19/05/2026
Na Terapia Cognitivo-Comportamental, entendemos que o sofrimento emocional muitas vezes não está apenas no que aconteceu com a pessoa…
mas nas crenças que ela desenvolveu sobre si mesma a partir dessas experiências.
Ao longo da vida, principalmente nas relações mais importantes da infância e adolescência, nossa mente começa a criar interpretações sobre quem somos, sobre os outros e sobre o mundo.
E essas interpretações podem se transformar em crenças profundas.
Uma crítica frequente pode gerar a crença:
“Eu preciso ser perfeito para ser aceito.”
Um abandono pode fortalecer:
“As pessoas sempre vão embora.”
Uma rejeição pode construir:
“Tem algo errado comigo.”
O problema é que, com o tempo, essas crenças deixam de ser percebidas como interpretações…
e passam a ser vistas como verdades absolutas.
Na TCC, chamamos isso de crenças centrais: ideias profundas que influenciam emoções, pensamentos e comportamentos de forma automática.
E muitas vezes, sem perceber, a pessoa começa a viver tentando confirmar ou compensar essas crenças:
• buscando aprovação constantemente;
• tendo medo excessivo de errar;
• aceitando relações que machucam;
• evitando situações por medo de rejeição;
• sentindo que nunca é “boa o suficiente”.
Não porque seja fraca.
Mas porque aprendeu, emocionalmente, a enxergar a si mesma dessa forma.
A terapia ajuda justamente nesse processo:
identificar pensamentos automáticos, compreender as crenças construídas ao longo da vida e questionar aquilo que foi aprendido na dor.
Porque nem tudo aquilo que você acredita sobre si mesmo representa quem você realmente é.
Muitas vezes, representa apenas aquilo que você precisou acreditar para sobreviver emocionalmente em algum momento da vida.
E talvez uma das partes mais importantes do processo terapêutico seja perceber que crenças podem ser revistas, ressignificadas e transformadas.