10/08/2026
🧩 “Se meu filho é autista, ele é seletivo?”
Não, essa associação automática pode fazer com que comportamentos diferentes sejam interpretados de forma equivocada.
A seletividade alimentar é relativamente frequente em pessoas autistas, mas não é um critério diagnóstico e não está presente em todas as crianças. Quando aparece, também não deve ser entendida apenas como uma preferência por “comer poucas coisas”.
A recusa alimentar pode envolver aspectos sensoriais, como hipersensibilidade a texturas, temperaturas, cheiros, sabores, cores e características visuais dos alimentos. Mas também pode estar relacionada à previsibilidade, à dificuldade diante de mudanças, às experiências anteriores com determinados alimentos, às demandas do momento da refeição ou a outros fatores que precisam ser investigados individualmente.
Por isso, dizer simplesmente “ele é autista, então é seletivo” reduz uma questão complexa a uma característica do diagnóstico.
E existe uma diferença importante entre uma criança que simplesmente prefere determinados alimentos e uma criança cuja relação com a alimentação está sendo signif**ativamente afetada pela restrição alimentar.
O olhar precisa sair do “por que ele não come?” e caminhar para “o que está tornando esse alimento difícil para ele?”.
Compreender a função do comportamento, observar os padrões alimentares e considerar o perfil individual da criança é muito mais útil do que tentar encaixá-la em uma regra.
🍽️ Nem toda criança autista é seletiva.
🧩 E toda seletividade merece ser compreendida para além do rótulo.