12/04/2026
A ferritina é uma proteína intracelular responsável pelo armazenamento de ferro e pela regulação da sua disponibilidade no organismo. Clinicamente, é utilizada como um dos principais marcadores indiretos dos estoques de ferro. No entanto, trata-se também de uma proteína de fase aguda, podendo estar elevada em diversas condições não relacionadas à sobrecarga de ferro.
A hiperferritinemia pode ocorrer em contextos inflamatórios, infecciosos, doenças hepáticas, síndrome metabólica, neoplasias e distúrbios hematológicos. Nesses cenários, a elevação da ferritina está frequentemente associada à ativação do sistema imune e à liberação de citocinas inflamatórias, especialmente a interleucina-6, que estimula sua síntese hepática.
Dessa forma, a interpretação isolada da ferritina é limitada e pode levar a conclusões equivocadas. A avaliação adequada deve considerar o contexto clínico do paciente, além de outros exames laboratoriais, como ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro (TIBC), saturação de transferrina, proteína C reativa (PCR) e, quando indicado, exames de imagem ou te**es genéticos, como na investigação de hemocromatose hereditária.
Portanto, a hiperferritinemia não deve ser interpretada como sinônimo de sobrecarga de ferro sem uma análise clínica criteriosa. A abordagem diagnóstica deve ser individualizada, visando identificar a etiologia subjacente e direcionar a conduta adequada.