Anthurium Cultura e Saúde

Anthurium Cultura e Saúde A Anthurium nasceu da vontade e necessidade de falar de saúde à luz da criação de uma cultura que respeite os ciclos e complexidades da vida. Até o fim.

E por isso nossa construção se ergue sobre os Cuidados Paliativos.

02/08/2026

Ela vomitava toda manhã. A família tentou gengibre, chá de erva-doce, bolacha de água e sal antes de levantar. Nada funcionava.

Não porque as tentativas fossem erradas. Porque eram para um tipo de náusea. E ela tinha outro.

Náusea em pacientes com doença grave não é uma coisa só.

Tem náusea por esvaziamento gástrico lento
— o estômago que não move o conteúdo na velocidade normal.
Tem náusea por ativação do centro do vômito no cérebro
— por toxinas, medicamentos, distúrbios metabólicos (que não melhora com gengibre e precisa de antagonistas de receptores específicos).
Tem náusea por constipação severa
— tratar o estômago sem tratar o intestino não resolve. Tem náusea por ansiedade com componente autonômico real.
E tem náusea induzida por opioides
— frequente, esperada, temporária na maioria dos casos e que leva muita gente a abandonar o controle de dor achando que vai f**ar assim para sempre.

Antiemético errado para o mecanismo errado não só não resolve. Às vezes piora.

E náusea não tratada não é só desconforto. É desnutrição, desidratação, isolamento. A pessoa que vomita toda vez que come para de comer em companhia. Vai perdendo os momentos que ainda seriam possíveis.

Náusea que ninguém tratou direito rouba presença.

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01/08/2026

O oncologista estava certo. O cardiologista estava certo. O nefrologista estava certo.

E ela estava piorando de uma forma que nenhum dos três conseguia explicar.

Perda de peso acelerada. Confusão mental crescente. Fraqueza desproporcional à doença.

Não era a doença avançando. Era o tratamento.

Isso tem nome: iatrogenia. O dano causado pela intervenção médica em si, não por negligência ou erro técnico, mas pelo efeito cumulativo de tratamentos corretos aplicados a um organismo que não tinha mais reserva para tolerá-los.

A quimioterapia estava correta. Mas o rim já não filtrava suficientemente para eliminar os metabólitos na velocidade esperada. O medicamento cardíaco estava correto. Mas em combinação com um dos quimioterápicos causava toxicidade que nenhum dos especialistas tinha mapeado, porque nunca tinham sentado juntos para olhar o caso.

Iatrogenia em paciente complexo não é exceção. É risco inerente ao tratamento fragmentado de doenças múltiplas. E é sistematicamente subdiagnosticada porque exige alguém que olhe para o conjunto com atenção suficiente para ver o que cada especialista isolado não vê.

Ajustaram dois medicamentos. Em três semanas ela estava lúcida, comendo, reconhecendo a família.

Não porque a doença melhorou. Porque pararam de tratá-la de um jeito que ela não conseguia mais suportar.

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26/07/2026

Ela recusou a morfina. Não porque não estava com dor. Estava, oito numa escala de dez, todos os dias. Recusou porque morfina signif**ava uma coisa: que estava morrendo.

O filho concordou: "Morfina vicia. Prefiro que ela aguente."

As duas crenças estavam erradas. E estavam custando oito de dor todos os dias para uma mulher que não precisava sofrer assim.

Opioides têm indicação estabelecida, evidência robusta e protocolo de uso. A OMS os coloca na lista de medicamentos essenciais porque o controle de dor moderada a grave em doenças crônicas e avançadas muitas vezes não é possível sem eles.

O que eles não são: sinônimo de fim de vida. Dependência química em paciente com indicação médica e acompanhamento é muito menos comum do que o senso comum acredita. Sedação excessiva ocorre principalmente em titulação incorreta. Com ajuste adequado, a maioria dos pacientes mantém clareza mental e qualidade de vida signif**ativamente melhor do que com a dor sem controle.

O arsenal existe. É robusto. E é subutilizado no Brasil por medo baseado em informação que nunca foi questionada.

Aquela mulher iniciou o tratamento. Na semana seguinte disse que tinha dormido a noite inteira pela primeira vez em meses.

Isso não é dependência. É cuidado.

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20/07/2026

Será que não conseguir comer é só uma questão de vontade?

Se você é familiar de alguém que está em tratamento de uma doença grave, vem cá!

Antes de elevar seu estresse como cuidador e acabar gerando uma pressão sobre o seu familiar, nossa nutricionista Jessica Wszolek lembra de pontos muito importantes:

Será que está com dor?
Que sente náusea?
Que tem tonturas?
Que está triste?
Muito cansado?

Tudo isso e muito mais precisa ser revisado.
A fome e a vontade de comer podem ir embora quando outro sintoma é mais urgente de ser contido e o corpo o interpreta como mais importante.

Isso inclui até voltar para consulta médica e revisar se a combinação de medicações também não é a causa da perda de apetite.

Para um acompanhamento nutricional detalhado e personalizado, agende sua consulta com a Jessica.

Presencial em Florianópolis e teleatendimento para todo país.

17/07/2026

Ele tinha insuficiência cardíaca avançada há três anos. Não subia um lance de escada. Dormia sentado porque deitado não respirava. Seis idas ao pronto-socorro em doze meses.

Quando a filha perguntou ao cardiologista sobre cuidados paliativos, ele disse: "isso é coisa de câncer."
Ele passou mais dois anos assim.

Cuidados paliativos não são só para câncer. Essa confusão está deixando gente sofrendo por anos sem necessidade.

Cuidados paliativos são indicados para qualquer doença que ameaça a vida. Insuficiência cardíaca avançada (que em estágios avançados tem prognóstico comparável ou pior que muitos cânceres). DPOC grave.
Doença renal crônica avançada.
Esclerose lateral amiotróf**a.
Parkinson em estágio final.
Demências.
Insuficiência hepática.
Sequelas graves de AVC.
Fragilidade avançada no idoso.

Todas produzem sofrimento intenso.
Todas têm sintomas que precisam de manejo especializado.
Todas envolvem decisões difíceis.
Todas têm indicação de cuidados paliativos.

Existe evidência de que pacientes com insuficiência cardíaca avançada em cuidados paliativos têm menos internações, melhor controle de sintomas e melhor qualidade de vida. Existe evidência semelhante para DPOC, doença renal e demência avançada.

A evidência existe. O encaminhamento não acontece.
Se você tem um familiar com qualquer doença crônica grave (não só câncer) com sintomas mal controlados, internações de repetição e conversas importantes que nunca aconteceram: ele tem indicação de cuidados paliativos. Independente do diagnóstico.

Compartilha com quem ouviu que "isso é coisa de câncer" e por causa disso está sofrendo há anos.
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14/07/2026

"Meu filho tem sete anos. O pai está com câncer avançado. O que eu falo para ele?"

A mesma pergunta chegou sobre uma filha de onze. Sobre um filho de quatorze. A pergunta é a mesma — a resposta é completamente diferente.

Até os seis anos, a criança não compreende a permanência da morte. Para ela, é como uma viagem. O que ela precisa não é de explicação sobre morte — é de segurança, de saber que vai continuar sendo cuidada.

Entre os sete e os dez, ela já entende que morte é permanente e pode fazer perguntas diretas e aparentemente frias: "O papai vai morrer?" "Quando?" "O que acontece com o corpo?" Não é insensibilidade — é como o cérebro processa. Ela precisa de respostas honestas, simples, sem eufemismos que confundam.

Entre os onze e os quatorze, o entendimento é próximo ao do adulto — mas com camada emocional instável. O adolescente que f**a no quarto, que para de conversar, que diz que está bem quando claramente não está, frequentemente está carregando demais sem ter como colocar para fora.

Em qualquer idade: nunca mentir. Nunca prometer o que não se sabe. Nunca excluir a criança de uma realidade que ela já está sentindo.

"O vovô está muito doente e os médicos estão fazendo tudo que podem" é verdadeiro e respeitoso para quase qualquer idade. "O vovô virou uma estrelinha" cria uma confusão que pode durar anos.

A Fabíola Langaro, psicóloga especialista em cuidados paliativos e doutora na área, orienta famílias sobre como ter essa conversa de um jeito que protege de verdade.

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09/07/2026

"Claro que você está ansiosa. Você tem câncer. Isso é normal."

Ela saiu do consultório sem tratamento para a ansiedade. O médico havia acabado de validar que era normal tê-la.

Essa frase parece acolhimento. É abandono clínico.

Existe uma diferença fundamental que a medicina ignora com frequência: a diferença entre reação emocional esperada e transtorno que precisa de tratamento.

É esperado que um paciente com diagnóstico grave fique ansioso e triste. Mas quando a ansiedade impede de dormir há semanas, quando faz o paciente recusar procedimentos necessários, quando vira ruminação incessante sem trégua — não é mais reação esperada. É diagnóstico. Tem tratamento.

O mesmo vale para depressão. Tristeza é humana e esperada. Depressão maior é outra coisa — e está associada a menor adesão ao tratamento, pior resposta imunológica e pior prognóstico. O cérebro e o corpo respondem à doença em conjunto. Quando a saúde mental não é tratada, o corpo também piora.

O Demian Bottenberg, psicólogo especialista em psicologia clínica e oncopsicologia da Anthurium, faz essa distinção — entre o que precisa de espaço para existir e o que precisa de intervenção.

Porque "é normal, você tem câncer" é verdade até um ponto. Depois desse ponto, é uma frase que deixa gente sofrendo sem necessidade.

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06/07/2026

Doze medicamentos por dia. A família montou tabela, comprou caixinha organizadora, colou etiquetas coloridas.

E ele continua piorando.

Enjôo. Tontura ao levantar. Confusão mental. Uma queda no mês passado.

Cada médico olhou para a sua parte e disse que os remédios dele estavam certos. E estavam — individualmente. O problema é o conjunto.

Isso tem nome: polifarmácia. E no paciente idoso com múltiplas doenças crônicas, chegar a doze, quinze, dezoito comprimidos por dia não é raro.

Medicamentos interagem. Um potencializa o outro além do necessário. Um bloqueia a absorção de outro. Um causa um efeito colateral que parece sintoma novo e aí vem mais um médico, mais um diagnóstico, mais um remédio para tratar o que era efeito de outro remédio. Isso se chama cascata de prescrição.

Em idosos, as consequências são sérias: tontura que leva à queda, queda que leva à fratura, confusão mental que a família interpreta como demência - quando é toxicidade medicamentosa.

O Dr. Vinícius Rocha, geriatra e paliativista da Anthurium, faz o que muitos dos especialistas anteriores não fez: revisa tudo junto. Porque às vezes tirar um remédio muda mais a vida do paciente do que adicionar um novo.

Acompanha pelo destaque aqui no perfil e compartilha com quem está cuidando de alguém perdido no meio de muitos remédios e pouca melhora.

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02/07/2026

Queimação que não para. Choque elétrico sem avisar. Agulhadas que aparecem do nada.

Os exames voltaram normais. O médico disse que não tinha nada.

Mas a dor estava lá — todos os dias, impedindo de dormir, de se concentrar, de viver.

Isso tem nome: dor neuropática. É a dor que vem do próprio sistema nervoso danif**ado — pela doença como no diabetes, pela quimioterapia, pela radioterapia, pela compressão de um nervo como na síndrome do túnel do carpo. O nervo continua enviando sinais de dor disparando sem parar, muitas vezes sem aparecer em nenhum exame.

E é exatamente por isso que é tão mal tratada. O médico vê o exame normal e conclui que a dor não é real. Mas a dor é real. O exame é que não consegue capturá-la.

Dor neuropática responde mal a analgésicos comuns — ela precisa de uma abordagem específ**a, com medicamentos que atuam no sistema nervoso, ajustados para cada paciente. O tratamento existe. Faz diferença real. E raramente é tentado porque a dor raramente é reconhecida pelo que é.

Normal no exame não signif**a ausência de dor. Signif**a que o exame não está olhando para o lugar certo.

A Dra. Laís Krasniak, médica clínica e paliativista da Anthurium com pós-graduação em dor, avalia e trata esse tipo de dor.

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28/06/2026

A família disse que o pai estava preguiçoso. Que f**ava na cama até tarde. Que tinha desistido.

Quando o Dr. Kauê conversou com ele, encontrou outra coisa.

Dormia dez horas e acordava cansado. Tentava levantar e as pernas não respondiam. Queria ir à janela ver o jardim que sempre cuidou — e no meio do caminho precisava sentar porque andar dez metros tinha drenado o que restava de energia.

Isso tem nome: fadiga relacionada à doença. E é completamente diferente do cansaço normal.

O cansaço normal melhora com repouso. A fadiga da doença não funciona assim — está lá de manhã, depois do almoço, depois de uma noite inteira de sono. Não é proporcional ao esforço. Às vezes aparece sem nenhum esforço.

E é invisível para quem está de fora. O paciente parece bem. A família não entende por que ele não consegue simplesmente levantar. Mas por dentro o corpo está consumindo energia que a doença impõe — e não sobra quase nada para o resto.

Fadiga em doença grave tem causas tratáveis que precisam ser investigadas. Quando identif**adas, a fadiga melhora. Quando não são completamente reversíveis, ainda existe manejo — para que o paciente consiga fazer o que tem sentido para ele dentro do que o corpo permite.

O pai que quer ver o jardim pode ver o jardim. Às vezes o que falta não é vontade. É alguém que ajude a planejar como chegar lá.

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