Psicóloga Jaqueline Alba

Psicóloga Jaqueline Alba Psicóloga Clínica - Abordagem Psicanalítica

Era uma segunda-feira agitada, e eu tentava dar conta da minha lista mental. Sentado à mesa em frente à minha, alguém al...
07/05/2026

Era uma segunda-feira agitada, e eu tentava dar conta da minha lista mental. Sentado à mesa em frente à minha, alguém almoçava com a mochila nas costas. Essa cena me atravessou e dissipou minha lista mental. Nada me pareceu mais urgente, o que eu via me trouxe para o momento presente.

Ali, na minha frente, se mostrava a síntese do sintoma atual: a desconexão com o presente. Falhamos em nos fazer presentes para nós mesmos. Enquanto isso, o tempo passa. A refeição não nutre, enche. A comida perde o sabor e o aroma, assim como abrimos mão da sobremesa. Os dias são reduzidos a métricas: tarefas, horas e minutos. O dia não tem o som da cidade, não tem a brisa do início do inverno, nem o calor do meio-dia. Não tem toque, nem palavra.

Vivemos sem olhar em volta, sem notar quem se aproxima ou se afasta, sem olhar nos olhos e, principalmente, sem olhar para dentro. Sobra apenas o peso das alças da mochila. O peso da performance. Talvez, o dia só se pinte de cinza quando nossos sentidos e nossa percepção são suprimidos.

Desejo a você que me lê, que esteja atento ao peso de sua mochila. E que, para cada meta a cumprir, você também tenha na mochila: um jogo de lápis de cor para pintar o dia com suas cores favoritas.

Boa semana!

Durante  meu café de fim de tarde (depois de tomar muito café requentado), enquanto esperava um café fresco, uma pausa r...
03/04/2026

Durante meu café de fim de tarde (depois de tomar muito café requentado), enquanto esperava um café fresco, uma pausa rara entre um atendimento e outro, me peguei pensando sobre privilégios.

É um tema espinhoso, pois cada um carrega seu próprio parâmetro do que isso signif**a. Por muito tempo, meu desejo não era o café em si, mas a liberdade de gerir meu próprio tempo, algo que o regime CLT não permitia, nem minhas escolhas anteriores.

Para 'bancar' esse desejo de liberdade, houve e há muitas renúncias e horas de trabalho, estudo, e supervisão. Reconheço que minha travessia foi facilitada por recortes sociais (sou uma mulher branca, cisgênero), o que me deu acesso a ferramentas que outros não têm.

Mas há uma linha tênue aqui: reconhecer o privilégio não deve signif**ar a invalidação da conquista. O privilégio é social, mas o esforço é subjetivo. Precisamos ter cuidado para não transformar tudo em uma régua de invalidação do outro, esquecendo que cada conquista também carrega o peso de escolhas e abdicações individuais, pois existe uma diferenciação fundamental entre conquista, renúncia e privilégio. Podem ser pensados juntos, mas não se excluem entre si.

Pensar que um exclui o outro é cair em um reducionismo perigoso. Se dissermos que tudo é só privilégio, apagamos a agência e o esforço do sujeito. Se dissermos que tudo é só conquista, ignoramos as desigualdades do mundo e caímos na armadilha da meritocracia cega.

Às vezes a gente se molda tanto para caber na expectativa alheia que, quando olha no espelho, não reconhece mais quem es...
18/03/2026

Às vezes a gente se molda tanto para caber na expectativa alheia que, quando olha no espelho, não reconhece mais quem está ali.
Coloquei esse pensamento no papel hoje: Quem se perde para agradar o outro, termina sozinho em si mesmo.
Um exercício diário de retorno para casa (para si).

Observando o cansaço de tentar ser feliz o tempo todo, acabei escrevendo isso. Tem coisas que a euforia não deixa a gent...
10/03/2026

Observando o cansaço de tentar ser feliz o tempo todo, acabei escrevendo isso. Tem coisas que a euforia não deixa a gente enxergar.

Que não nos deixemos levar tanto a ponto de não perceber a vida vibrando ao nosso redor.
18/03/2025

Que não nos deixemos levar tanto a ponto de não perceber a vida vibrando ao nosso redor.

07/02/2024
SublimaçãoLembro que o primeiro contato que tive com o conceito de sublimação foi na faculdade em uma das aulas da disci...
23/01/2024

Sublimação

Lembro que o primeiro contato que tive com o conceito de sublimação foi na faculdade em uma das aulas da disciplina de psicanálise, que estudava os destinos da pulsão.
O conteúdo me causou interesse, desde aquele dia venho aprendendo sobre esse conceito complexo.

Mas o que é sublimação?

Do ponto de vista da química, a sublimação é uma passagem direta do estado sólido para o gasoso, sem passar pelo estado líquido.
Para a psicanálise, sublimação é um dos destinos da pulsão, e consiste no processo de desvio das forças pulsionais se***is para um alvo não sexual, em atividades socialmente valorizadas como a arte, a ciência, o esporte, o humor, a pesquisa científ**a etc, ou seja, passar de um estado para outro.

Sublimação vem e vai. Por vezes f**a, faz morada, encontra algum destino.
Outras vezes, alivia. Outras, ainda cansa.
Não é possível se ter controle sobre a sublimação, e também não é possível que todos nossos conflitos sejam sublimados.

Entre todas as coisas que possa ser a sublimação: é também força. Uma força que quer atravessar, que precisa sair, escoar, encontrar lugar para se aliviar quando as coisas f**am difíceis. Das saídas que o aparelho psíquico encontra para lidar com essa força, ainda me parece que é a que tem mais possibilidade de criação e transformação.

Pode ser lindo, triste, acolhedor, apertado, prazeroso ou desprazeroso.
Acabado ou inacabado. Sinuoso ou linear.
Ahhh! Pode ser tudo. Tudo que o autor quiser.

É lindo o que se pode criar quando se pode sublimar. Difícil por vezes, e para a parte difícil, se tem a análise/terapia.

E essa busca por ideais, o que te exige? o que te custa?
04/05/2023

E essa busca por ideais, o que te exige? o que te custa?

Metáfora do PEIXE ASSADO Certa vez li sobre um texto, que se chama a “Metáfora do Peixe Assado”, existem várias versões ...
15/08/2022

Metáfora do PEIXE ASSADO

Certa vez li sobre um texto, que se chama a “Metáfora do Peixe Assado”, existem várias versões dessa metáfora.

A versão da metáfora que conheço é assim:
Certa família fazia um peixe assado delicioso cuja receita passava de geração a geração. Um dia, a filha pergunta à mãe por que a calda, e a cabeça eram cortadas. Ela, sem pensar no assunto, responde que o prato sempre foi feito deste jeito. Intrigada, a moça decide verif**ar com a bisavó. A resposta? “Na minha época o forno era menor, precisávamos cortar para caber”.

Pois é. Não havia mais motivo para o corte, o que houve era uma necessidade – que já passou.

A mensagem dessa metáfora também pode ser pensada, resumidamente sobre: NÃO continuar reproduzindo comportamentos sem REPENSÁ-LOS.

Trazendo para o campo da saúde mental às vezes me questiono: Por que estou fazendo isso? De onde surgiu esse sentimento, e por vezes me lembro dessa metáfora.

E ai quantas caldas e cabeças de peixe você já cortou sem pensar?

Não é tarefa fácil mudar.

Cada um, por si só, é que poderá ser capaz de encontrar suas respostas, e ser seu próprio agente de mudanças.

Figura: Aldemir Martins - Peixe Azul

Certa vez, em uma sessão, ouvi esse relato de um adolescente beirando seus 16 anos: “... tinha que resolver, me livrar d...
05/08/2022

Certa vez, em uma sessão, ouvi esse relato de um adolescente beirando seus 16 anos:

“... tinha que resolver, me livrar daquilo (... } apesar de serem cortes profundos eu não sentia dor...”

Mas por qual motivo alguém inscreve marcas em seu próprio corpo?

Não necessariamente apenas os adolescentes, podemos pensar na grande ameaça psíquica vivida pelo sujeito que apenas consegue descarregar os afetos que ameaçam desta forma: sem palavras, pela dor.

A maioria dos adolescentes se fere porque está tentando se sentir melhor e não consegue encontrar outra forma de lidar com o sofrimento. A automutilação os ajuda, pelo menos momentaneamente, a reduzir o nível de tensão interna, uma vez que exterioriza e autentica uma dor interior, antes não palpável e invisível.

E foi a partir do convite para falar de suas marcas que se abriu outra possibilidade de signif**ar seus cortes, e dar um destino para aquilo que antes era só angústia.

O corpo é, assim, o primeiro meio de contato com o mundo, mesmo antes de existir um Eu, ou seja, o corpo preexiste ao Eu. A pele, tecido orgânico que dá sustentação ao corpo, expressa as funções de proteção.
(Freud, 1914/1996).

Endereço

Avenida Tiradentes, 40 Sala 906
Erechim, RS

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