31/08/2026
Existe uma coisa que me interessa profundamente nessa fase da vida: o que acontece quando você já viveu o suficiente para perceber que algumas escolhas foram realmente suas… e outras foram apenas respostas ao que esperavam de você.
Por muito tempo, você pode ter vivido no automático: estudou, trabalhou, construiu uma família, sustentou relações, criou filhos, cuidou dos pais, cumpriu responsabilidades e foi seguindo.
Até que, em algum momento, alguma coisa muda.
Não necessariamente porque a sua vida está ruim. Às vezes, justamente porque ela parece boa por fora e, ainda assim, existe uma pergunta que não vai embora.
“E eu?”
É sobre esse lugar que eu quero conversar.
Não para romantizar recomeços, nem para dizer que você precisa jogar tudo para o alto. Muito menos para transformar a meia-idade em um problema que precisa ser resolvido.
Quero falar sobre as escolhas que fazemos, os papéis que assumimos, os desejos que foram ficando para depois, os relacionamentos que mudaram, os filhos que crescem, os pais que envelhecem, o corpo que muda, o tempo que passa e a consciência cada vez maior de que a vida é finita.
E, principalmente, sobre o que fazemos quando percebemos que ainda existe uma parte da nossa história que não foi vivida.
Talvez essa seja uma das fases mais honestas da vida.
Porque chega um momento em que já não dá para continuar vivendo apenas para corresponder.
E talvez a pergunta não seja “o que deu errado?”, mas:
“O que eu quero fazer com a vida que ainda tenho?”