Psicanalista e Psicóloga Alessandra Ferreira

Psicanalista e Psicóloga Alessandra Ferreira Psicanalista e Psicóloga. Agende seu horário: (48) 9 9669-6449

Pelas palavras que nos antecedem e que nos atravessam, começamos a nos constituir. Antes mesmo de falarmos, já somos fal...
16/02/2026

Pelas palavras que nos antecedem e que nos atravessam, começamos a nos constituir. Antes mesmo de falarmos, já somos falados: nomeados, descritos, desejados, interpretados. Há um lugar simbólico que nos é atribuído antes que possamos ocupá-lo por conta própria.

Desde muito cedo, algo é dito sobre nós: “ele é assim”, “ela é sensível”, “é difícil”, “é o orgulho da família”, “dá trabalho”, “é forte”. Essas palavras não permanecem apenas no campo do outro. Elas nos organizam, é onde passamos a nos reconhecer.

Esse processo se articula pela via da identif**ação. Identif**amo-nos com os signif**antes que nos são dirigidos, sobretudo aqueles que vêm dos lugares mais determinantes: os cuidadores, a família, o Outro primordial.

Com o tempo, passamos a repetir essas palavras como se fossem nossas. Aquilo que foi dito sobre nós transforma-se em explicação, traço de caráter, certeza. “Eu sou assim.” Mas esse “assim” não surge do nada: ele é herdado do discurso que nos foi endereçado e passa a operar como referência identitária.

É com essas certezas que o sujeito chega à análise. Histórias bem contadas, falas repetidas com convicção, narrativas que organizam uma imagem de si. Aquilo que se apresentava como “quem eu sou” passa, então, a ser escutado não como verdade final, mas como construção — muitas vezes necessária, mas nem sempre própria.

O que antes organizava a vida — certezas, modos de dizer, explicações recorrentes — começa a falhar. Não por erro, mas porque a fala, quando escutada, revela que há mais em jogo do que aquilo que se acreditava ser.

Nesse percurso, cai a expectativa de encontrar um “verdadeiro eu”. O que se encontra é: um sujeito atravessado pela linguagem, marcado por perdas, sustentado por identif**ações que, em outro tempo, foram necessárias — e que agora podem ser deixadas cair.

A análise não promete uma versão melhor de si, mas uma relação mais honesta com o que se é — inclusive com o que falta, com o que não fecha, com o que insiste. Ela permite que essas palavras, antes coladas, possam ser escutadas como palavras, e não como destino. É nesse intervalo, entre o que foi dito sobre nós e o que nos move, que algo do sujeito pode, aparecer.

A pergunta aparece, muitas vezes, sem ponto de interrogação. Ela se apresenta como cansaço, como desconfiança, como um q...
11/02/2026

A pergunta aparece, muitas vezes, sem ponto de interrogação. Ela se apresenta como cansaço, como desconfiança, como um quase silêncio: será que falar muda alguma coisa mesmo? A sensação é a de que as palavras giram, retornam, insistem — e nada parece se transformar.

Na psicanalítica, essa insistência não é um erro do processo. É justamente aí que algo se anuncia. Falar não é apenas relatar acontecimentos ou organizar a própria história de forma coerente. Falar é um acontecimento em si. Algo se desloca no instante em que a palavra encontra um outro que escuta, mesmo quando o sujeito acredita estar dizendo “sempre a mesma coisa”.

O inconsciente não se apresenta de forma linear. Ele insiste, repete, tropeça. Por isso, a fala pode dar a impressão de estagnação. No entanto, o que retorna não retorna idêntico. Cada repetição carrega uma diferença mínima, quase imperceptível, mas decisiva. Às vezes, a mudança não está no conteúdo do que é dito, mas no lugar de onde se fala.

Muitas vezes, espera-se que a palavra funcione como solução, que alivie rapidamente o sofrimento ou que apague o conflito. Mas a fala não opera como resposta pronta. Ela opera como borda. Ao ser dita, a experiência ganha contorno; aquilo que antes se apresentava como excesso, como angústia difusa ou como sintoma corporal passa a circular no campo da linguagem.

Há, ainda, um risco inerente ao falar. Dizer algo é abrir mão do controle absoluto sobre si. Ao escutar a própria fala, o sujeito pode se surpreender, se confrontar, tocar algo que não sabia que sabia. É nesse ponto que a palavra insiste: não para convencer, mas para fazer vacilar certezas.

Talvez falar não mude tudo. Talvez não produza mudanças visíveis de imediato. Mas quando a palavra insiste, algo já começou a se mover. E, na clínica, muitas vezes, é desse pequeno deslocamento — quase silencioso — que uma transformação possível pode surgir.

Lembrança de uma bela jornada sobre os casos clínicos de Freud, onde cada analista pode trazer seu olhar diante do caso....
10/11/2022

Lembrança de uma bela jornada sobre os casos clínicos de Freud, onde cada analista pode trazer seu olhar diante do caso. Cada caso de Freud bem trabalhado e articulado.
Esta jornada aconteceu no dia 29/10/2022.

No meu trabalho pude falar sobre o Caso do Pequeno Hans que trata de uma fobia de um cavalo. Trouxe como título “Pequeno Hans e a função paterna “.

Jornada da Trieb Espaço de Psicanálise sobre os Casos Clínicos de Freud que acontecerá neste sábado e as vagas já estão ...
27/10/2022

Jornada da Trieb Espaço de Psicanálise sobre os Casos Clínicos de Freud que acontecerá neste sábado e as vagas já estão esgotadas. 😉

Quem não faz, goza da sua sabedoria suposta. Quem não faz fala muito para os outros e quem faz, se cala. Falam para os o...
01/08/2022

Quem não faz, goza da sua sabedoria suposta. Quem não faz fala muito para os outros e quem faz, se cala.
Falam para os outros para não lidar com sua própria vida?

20/07/2022
Uma boa terça-feira de chuva, estudos, reflexões e atendimentos on-line. 👩🏼‍💻E para vocês, como está?                   ...
07/06/2022

Uma boa terça-feira de chuva, estudos, reflexões e atendimentos on-line. 👩🏼‍💻
E para vocês, como está?

Geralmente acontece de a pessoa querer cuidar, olhar mais para o outro do que cuidar de si mesmo. E para sua própria saú...
22/03/2022

Geralmente acontece de a pessoa querer cuidar, olhar mais para o outro do que cuidar de si mesmo.
E para sua própria saúde é importante analisar e pensar nas suas atitudes e o que possa tá levando você a não olhar para suas próprias escolhas e optar pela escolha de alguém por uma demanda de amor, de querer que a pessoa te ame a todo custo.
E a pergunta que deixo para você é: pra que?

Estamos a todo momento querendo fugir daquilo que nos incomoda, mas não nos damos conta que volta e meia vem a lembrança...
23/02/2022

Estamos a todo momento querendo fugir daquilo que nos incomoda, mas não nos damos conta que volta e meia vem a lembrança do que está sendo adiado. Percebemos o quanto sofremos com algo que deixamos para depois, não resolvemos na hora e as vezes, nem depois. Não desclassifico a maneira que pode ser difícil lidar com situações que não queremos, mas f**a mais difícil quando não lidamos. São situações que se tornam desagradáveis.

Nem tudo está ao nosso alcance, sempre a algo que nos escapa, percebemos que temos limites, mas não se desespere e sim a...
14/02/2022

Nem tudo está ao nosso alcance, sempre a algo que nos escapa, percebemos que temos limites, mas não se desespere e sim aprenda com o clichê da vida que: não é possível ter tudo ao nosso alcance.
É desta maneira que vemos como cada pessoa tem sua singularidade, cada um tem as suas próprias questões e isso pode ser trabalhado somente quando é colocado em palavras, é importante ter algo que nos cause, que nos faça questionar para poder falar.

Quanto vale esse silêncio interno que faz barulho e que incomoda?Às vezes, o preço pode ser alto. Se cuide!!            ...
18/01/2022

Quanto vale esse silêncio interno que faz barulho e que incomoda?
Às vezes, o preço pode ser alto. Se cuide!!

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