10/07/2026
“Eu não sei mais o que eu quero.”
Essa frase costuma ser interpretada como um problema de decisão.
Mas, na maioria das vezes, ela revela outra coisa.
Ela revela uma mulher que passou tanto tempo perguntando aos outros o que fazer…
Que deixou de perceber o que acontecia dentro de si.
Primeiro você consulta a opinião da amiga.
Depois a do parceiro.
Depois a da família.
Depois a da terapeuta.
Depois a internet.
E, quando finalmente chega a sua vez de responder…
Você já não consegue ouvir a própria voz.
Não porque ela desapareceu.
Mas porque ficou tempo demais em segundo plano.
É por isso que, no consultório, quando uma mulher me diz:
“Eu não sei mais o que eu quero.”
Eu dificilmente começo perguntando:
“O que você deseja?”
Eu começo perguntando:
“Quando foi a última vez que você fez uma escolha pensando primeiro no que fazia sentido para você?”
Porque ninguém perde os próprios desejos de um dia para o outro.
Eles vão ficando cada vez mais silenciosos.
Toda vez que você escolhe agradar em vez de se expressar.
Toda vez que evita um conflito às custas de um limite importante.
Toda vez que se adapta tão rapidamente que já nem percebe o que gostaria de ter escolhido.
Na minha metodologia, esse estado tem um nome: suspensão afetiva.
É quando a sua experiência continua existindo, mas já não está facilmente acessível.
Os desejos continuam aí.
As necessidades continuam aí.
Os limites continuam aí.
Mas tudo parece distante, como se estivesse coberto por um nevoeiro.
Por isso, talvez a pergunta não seja:
“Como descubro o que eu quero?”
Talvez seja:
“Quanto espaço eu tenho dado para me escutar antes de escutar o mundo?”
Porque, às vezes, não faltam respostas.
Falta silêncio suficiente para ouvi-las.
E é nesse silêncio que começa o caminho de volta.
Porque toda mulher merece voltar a ser sua própria referência.
💭 Me conta: quando você precisa tomar uma decisão importante, qual é a primeira voz que costuma consultar: a sua ou a dos outros?