09/03/2026
Poucas histórias são tão emblemáticas de como se constroem a timidez e a auto desconexão como a de Cassandra.
Agraciada por Apolo com o dom da profecia, é tb amaldiçoada com a incredulidade. Em outras palavras: capaz de prever o futuro, mas sem o dom de fazer as pessoas acreditarem nas suas previsões.
Imaginem que enlouquecedor é saber, dizer e ninguém acreditar em você!
Boa parte do processo educacional, infelizmente, passa por aprender e ensinar a não dizer verdades incômodas. Não que não seja importante aprender a dosar as palavras, ou aprender a quem dizer; mas sofrer silenciamento quando estamos corretos é algo que nos marca, e pode deixar como rastro a sensação eterna de que jamais acertamos, de somos culpados por incomodar, e de que (até) calados estamos errados.
Assim, começamos a nos calar até pra nós mesmos: duvidamos do que pensamos, sentimos, entendemos. Damos razão a quem reclama de nós por pensar ou falar, ou a quem tenta desqualificar o nosso entendimento.
O processo de retorno é longo, principalmente porque é este um mundo relacional, de seres relacionais, em que estar à margem pode ser fatal.
Em qualquer que seja a situação, falar pode ter consequências desastrosas.
Não falar, tb.
Não há resposta certa.
O caminho de volta passa por perceber que o desastre já não vai ser tão aniquilador assim e, que, às vezes, vale o risco.
[Adoraria ter pintado este quadro, mas não fui eu! Rsrs]