Aline Veiga - Psicóloga Clínica & Psicanalista

Aline Veiga - Psicóloga Clínica & Psicanalista Psicóloga/Psicanalista

Ontem chegou até mim duas vezes. A primeira, pelas minhas mãos. A segunda, pelas mãos de uma amiga muito querida, depois...
22/07/2026

Ontem chegou até mim duas vezes. A primeira, pelas minhas mãos. A segunda, pelas mãos de uma amiga muito querida, depois que uma jarra d’água virou sobre meu exemplar, no meio da madrugada, tornando a leitura praticamente impossível. Obrigada por isso, silvanacanuto

Depois de ler a trilogia e agora Ontem, fiquei com a impressão de que essa é uma das marcas da escrita de Ágota Kristóf: ela nos mantém numa tensão permanente. Os acontecimentos não se encadeiam para produzir uma explicação. Quando pensamos que finalmente entendemos o romance, outra camada se impõe e desloca a leitura.

E Ontem me encontrou bem aí. A psicanálise e a clínica me ensinam diariamente que nem sempre avançamos quando encontramos respostas. Muitas vezes, avançamos quando passamos a saber melhor o que perguntar. E Ágota Kristóf permanece fiel a essa aposta até a última página.

Terminei o livro sem conseguir fechá-lo numa explicação. Mas as perguntas já não eram as mesmas.

“Você transaria com você?” (Ou algo muito parecido com isso.) Saí do cinema levando essa pergunta.Em O Convite, um casal...
20/07/2026

“Você transaria com você?” (Ou algo muito parecido com isso.) Saí do cinema levando essa pergunta.

Em O Convite, um casal em crise convida os vizinhos para jantar. O filme inteiro permanece dentro daquele apartamento. Em determinado momento, a mulher do casal convidado, que vive uma relação muito diferente da deles, faz essa pergunta aos dois. A partir dali, a conversa muda de lugar. Aquela pergunta não passa pela felicidade, pelo amor ou pela autoestima. Essa palavra tão gasta. Ela é sobre desejo.

Na psicanálise, desejo não é o nome de uma satisfação que ainda não chegou. É o que impede que a vida se feche numa satisfação completa. É por isso que aquela pergunta aponta para o vivo da vida. E me parece que é justamente aí que o título do filme acontece.

Primeiro, o convite é para entrar naquele apartamento. Depois, para participar de uma experiência sexual entre eles. No fim, o convite já não parece mais dirigido aos personagens. F**a, de algum modo, do lado de quem acabou de sair da sala de cinema. Enfim, há bons motivos para tanto entusiasmo em torno de O Convite.

16/07/2026

Um romance preciso e profundamente humano sobre uma família.

10/07/2026

Já escrevi sobre Frida Kahlo porque sempre me interessou a maneira como ela transformou a dor em linguagem. Esse vídeo traz um recorte bem bonito da trajetória dela. Mais do que o valor alcançado por um de seus quadros, talvez o mais impressionante seja o fato de tantos de nós nos reconhecermos nela. Quem sabe seja porque, ao tentar dar alguma forma ao próprio sofrimento, Frida tenha encontrado um modo de dizer o que, tantas vezes, também nos falta.

Via Tpm

Seis meses. Umas certezas a menos. Uns encontros a mais.
03/07/2026

Seis meses. Umas certezas a menos. Uns encontros a mais.

21/06/2026

Curioso ver uma obra chamada Intoxication nascer assim, em velocidade. Talvez porque seja também isso que ela interrogue: a pressa, o excesso, aquilo que entra antes de a gente poder elaborar.

Perturbadora e linda:
Intoxication, de Pon Arsher (2026)
via Palaiciuc Tatiana

12/06/2026

Nem em mim, nem em ti, talvez no espaço entre nós.
Uma cena de amor, mas que me levou imediatamente à experiência analítica e à aposta mais bonita da psicanálise: alguma coisa só pode aparecer quando uma palavra encontra um endereço. Não se trata de dois que se tornam um, porque existe sempre um impossível no encontro. Mas existe também aquilo que se produz nesse intervalo: uma invenção. Alguma coisa que nasce no encontro e que nenhum dos dois carregava sozinho.
Eu acho essa uma forma bonita de pensar o amor. Hoje e sempre.♥️

🎥 Antes do Amanhecer (1995), Richard Linklater
vídeo: Marcinho
via ℝ𝕖𝕕𝔼𝕤𝕔𝕦𝕥𝕒 Psicanálise

Esse filme tão bonito de Jean-Claude Barny acompanha o período em que Frantz Fanon trabalhou como psiquiatra na Argélia ...
07/06/2026

Esse filme tão bonito de Jean-Claude Barny acompanha o período em que Frantz Fanon trabalhou como psiquiatra na Argélia colonizada pela França. E que importante voltar a Fanon, a um pensamento que segue tão presente. Um filme sobre colonialismo, mas sobretudo sobre aquilo que uma dominação pode produzir em um sujeito. Fanon se ocupou de uma questão fundamental: o que acontece quando uma violência não ocupa apenas um território, mas atravessa um corpo, uma língua, uma maneira de alguém olhar para si mesmo?

Há algo de profundamente devastador na dominação: o olhar do outro passa a dizer quem somos e tenta apagar aquilo que nos constitui.

06/06/2026

Encontrei esse achado precioso da Clarice no perfil da e quis guardar aqui também. Algumas coisas a gente entende, outras simplesmente encontram um lugar na gente e ficam.

05/06/2026

O que precisa ser inventado para continuar existindo depois de algumas experiências tão devastadoras…
Ainda tentando encontrar palavras para essa leitura. Essas foram as possíveis, por enquanto.

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