02/08/2026
Ela vomitava toda manhã. A família tentou gengibre, chá de erva-doce, bolacha de água e sal antes de levantar. Nada funcionava.
Não porque as tentativas fossem erradas. Porque eram para um tipo de náusea. E ela tinha outro.
Náusea em pacientes com doença grave não é uma coisa só.
Tem náusea por esvaziamento gástrico lento
— o estômago que não move o conteúdo na velocidade normal.
Tem náusea por ativação do centro do vômito no cérebro
— por toxinas, medicamentos, distúrbios metabólicos (que não melhora com gengibre e precisa de antagonistas de receptores específicos).
Tem náusea por constipação severa
— tratar o estômago sem tratar o intestino não resolve. Tem náusea por ansiedade com componente autonômico real.
E tem náusea induzida por opioides
— frequente, esperada, temporária na maioria dos casos e que leva muita gente a abandonar o controle de dor achando que vai f**ar assim para sempre.
Antiemético errado para o mecanismo errado não só não resolve. Às vezes piora.
E náusea não tratada não é só desconforto. É desnutrição, desidratação, isolamento. A pessoa que vomita toda vez que come para de comer em companhia. Vai perdendo os momentos que ainda seriam possíveis.
Náusea que ninguém tratou direito rouba presença.
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