10/04/2025
Há marcas que não se veem, mas falam.
São traços deixados pelo amor
amor que funda, que estrutura, que deixa pegadas na alma.
Não é o tempo cronológico que organiza o sentir,
mas o tempo lógico
aquele que se desdobra em nós quando uma palavra cai como semente,
e brota anos depois, no silêncio de um gesto ou na força de um afeto.
O amor primeiro não se mede em dias,
mas no impacto do olhar que nomeia,
na presença que sustenta,
na ausência que forma o desejo.
Simbolizar é tornar linguagem o que antes era puro corpo.
É dar nome ao enigma que pulsa no peito.
É inscrever, com cuidado e escuta,
as marcas que o amor deixa em nós
não como ferida, mas como vestígio e sentido.