Alana Loiola Psicóloga e Psicanalista

Alana Loiola Psicóloga e Psicanalista Psicanalista e Psicóloga, atende presencial em Fortaleza (CE) e online, crianças, adolescentes e adultos. Intervenção antirracista.

Especialista em Psicoterapia Psicanalítica. Realiza supervisão para psicólogos clínicos e educacionais.

Eventualmente, me vejo em um lugar estranho a mim, que não deveria ser (haja análise para internalizar certas coisas), e...
03/06/2026

Eventualmente, me vejo em um lugar estranho a mim, que não deveria ser (haja análise para internalizar certas coisas), esse lugar é de transmissão para que parceiras/os de percurso em que sentem a necessidade e urgência de possuir referências negras em sua formação psicanalítica.

O estranhamento disso é algo que ainda estou buscando simbolizar, ainda que não seja um sentimento somente individual. O estranhamento disso fala também de um lugar fora, do não pertencimento, o lugar onde posicionam negros e negras neste país, a marginalização do povo negro está aí desde que a colonização virou berço do capitalismo.

Por isso, mesmo que busquem negros e negras para suas formações, onde estão nos colocando nessa transmissão? E onde nós estamos nos colocando?

Estou constantemente pensando nisso, porque o racism8 é ironicamente como respirar, está se movimentando internamente e externamente, involuntariamente. Mas tratem de observar suas movimentações.

Se posso fazer deste percurso também um lugar de transmissão, além do meu trabalho diário, em grupos, nas supervisões e na mesa de bar (muito papo bom acontece entre cervejas).

Deixarei algo por aqui para você, algo de quem veio muito antes de mim e anda comigo, diariamente:
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À Fanon, Dia 24/05, em um domingo bastante quente em Fortaleza, me reuni com duas parceiras do Núcleo Ferenczi Fortaleza...
01/06/2026

À Fanon,

Dia 24/05, em um domingo bastante quente em Fortaleza, me reuni com duas parceiras do Núcleo Ferenczi Fortaleza, para assistir o filme “Fanon”, ainda bem que antes pude tomar um bom cappuccino e bater perna pelo Centro Cultural do Dragão do Mar, arejadas do corpo, fomos ver o filme. Logo, esse texto pode conter spoiler, não se propõe a uma análise do filme, nem da obra vasta de Frantz Fanon, este autor é inesgotável.
Mas gostaria de compartilhar com vocês alguns afetos que circulam por aqui. Fanon sempre foi um autor denso para meus olhos ao lê-lo, optei mais por lê-lo diretamente do que partir de autores que escrevem sobre suas ideias. Não sei se isso foi a melhor das escolhas, o que quero dizer que curti a densidade de conhecê-lo a partir dele mesmo, o que não foi fácil para minha compreensão, acredito que tenho muito a aprender sobre suas ideias. Mas Fanon tem estado em minhas leituras há um bom tempo e continuo com dúvidas. Ver o filme foi uma experiência mais corporal, talvez irei trazer uma visão de “trás para frente”, rs.
Ao final do filme, eu não contive minha lágrimas, me faltavam palavras, embora minhas amigas estivessem preocupadas, chorar naquele “fim” era uma dor e um alívio.
Ao fim do filme, com uma fotografia cinematográfica lindíssima, onde eu sentia-me uma observadora daquele momento, onde o filme se passa entre 1953 -1961.
Meu corpo permanecia tenso em quase todo o filme, não era frio que eu sentia, era tensão.
Fanon parecia não dormir, ele vivia o ambiente, pensava sobre ele e produzia ideias, teorias, simultaneamente, de algum modo ele tentava fazer sim uma revolução. Há críticas e discordâncias sobre suas ideias, no prefácio do livro “Pensar Fanon” da editora Ubu, vocês podem ler algo sobre…
Frantz Fanon, completamente envolvido com a violência que estava sob seus olhos, ele me parece constantemente tocar na ferida da colonização, não meramente como um teórico, mas como quem vai a batalha, com ética, e talvez com a criação da sua própria ética…
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Esses dias comecei assisti a aula com Isildinha Baptista Nogueira e Suely Alves, finalmente hoje finalizei, e ambas fala...
30/05/2026

Esses dias comecei assisti a aula com Isildinha Baptista Nogueira e Suely Alves, finalmente hoje finalizei, e ambas falaram da lugar de disputa na psicanálise, mais especificamente: “psicanálise uma área de disputa”.

Com sorte, essa aula realizada pela Ocupação Psicanalítica, também está gravada e disponível no YouTube, vão lá ver!

Aí que me pega, quando tocam nessa questão da disputa e Tamy Ayouch também citado como um autor que traz para o debate também as disputas de poder na psicanálise, elas me fizeram pensar em outras questões que vivencio no cotidiano, não ironicamente, ainda pouco debatido em eventos, congresso blá-blá-blá intelectual, mas constantemente sendo conversado nos espaços informais que dividi com amigos de alguns estados desse país, como dou nome as coisas: colegas de RN, PE, BA, SP e aqui no Ceará.

A psicanálise como área de disputa, em minha leitura/escuta, muito significa espaços de exclusão alimentados pelo colonialismo, xenofobia e outras violênci4s.

Ou seja, lugar de disputa também quer dizer que, segundo Isildinha e Suely, nesta aula: Onde os operadores do racismo não se percebem como operadores, produzem morte e deixam morrer, onde isso também é constituinte.

Adoro a defesa contundente de Isildinha na Metapsicologia da subjetividade negra, ou do sujeito negro.
No qual possamos CRIAR formas de autoproteção, defesas, e acrescento, formas de viver, não de forma simplória, mas onde possamos resgatar ou construir modos de viver que não partam da lógica colonizadora e/ou do ideal da brancura.

Isildinha continua inesgotável, viva e muito importante, e ela não perde tempo em nos lembrar que a psicanálise não passa ilesa do que apreendeu do racism8, do colonialismo, do pensamento eurocêntrico, muita pelo contrário, a psicanálise sendo um solo onde os operadores (leiam pessoas, sujeitos) ainda produzem estas lógicas de poder de exclusão.

Atentem-se! Eu digo, não para que desistirmos da psicanálise, ou melhor do nosso lugar nessa área para destruir essa lógica e CRIARMOS outras possível para viver e não deixarmos morrer.

Alana Loiola

Com isso tudo, escutem também “Pretos ganhando dinheiro incomodam demais”, do Criolo.

Não costumo pensar em frases como grandes moldes de experiências, não gosto de diminuir a diversidade que há em se viver...
05/05/2026

Não costumo pensar em frases como grandes moldes de experiências, não gosto de diminuir a diversidade que há em se viver e “se doer” com a vida com frases curtas…
Mas essas duas afirmativas me tomaram esses dias.

É provável também que eu já tenha lido em algum lugar (perdoem-me não conseguir dar os créditos agora, quem puder ajuda aqui rsrs), mas provável que eu tenha experimentado a impossibilidade de criar e invalidação no sentir, logo estas frases me fizeram muito sentido.

Aí eu conto a vocês, é possível fazer uma clínica sem criar? Criar a partir do encontro, a partir das piadas internas, a partir da forma como nos comunicamos, a partir do nosso jeito de olhar, de ouvir, de falar, de pensar, de errar, de falhar, de esquecer, de relembrar e lembrar, de memorizar, de se agoniar, de se perturbar…
Dar ?

Logo, eu sou roubada pela minha ideia de criar poesia, escrever versos soltos até que eles se encontrem: em trabalhos, em artigos, em atendimentos, em encontros amorosos, em cafés ou vinhos entre meus amigos… as palavras sempre se encontram e se reencontram…

Na experiência de estar no mundo (bem Winnicottiano isso rs) ter o direito de sentir e o direito de criar, mesmo que em algum momento, as palavras tenham nos sido arrancadas…
Elas nos encontram…

Volto depois a falar mais ;)

No último sábado, abri os braços muito feliz para abraçar e celebrar um lançamento de uma coletânea muito bonita que par...
15/03/2026

No último sábado, abri os braços muito feliz para abraçar e celebrar um lançamento de uma coletânea muito bonita que participei.

Essa é quarto lançamento que celebro, sigo escrevendo e seguirei, com perturbação e muita vontade. ✨🤎

📚A coletânea “Choque”, faz parte da convocatória feita pela Editora Nadifúndio, daqui de Fortaleza (Ce). Assim que tiver mais informações sobre a disponibilidade do livro, trago para cá ✨

Às vezes me engasgo com o silêncio Não Não Me engasgo com a mentiraQuando não contam a história Quando escondem os escom...
23/02/2026

Às vezes me engasgo com o silêncio
Não
Não

Me engasgo com a mentira

Quando não contam a história
Quando escondem os escombros
Quando teimam em dissimular a honestidade

Me engasgo com essa atrocidade que é a desonestidade
A desonestidade intelectual
A desonestidade com a ética

Me engasgo com os mentiras que amordaçam a arte e a diversidade
Que ferem nossas carnes com a neutralidade
E pedem desculpas

Meus caros, eles sabem

Fico engasgada a cada desmentido
(Novamente, silêncio)
Com o oportunismo
Com a criação de necessidades que só atende aqueles que lavam as mãos

Minhas palavras se inundam
Tentam dançar nessa rotina que teimo em me encaixar
Me engasgo
Com as feridas grotescas escondidas em band-aid
E nada para de sangrar

Quando o ácido do meu estômago alçar minha garganta, finalmente posso gritar
Carne ferida por fora e por dentro

Não manteremos em silêncio
Tropecemos nas palavras
De mãos dadas com a raiva,
ainda sangra

Suas mãos brancas manchadas com nosso sangue
Me engasgo e tropeço
Me ergo
Minhas mãos ainda teimam

Ei de respirar.

Alana Loiola


- Imagem: obra na Pinacoteca do Ceará, Exposição Corpos Explícitos Corpos Ocultos

📍Supervisão em clínica psicanalítica Espaço de escuta, elaboração e sustentação da prática clínica.- Atendimentos em sup...
21/01/2026

📍Supervisão em clínica psicanalítica

Espaço de escuta, elaboração e sustentação da prática clínica.

- Atendimentos em supervisão individual e grupos de até 4 pessoas;
- Semanal ou quinzenal;
- ⁠Os encontros tem duração de 1 hora, pelo Google Meet.

Horários e valores pelos contatos:
(85) 9 9696 0899 (WhatsApp)
[email protected]

“vim para cá porque estou desnorteada(o)”(Emiliano Camargo David, 2024)Escrever para academia ou sobre academia nos pare...
09/01/2026

“vim para cá porque estou desnorteada(o)”
(Emiliano Camargo David, 2024)

Escrever para academia ou sobre academia nos parece um ato necessário, mas antes de qualquer coisa, é um ato político, acrescento, um ato feito por mulheres, negras, com o pensar clínico na contramão hegemonia do academicismo. O babado é forte.

Mas há algo de muito bonito fazer isso com nossos pares, com aqueles e aquelas que caminham conosco e nos ensinam, a Letícia me apresentou sua poesia e escrevemos com nossas mãos juntas esse trabalho, intitulado “ENTRE ENLOUQUECIMENTOS E GINGAS: A POÉTICA DOS CORPOS NEGROS NA ACADEMIA”, para o congresso internacional: IV Decolonialidade, Feminino e Negritude, organizado pela Revista RELACult, a Sociedade de Escritoras da Costa do Descobrimento e coletivo Dandaras.

Assim, pensamos com David (2024) “essa reconstituição é revolucionária, sendo assim, não se trata de ´uma simples virada linguística, ao contrário, ela se efetivaria, se fosse violenta o suficiente para ‘sacudir as raízes do edifício’ colonial-capitalista.”

E vamos permanecendo vivos e dançando como nos alerta Carla Akotirene.

Um beijo 🤎✨

E quando estamos cansadas, o que nos resta? Ainda restam dúvidas, mas eu diria não somente, mulheres negras então fundan...
23/12/2025

E quando estamos cansadas, o que nos resta?

Ainda restam dúvidas, mas eu diria não somente, mulheres negras então fundando, criando, fazendo renascer há séculos e fazendo viva a memória daquelas que não puderam falar e deixar seus registros.
Estamos cansadas, mas descansemos também. Aqui deixo como prece um trecho de Gloria Anzaldúa:
“Jogue fora a abstração e o aprendizado acadêmico, as regras, o mapa e a bússola. Sinta seu caminho sem cabrestos. Pra tocar mais pessoas, as realidades pessoais e o social devem ser evocados - não pela retórica mas pelo sangue e pus e suor.”

Essas últimas semanas andei lendo a tese de doutorado da grande mestra Conceição Evaristo e o livro “A v***a é uma ferida aberta”, da Gloria.
Essas duas leituras não tem necessariamente uma ligação óbvia que eu possa dissertar aqui para vocês.
Mas ambas me tocaram no mesmo lugar.
Quanto mais leio sobre-e-a escrevivência, mais a experiência individual me parece estar totalmente próxima com a experiência coletiva de ser uma mulher-negra-no Brasil.
Conceição tem um brilhantismo de fazer costuras transgeracionais de nossas experiências, ela comenta em um dos seus livros (Insubmissas lágrimas de mulheres) o quanto gosta de ouvir, ela escuta e escreve o que nossas bisavós, avós, mães e filhas experimentam como mulheres nesse país.
Gloria, por sua vez, me arrepia, porque eu a leio como quem escuta alguém com raiva e com muita razão, ela defende um estatuto de que nós mulheres de cor (termo que ela se utiliza) precisam germinar as palavras na boca, nos dedos, retirá-las da mente e transborda-las, assim como Conceição fala também: escrever é como sangrar. Mas tudo isso nos cansa.

“Não estamos em paz com os opressores que afiam seu uivo em nossa dor. Não estamos em paz. Encontre a musa dentro de você. A voz que está soterrada sob você, traga-a à superfície. Não a simule, não a venda por uma salva de palmas ou por seu nome na capa.
Com amor,
Gloria”

*Obs.: Mãe-preta, termk desenvolvido por Lélia González, pesquise ;)

Um xero!
Alana Loiola

O nosso grupo de estudos: O lugar do negro na psicanálise, convida Letícia Silva (.nocaos) para o encerramento das ativi...
21/11/2025

O nosso grupo de estudos: O lugar do negro na psicanálise, convida Letícia Silva (.nocaos) para o encerramento das atividades desse semestre.
Para um encontro potente, com troca e escuta.

Com um investimento espontâneo: informações pelo WhatsApp (85)996960899 - Alana Loiola

Data: 09 de Dezembro
Horário: 20:30
Pelo Meet (link será enviado no momento que realizar a inscrição).

Endereço

Avenida Santos Dumont 1267
Fortaleza, CE
69150161

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 14:00 - 20:00
Quarta-feira 14:00 - 21:00
Quinta-feira 08:30 - 20:00
Sexta-feira 09:00 - 20:00

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