07/05/2026
Era uma segunda-feira agitada, e eu tentava dar conta da minha lista mental. Sentado à mesa em frente à minha, alguém almoçava com a mochila nas costas. Essa cena me atravessou e dissipou minha lista mental. Nada me pareceu mais urgente, o que eu via me trouxe para o momento presente.
Ali, na minha frente, se mostrava a síntese do sintoma atual: a desconexão com o presente. Falhamos em nos fazer presentes para nós mesmos. Enquanto isso, o tempo passa. A refeição não nutre, enche. A comida perde o sabor e o aroma, assim como abrimos mão da sobremesa. Os dias são reduzidos a métricas: tarefas, horas e minutos. O dia não tem o som da cidade, não tem a brisa do início do inverno, nem o calor do meio-dia. Não tem toque, nem palavra.
Vivemos sem olhar em volta, sem notar quem se aproxima ou se afasta, sem olhar nos olhos e, principalmente, sem olhar para dentro. Sobra apenas o peso das alças da mochila. O peso da performance. Talvez, o dia só se pinte de cinza quando nossos sentidos e nossa percepção são suprimidos.
Desejo a você que me lê, que esteja atento ao peso de sua mochila. E que, para cada meta a cumprir, você também tenha na mochila: um jogo de lápis de cor para pintar o dia com suas cores favoritas.
Boa semana!