10/09/2026
Hoje, no Dia de Conscientização sobre o Suicídio, soube que ontem um promotor aqui do Paraná tirou a própria vida. E a pergunta inevitável é: o que leva uma pessoa a chegar a esse ponto?
Não existe uma única resposta. Mas há fatores que precisamos discutir com mais seriedade: a falta de uma verdadeira rede de apoio comunitária; o machismo estrutural, que ensina homens a silenciarem seus sentimentos e a negligenciarem o próprio cuidado; o estresse crônico e a cobrança permanente por desempenho; e o moralismo que ainda cerca a saúde mental e o suicídio.
A série "Falando a Real" aborda esse tema por meio de Louis, que atravessa uma depressão profunda e, em determinado momento, envia uma mensagem à filha de Jimmy pedindo socorro. Jimmy, que é terapeuta na série, percebe o sinal e vai ao seu encontro, interrompendo Louis do ato que tiraria a própria vida dele.
E é justamente aqui que quero chegar: trabalhar com pessoas em risco de suicídio não é para qualquer profissional.
Exige formação, atualização constante, atenção clínica sensível, articulação com a rede de apoio e trabalho conjunto com outros profissionais. Exige também disposição para reconhecer os limites da própria atuação e colocar a segurança do paciente acima de disputas entre áreas ou protocolos tratados de maneira superficial.
Para quem trabalha com saúde mental: estudar e buscar interlocução com outros profissionais é parte da responsabilidade clínica.
Para quem está sofrendo: pedir ajuda não é fraqueza. Psicólogos, psiquiatras e serviços de saúde podem fazer parte dessa rede de cuidado.
Cuidar com responsabilidade é mais do que colocar um botom de campanha corporativa na roupa e palestra motivacional.
É fazer o que precisa ser feito.