10/05/2026
Uma mulher aos olhos de suas crias ganha poderes extraterrenos. Ela é capaz de adivinhar as necessidades, ela é capaz de acalmar, ela pode trazer alívio apenas com o olhar.
Esta mulher faz o máximo para não decepcionar seu rebento neste olhar tão empoderador, e também tão opressivo, de ser a cura para todo o mal.
Mas claro, como uma mulher comum que é, aos poucos vai ficando claro que a realidade não suporta tanta projeção e essa mulher vai se mostrando em toda sua humanidade.
Com todo o amor que ela tem disponível, ela vai avisando ao filho que ela não é aquela quem ele imagina, cheia de culpa.
O filho se ressente dessa honestidade da mãe. De cada vez que ela não corresponde ao poder que ele enxerga nela.
Ele chega inclusive a desejar que as coisas fossem diferentes.
Mas a mãe continua firme, na missão e na própria culpa.
Um dia, preso no peso das expectativas não atendidas e carregadas diariamente em seu coração, o filho toma a decisão de parar de lutar, pois continuar sustentando a idealização está custando caro demais. Então ele olha para si, vivo. E se dá conta da realidade.
Como dizia Hellinger “apenas observamos os efeitos”.
A mãe suficientemente boa, em manter a cria viva e inclusive nutrindo de algumas desilusões, deixa uma porta aberta.
A desilusão sustenta o movimento para fora do ninho, para a vida adulta, para a chance de mais vida. Motivado pelo que permanece não resolvido em seu coração, nasce uma busca. E nessa busca, a vida acontece.
Com sorte o pequeno se torna grande, e dai a mãe, o pai e a vida se alegram com o trabalho bem feito.
Tem sim um custo, mas todas as coisas que trazem valor geralmente combram um preço.
Um feliz dia das mães! E um feliz dia dos filhos que aprendem, a cada dia, a ver a realidade da mulher que sustentou a vinda de uma nova vida a partir de si.
Grande abraço,januario.neto