Psicóloga Laura Guimarães

Psicóloga Laura Guimarães Atendimento psicológico individual para adolescentes, adultos, gestantes e mulheres em pós parto. Palestras e assessoria para creches, escolas e empresas.

Laura Guimarães é psicóloga graduada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e psicoterapeuta de orientação psicanalítica pelo Instituto de Ensino e Pesquisa em Psicoterapia (IEPP). Dedicou sua formação na área clínica-hospitalar, atuando em postos de saúde e hospitais, onde atendeu pacientes e suas famílias, focando principalmente em gestantes de alto-risco e mulheres em pós parto.

Hoje atua em consultório particular atendendo adolescentes e adultos, assim como dando seguimento ao trabalho com gestantes e puérperas. Presta assessoria a creches/escolas e realiza palestras e grupos de acordo com a demanda existente. O trabalho da psicóloga Laura Guimarães é pautado na ética e profissionalismo, buscando constantemente aprimorar seus conhecimentos técnicos afim de sempre auxiliar seus pacientes na busca por maior autonomia, autoconhecimento e bem estar mental.

Levamos conosco a criança que um dia tentou compreender o amor, a ausência, o cuidado, a espera. Sem perceber, continuam...
09/07/2026

Levamos conosco a criança que um dia tentou compreender o amor, a ausência, o cuidado, a espera. Sem perceber, continuamos emprestando seus olhos de criança ao adulto que nos tornamos.
Talvez por isso certas situações nos afetem de maneira tão intensa. Há uma memória que insiste. A infância não f**a para trás, ela permanece como uma forma de olhar, sentir e interpretar o mundo.

A dor azulA menina sentia uma dor azul, todos os dias, ali pelas cinco horas da tarde.Não era uma dor grandona de puxar ...
03/07/2026

A dor azul

A menina sentia uma dor azul, todos os dias, ali pelas cinco horas da tarde.

Não era uma dor grandona de puxar o choro pra fora. Era só uma dorzinha. Mas era bem azulona. Achavam que era maluquice. “Dor não tem cor!”

Mas como a dor azul não passava, começaram a achar que ela doía mesmo.

Levaram a menina para todos os médicos do mundo, fizeram todos os exames que existiam, e ninguém descobriu o que era aquilo. Procuraram então um psicólogo e é claro que achou que aquilo era psicológico.

A dor azul não queria nem saber. Ia e vinha. Sempre na mesma hora.

Os anos foram passando e o azul da dor continuava colorindo as tardes da menina. Só as tardes.

De manhã ela sentia uma saudade lilás. E à noite, um desejo prata que ela não sabia bem de quê.

A menina cresceu. E um dia conheceu um rapaz que sentia uma vontade violeta de espirrar nas manhãs nubladas.

Eles se gostaram, um gostar laranja que foi se avermelhando sem parar, até que se casaram numa noite dourada de alegria, cheia de luzinhas roxas de paixão.

Um ano depois, numa madrugada de cheiros cor-de-rosa, ela teve uma filhinha. E nunca ela tinha sentido um carinho tão verde em toda sua vida.

A filha da menina, que cresceu, herdou a vontade violeta de espirrar do pai e, da mãe, o desejo prateado.

A dor azul nunca mais apareceu.

E a menina, que já era uma mulher, descobriu que o nome da dor azul, como está no dicionário, é desassossego.

E que esse desassossego queria dizer, mais ou menos, em palavras de adulto:

“Como será que vai ser minha vida daqui pra frente!?”

Da incrível Adriana Falcão

Terminei a série Half Man - Pela metade, profundamente impactada! Além da violência que nos atravessa e faz tensionar a ...
24/06/2026

Terminei a série Half Man - Pela metade, profundamente impactada!

Além da violência que nos atravessa e faz tensionar a todo momento, fiquei muito reflexiva sobre aquilo que, muitas vezes, a antecede.

Fiquei pensando no sofrimento silencioso que existe em sustentar uma certa ideia de masculinidade. A obrigação de ser forte, de não demonstrar fragilidade, de suportar tudo, de ocupar um lugar de potência o tempo inteiro. Como se houvesse algo a ser provado permanentemente.

Mas a violência não surge do nada, ela é o efeito de uma exigência silenciosa e persistente: a de que homens e meninos precisem renunciar à própria vulnerabilidade para ocupar um determinado lugar no mundo.

E me perguntei: o que acontece com um sujeito quando a vulnerabilidade se torna proibida?

Na clínica, aprendemos que aquilo que não encontra espaço para ser simbolizado, muitas vezes, se expressa de outras formas. Nem sempre pela palavra. Às vezes, pelo ato. Pela agressividade. Pela destrutividade.

Porque sustentar uma masculinidade a qualquer custo também tem um custo psíquico. Ele não é pago apenas de forma individual, é pago nas relações, nos vínculos e, por vezes, de forma brutal e fatal.

Half Man não me deixou pensando sobre o que é ser homem. Me deixou pensando sobre o sofrimento que pode nascer da obrigação de ter que sê-lo de uma única maneira.

Pensar pode organizar experiências e ampliar a compreensão sobre nós mesmos, mas nem sempre o pensamento está a serviço ...
09/06/2026

Pensar pode organizar experiências e ampliar a compreensão sobre nós mesmos, mas nem sempre o pensamento está a serviço da vida.

Às vezes, ele se transforma em uma tentativa de antecipar o futuro, evitar erros, garantir certezas ou controlar aquilo que não pode ser controlado.

Revisamos conversas que já aconteceram; imaginamos situações que talvez nunca aconteçam, buscamos respostas para perguntas que ainda nem existem.

E, sem perceber, passamos mais tempo nos preparando para viver do que vivendo!

As experiências não podem ser resolvidas apenas no pensamento, elas exigem presença, encontro e disposição de sustentar aquilo que não pode ser totalmente previsto.

Viver é encontrar-se com a experiência, e não apenas com as ideias que construímos sobre ela.

“Posso pegar essa folha?”“Claro. Ela irá cair mesmo.”E nessa resposta simples, algo ficou ecoando em mim.Fiquei pensando...
26/05/2026

“Posso pegar essa folha?”
“Claro. Ela irá cair mesmo.”

E nessa resposta simples, algo ficou ecoando em mim.
Fiquei pensando sobre aquilo que é inevitável, que chega ao fim mesmo quando tentamos prolongar. A folha não resiste ao outono, porque sabe a hora de desprender-se.
Há coisas que precisam partir para que a vida continue respirando, mudando, renascendo. A queda pode anunciar um novo nascimento! 🍂

No esforço de evitar frustrações, perdas e desamparo, muitas pessoas constroem um modo de existir marcado pela distância...
20/05/2026

No esforço de evitar frustrações, perdas e desamparo, muitas pessoas constroem um modo de existir marcado pela distância, pelo excesso de controle e pela dificuldade de se deixar afetar nas relações.
Essa “proteção” pode até aliviar o risco de se envolver, mas empobrece a experiência da intimidade, do encontro e das relações.
Muitas vezes, o que mais pesa psiquicamente não é o amor, mas viver tentando se proteger da possibilidade de amar e ser amado. Não há como sair ileso do amor, nem mesmo tentando escapar dele.

Gosto de observar as crianças.Elas caminham alegremente, em seus passinhos vigorosos. Saltitam à procura do mundo. Um mu...
31/03/2026

Gosto de observar as crianças.
Elas caminham alegremente, em seus passinhos vigorosos. Saltitam à procura do mundo. Um mundo feito de miudezas.

Uma pedrinha solta, uma folha seca, um graveto na grama.
As insignificâncias cheias de signif**ados.

As miudezas as interessam - algo que esquecemos nas nossas andanças.

Que as pluminhas no ar, as pedrinhas na areia e o vento no rosto não nos passem despercebidos.

Há uma criança saltitante em cada um de nós.

A ansiedade costuma ser pensada como um “excesso de futuro”. Como se fosse sobre algo que ainda não aconteceu.Só que, mu...
24/03/2026

A ansiedade costuma ser pensada como um “excesso de futuro”. Como se fosse sobre algo que ainda não aconteceu.
Só que, muitas vezes, ela começa antes disso.
Em algo que, no presente, não encontra forma, não encontra nome. É um incômodo persistente.
E isso faz com que ela se desloque, mude de lugar: vira urgência, pensamento, antecipação.
Há algo ali, que ainda não encontrou espaço para existir. E não passa!

Depois de assistir o “O morro dos ventos uivantes” pensei que entre o amor e a obsessão existe um limite sutil que pode ...
19/03/2026

Depois de assistir o “O morro dos ventos uivantes” pensei que entre o amor e a obsessão existe um limite sutil que pode facilmente se confundir.
O que se apresenta como amor carrega algo de intenso e desmedido, como se o outro não fosse reconhecido em sua singularidade, mas vivido quase como parte de si. Quando isso acontece, o amor pode se aproximar de uma lógica de posse. O outro deixa de ser alguém com desejos próprios e passa a ocupar o lugar de quem deve preencher algo que falta.
Nesse enlace, nem tudo encontra palavras. Algumas experiências, especialmente as mais marcadas por dor, permanecem como pano de fundo, atravessando as relações de forma silenciosa. E, mesmo sem aparecer de maneira explícita, seus efeitos se fazem presentes. Violência, ressentimento, idealização.
Amar seria justamente reconhecer que o outro não nos pertence, que existe separação, limite, algo que Catherine e Heathcliff não conseguiram fazer.

Atendendo mulheres ao longo da minha trajetória, fui percebendo algumas coisas.Algo se repetia em muitas histórias.Muita...
09/03/2026

Atendendo mulheres ao longo da minha trajetória, fui percebendo algumas coisas.
Algo se repetia em muitas histórias.
Muitas mulheres foram ensinadas a suportar mais do que desejar.
O próprio desejo, muitas vezes, ainda vem acompanhado de explicação e hesitação.
A culpa costuma aparecer rápido — muitas vezes antes mesmo de se saber por quê.
Há mulheres muito competentes em cuidar, resolver, sustentar e surpreendentemente perdidas quando a pergunta volta para si.
Percebi também que muitas chegam dizendo que “não é nada demais”.
Mas quase nunca é pouca coisa.
Como se voltar-se para si mesma fosse demais.
E assim, pouco a pouco, fossem se afastando de si.
Que cada vez mais mulheres possam desejar sem precisar se justif**ar.
E, desejando, possam existir.

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Avenida Padre Claret, 196. Sala 303
Esteio, RS
93280260

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