16/08/2026
Nem tudo o que arde cura.
Há dores que não chegam para nos tornar melhores.
Há relações que deixam marcas. Há despedidas que não trazem respostas. Há experiências para as quais talvez nunca encontremos uma explicação que faça tudo parecer justo.
E reconhecer isso também faz parte do processo.
Na psicanálise, elaborar uma experiência dolorosa não significa apagar aquilo que aconteceu, esquecer alguém ou transformar sofrimento em uma bonita história de superação.
Elaborar é poder falar sobre aquilo que, por algum tempo, talvez só tenha conseguido doer.
É conseguir olhar para a própria história sem precisar permanecer preso ao lugar que aquela experiência nos colocou.
Porque algumas feridas não desaparecem como se nunca tivessem existido. Elas passam a ocupar outro lugar dentro de nós.
Talvez a questão não seja:
“Quando isso vai parar de doer?”
Mas:
“O que essa dor ainda tem a dizer sobre mim, sobre meus desejos e sobre aquilo que vivi?”
Na análise, até aquilo que arde pode encontrar palavras. 🤍