10/07/2026
Quando uma criança perde alguém, pode ser que aconteça de :
Às vezes, ela volta a fazer xixi na cama.
Às vezes, f**a mais irritada.
Às vezes, não quer mais ir à escola.
Às vezes, passa a ter medo de dormir sozinha.
Enquanto isso, os adultos, na tentativa de aliviar a dor, se esforçam para que tudo volte ao normal.
A rotina volta.
A escola volta.
Os compromissos voltam.
A vida segue.
Mas, para a criança, o mundo já não é o mesmo.
Ela ainda está tentando compreender algo grande demais para caber em palavras: que as pessoas podem partir, que a ausência permanece e que existem acontecimentos que não podem ser desfeitos.
Na infância, o luto raramente chega dizendo: “estou triste”.
Ele aparece no corpo.
No comportamento.
Nas br**cadeiras.
Nos silêncios.
Nas mudanças que, muitas vezes, são chamadas apenas de “birra”, “regressão” ou “fase”.
É nesse lugar que a escuta clínica se torna essencial.
Antes mesmo de a criança conseguir nomear a própria dor, o psicoterapeuta precisa ser capaz de reconhecer aquilo que o sintoma está tentando comunicar.
Porque, na clínica, nem sempre escutamos apenas palavras.
Escutamos o que mudou na forma de br**car.
O que mudou na relação com o corpo.
O que mudou nos vínculos.
Escutamos as ausências, os silêncios e os movimentos de todo um sistema que também está vivendo a perda.
A criança nem sempre consegue contar o seu luto. Mas, de alguma forma, ela sempre o comunica.
E é justamente essa escuta que transforma a clínica em um lugar de cuidado.