ansiedade, dores, irritabilidade e colapso.

Por isso eu acredito tanto que pessoas neurodivergentes precisam construir uma relação com o corpo que viabilize uma vida possível. Uma vida com mais presença, percepção de limites, espontaneidade e menos camuflagem.

É justamente sobre isso que vamos trabalhar no workshop de práticas corporais deste sábado ✨

Eu e Gabriela esperamos vocês 🤍

Link na Bio!

04/05/2026

Neste segundo workshop, o foco será diferente: vamos trabalhar a camuflagem e ajudar você a reconectar com seu ritmo verdadeiro, prevenindo estresse crônico e aumentando a presença para evitar ciclos de burnout e impactos na saúde, comuns em pessoas neurodivergentes.

Na prática, você vai aprender técnicas regulatórias que constroem segurança interna, para que a autorregulação realmente funcione, através da percepção do próprio ritmo e da retomada da espontaneidade.

Vamos trazer nossa experiência clínica com essa população e dicas bem práticas para seu dia a dia!

🗓 16/05
⏰ 10h às 12h
Com a fisioterapeuta .fisio

⚠️ Cupom 10OFF até 06/05

Até lá!

(Não é necessário ter participado do primeiro)

Endereço

Curitiba, PR
82015100

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 18:00
Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 18:00

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