06/08/2026
Há pessoas que conseguem listar facilmente os próprios defeitos, mas travam quando são solicitadas a identificar suas habilidades e competências.
Em algum momento, aprendemos que reconhecer nossas capacidades poderia soar como arrogância. E, para evitar parecer superiores, muitas pessoas acabam diminuindo a si mesmas.
Mas existe uma diferença importante entre esses aspectos.
Arrogância é acreditar que suas qualidades tornam você melhor do que os outros.
Autoconhecimento é reconhecer aquilo que você efetivamente desenvolveu, aprendeu e construiu ao longo da sua história.
Se você estudou durante anos, por que seria errado dizer que domina determinado assunto?
Se você aprendeu a escutar as pessoas com atenção, por que não reconhecer que essa é uma habilidade sua?
Se você enfrentou dificuldades e desenvolveu força, sensibilidade ou competência, por que agir como se isso não existisse?
Na perspectiva existencialista, nos tornamos quem somos pelas escolhas que fazemos e pela forma como nos relacionamos com as situações que vivemos. Nossas capacidades são construídas, cultivadas e aperfeiçoadas ao longo do caminho. Por isso, o autoelogio pode ser, antes de tudo, um reconhecimento do percurso que tornou essas capacidades possíveis.
Dizer "sou um bom profissional", "sei cuidar das pessoas", "aprendi a lidar com situações difíceis" ou "escrevo bem" não significa afirmar que você vale mais do que alguém. Significa reconhecer, sem negar nem exagerar, aquilo que suas escolhas, seu esforço e sua história permitiram construir.
Negar as próprias capacidades não torna ninguém mais humilde. Apenas torna mais difícil ocupar o lugar que a própria trajetória possibilitou.
Reconhecer quem você é não diminui ninguém. É apenas assumir, com honestidade e responsabilidade, a pessoa que você escolheu se tornar.
E você? Quais capacidades tem dificuldade de reconhecer em si, mesmo sabendo o quanto trabalhou para desenvolvê-las?