27/07/2026
🩺📺 Na última sexta-feira tive a oportunidade de conversar com a GloboNews sobre um tema que vem despertando grande preocupação na comunidade científica: a crescente “febre da testosterona” nos Estados Unidos e a proposta de incluir a dosagem rotineira desse hormônio em militares, com possível reposição baseada apenas nos resultados laboratoriais.
A medicina baseada em evidências nos ensina que não se deve tratar um exame, e sim um paciente.
O diagnóstico de hipogonadismo masculino exige a presença de sinais e sintomas compatíveis, associados à confirmação laboratorial de níveis reduzidos de testosterona, obtidos de forma adequada. Não existe evidência científica que justifique a dosagem indiscriminada da testosterona em homens assintomáticos, muito menos a indicação de tratamento apenas porque o resultado laboratorial ficou abaixo de um determinado valor.
A testosterona é um medicamento extremamente importante quando utilizada nas indicações corretas. Ela transforma vidas de homens que realmente têm hipogonadismo. Porém, quando utilizada sem necessidade ou em doses suprafisiológicas, especialmente com finalidade estética ou de melhora de desempenho, pode trazer consequências graves.
⚠️ Entre os riscos estão:
• infertilidade;
• aumento do hematócrito e do risco de trombose;
• alterações cardiovasculares;
• lesão hepática em determinadas formulações;
• distúrbios psiquiátricos e comportamentais, incluindo agressividade;
• além de outras complicações potencialmente graves e, em situações extremas, até fatais.
A boa medicina deve ser guiada pela ciência, pela ética e pela individualização do cuidado, nunca por modismos, pressões políticas ou promessas sem respaldo científico.
Seguiremos defendendo o uso responsável da terapia com testosterona: nem negar tratamento para quem realmente precisa, nem prescrever para quem não tem indicação.
🧬 A ciência deve sempre estar acima das narrativas.