11/05/2026
O ano era 2023. Eu, grávida de 2 semanas - só eu e o Lucas sabíamos, ninguém mais.
Fazia muita endoscopia e colono, manhãs e tardes emendavam naquele ritmo frenético. Fiz a colono de uma senhora querida (eu sei que me segue aqui no Instagram), ela acorda, sob efeito do propofol, e fala: “a doutora está grávida, né?”. Respondo na hora que não, que era impossível (as técnicas de enfermagem ali, ouvindo a conversa).
A paciente f**a com uma cara de decepção, de quem tinha certeza e errou. O marido entra na sala de recuperação e ela fala: “sabe que eu sempre vi espírito, nunca anjo. Agora vejo anjos. Eu tinha certeza que estava vendo o filho da doutora, mas ela não está grávida. Tem um menino de cabelo dourado e cheio de cachos do lado dela todo tempo.”
Sou bem cética para muitas coisas, mas, quando fiz o exame de sexagem fetal, sabia que o resultado já havia sido dado, em uma colonoscopia, meses antes.
O que sei é que essa coisa toda que não sabemos o que é e que me faz dele e ele meu, é a mesma que me faz dela e ela minha.
Feliz dia das mães. Com os pés no chão, no hoje, com poesia.