04/09/2025
A esteatose hepática, também conhecida como fígado gorduroso, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Embora por muito tempo tenha sido considerada uma condição relativamente benigna, hoje se sabe que a esteatose, especialmente quando evolui para esteato-hepatite não alcoólica (NASH), pode ter consequências graves para a saúde, inclusive aumentando significativamente o risco cardiovascular.
Estima-se que mais de 25% da população mundial tenha algum grau de esteatose hepática, sendo mais prevalente em pessoas com excesso de peso e resistência à insulina.
Tanto a esteatose hepática quanto as doenças cardiovasculares compartilham fatores de risco; Obesidade abdominal, hipertensão arterial, hipertrigliceridemia e colesterol elevado, sedentarismo, dieta rica em açúcares e gorduras saturadas.
Inflamação crônica de baixo grau, disfunção endotelial, resistência à insulina, aumento de marcadores pró-coagulantes são fatores ligados a esteatose hepática e as doenças cardiovasculares.
Pacientes com esteatose hepática têm maior risco de doença arterial coronariana, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca . Por isso, o fígado gorduroso deve ser visto como um marcador de risco cardiovascular, mesmo em pessoas sem sintomas aparentes.
O tratamento da esteatose hepática visa principalmente mudanças no estilo de vida:Perda de peso (5-10% pode reduzir significativamente a gordura hepática), alimentação balanceada, como a dieta mediterrânea, atividade física regular, controle rigoroso de diabetes, colesterol e pressão arterial e em alguns casos, medicamentos para diabetes ou dislipidemia podem ajudar, mesmo em pessoas sem essas condições, pela ação benéfica sobre o metabolismo hepático.
A esteatose hepática não é apenas uma condição hepática isolada, mas um importante sinal de alerta cardiovascular. Identificá-la precocemente e adotar medidas de controle é fundamental para reduzir não só o risco de cirrose, mas também de infartos, AVCs e outras complicações cardiovasculares. A saúde do fígado e do coração estão intimamente ligadas — e cuidar de um é proteger o outro.