08/03/2026
Ser mulher não é destino — é condição em disputa
Durante muito tempo tentaram convencer nos mulheres de que havia algo “natural” em ocupar menos espaço, falar mais baixo, desejar menos, suportar mais.
Mas como nos lembra Simone de Beauvoir: ninguém nasce mulher — torna-se.
Isso significa que aquilo que chamamos de “feminino” não é uma essência pronta, dada pela biologia ou pelo destino. É algo produzido nas relações, nas expectativas sociais, nas pequenas e grandes formas de controle sobre os corpos, os desejos e os caminhos possíveis.
Ser mulher, então, muitas vezes significa crescer ouvindo o que não se deve ser:
não seja muito intensa,
não seja muito ambiciosa,
não seja muito livre.
Como se a liberdade feminina fosse sempre um excesso.
A crítica que Beauvoir inaugura em O Segundo S**o continua atual: a sociedade frequentemente posiciona a mulher como “o outro”, como aquilo que existe em referência ao homem — e não como sujeito pleno de sua própria história.
Talvez por isso a liberdade feminina ainda provoque tanto incômodo.
Porque quando uma mulher se autoriza a existir para além dos roteiros que lhe foram impostos, ela não está apenas mudando a própria vida.
Ela está questionando toda uma estrutura que depende do seu silêncio.
E talvez seja justamente aí que comece algo radical:
quando uma mulher deixa de caber no papel que escreveram para ela — e começa a escrever o seu próprio.