10/08/2026
O CensoPsi 2022, do Conselho Federal de Psicologia, mostra que 79,2% das pessoas que atuam na profissão, no Brasil, são mulheres. E essa configuração tem raiz histórica, não gramatical.
O cenário começou a se desenhar nos anos 1970, junto com a expansão do ensino superior e a chegada em massa das mulheres ao mercado de trabalho.
Enquanto Medicina e Direito seguiam dominados por homens, a Psicologia abriu espaço para as mulheres construírem suas trajetórias profissionais.
Foi uma das poucas portas que se abriram, naquele momento, e as mulheres entraram, f**aram e, com o tempo, passaram a ser maioria absoluta na área.
Com essa maioria consolidada, o artigo feminino deixou de soar como exceção e virou a forma mais comum de nomear quem exerce a profissão.
“A psicóloga” passou a ser regra, não desvio de linguagem, porque a própria composição da
categoria mudou.
Só que essa composição trouxe um custo.
Profissões com presença feminina expressiva costumam enfrentar desvalorização salarial e menor reconhecimento institucional, como se cuidado e competência técnica fossem coisas separadas.
O padrão se repete em outras áreas de maioria feminina, como enfermagem e magistério: quanto mais mulheres, menor o prestígio simbólico e financeiro atribuído ao trabalho, mesmo quando a exigência técnica e a responsabilidade envolvidas são altíssimas.
Falar no feminino, nesse caso, não é detalhe de linguagem. É o retrato de quem sustenta a profissão e de um valor que ainda precisa ser reconhecido à altura do trabalho que nós, mulheres, entregamos todos os dias.