29/05/2026
Tem gente que volta uma vida inteira ao cheiro da casa da avó, à música que tocava no carro do pai, à textura da luz às quatro da tarde.
Talvez seja porque foi ali onde o mundo existiu realmente,
antes de virar referência.
O que vem depois nunca chega cru. Chega traduzido, atravessado por tudo o que já sentimos antes.
Um quintal carrega todos os quintais.
Uma despedida ecoa todas as despedidas.
Um colo, todos os colos.
Talvez por isso o trabalho mais delicado da vida adulta seja esse:
aprender a notar o que está acontecendo agora,
antes que a memória chegue na frente
e diga o que é.