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A fase mais difícil do transtorno bipolar muitas vezes não é a mania: é a depressão.Apesar dela ocupar quase 3x mais tem...
06/03/2026

A fase mais difícil do transtorno bipolar muitas vezes não é a mania: é a depressão.

Apesar dela ocupar quase 3x mais tempo na vida do paciente, ainda hoje temos poucas opções medicamentosas aprovadas, especialmente no bipolar tipo II.

A Lumateperona pode ser uma nova possibilidade para o tratamento no Brasil. Em estudo fase 3 com 377 pacientes, ela mostrou redução clinicamente significativa dos sintomas depressivos, com tolerabilidade superior aos antipsicóticos tradicionais: menos ganho de peso, menos efeitos metabólicos, menos abandono do tratamento.

Trata-se de uma ferramenta com evidência sólida que, sendo aprovada no Brasil, pode fazer diferença na adesão e na qualidade de vida de pacientes que não tem respondido bem ao tratamento.

Salve esse post se você ou alguém próximo convive com transtorno bipolar. Conhecer as opções disponíveis pode ser um passo importante para decisões mais informadas com seu psiquiatra.

Ref: Calabrese et al., Am J Psychiatry, 2021.

Existe uma relação profunda entre o transtorno bipolar e o relógio biológico, e ela vai muito além da insônia. O núcleo ...
27/02/2026

Existe uma relação profunda entre o transtorno bipolar e o relógio biológico, e ela vai muito além da insônia. O núcleo supraquiasmático, um pequeno grupo de neurônios no hipotálamo anterior, funciona como o marcapasso central do corpo: ele sincroniza temperatura, cortisol, melatonina e ciclo sono-vigília com o ciclo claro/escuro do ambiente.

Porém, em pacientes com transtorno bipolar, esse sistema de temporização interna parece estar cronicamente desregulado. Polimorfismos em genes do relógio circadiano, como CLOCK, PER3 e ARNTL, já foram associados a maior suscetibilidade ao transtorno, e estudos mostram que até 25 a 65% dos pacientes bipolares eutímicos mantêm alterações do sono e do ritmo circadiano mesmo fora dos episódios agudos.

Isso não é um detalhe menor, porque a desregulação circadiana parece funcionar como gatilho para novos episódios: a privação de sono, por exemplo, pode precipitar mania em indivíduos vulneráveis, enquanto o atraso de fase do ritmo de melatonina está associado a episódios depressivos.

Uma revisão publicada no Journal of Affective Disorders reuniu evidências de que o sistema circadiano não é apenas afetado pela doença bipolar, mas participa ativamente da sua fisiopatologia. A secreção de melatonina nos pacientes bipolares tende a ser hipersensível à supressão por luz noturna, e o perfil de temperatura corporal central frequentemente perde seu padrão oscilatório normal.

Abordagens terapêuticas que atuam diretamente sobre o relógio biológico, como a terapia de ritmo social e interpessoal (IPSRT), a terapia de luz para fases depressivas e até a chamada "terapia do escuro" para estados maníacos, mostram resultados promissores justamente porque atacam esse mecanismo de base.

Entender essa conexão muda a forma como orientamos o paciente: manter horários regulares de sono, exposição à luz e alimentação não é apenas "higiene do sono" genérica, mas sim uma intervenção que atua sobre a biologia do TB.

Ref: Abreu T, Bragança M. The Bipolarity of light and dark: a review on bipolar disorder and circadian cycles. J Affect Disord. 2015. doi:10.1016/j.jad.2015.07.017

A depressão bipolar é a fase que mais piora qualidade de vida dos pacientes com transtorno bipolar. Muita gente imagina ...
26/02/2026

A depressão bipolar é a fase que mais piora qualidade de vida dos pacientes com transtorno bipolar. Muita gente imagina que o maior problema é a mania, as crises mais nítinas e visíveis do transtorno. Mas quem convive com bipolaridade sabe: são os meses de depressão que mais destroem rotina, projetos, sensação de continuidade na biografia.

E o tratamento da depressão bipolar, algumas vezes é um desafio em casos em que não respondem ou tem muitos efeitos colaterais às medicações que temos para tratamento.

Por isso, estamos acompanhando com atenção a possibilidade de chegada da Lumateperona ao Brasil. É uma molécula com mecanismo diferente dos antipsicóticos convencionais. Em um ensaio clínico de fase 3, publicado no American Journal of Psychiatry, a lumateperona reduziu significativamente os sintomas depressivos tanto no bipolar tipo I quanto no tipo II, com um perfil de efeitos colaterais melhor do que estamos acostumados a ver.

Apesar de não terem outros estudos maiores, já está na lista como uma das linhas de tratamento na nova publicação do CANMAT, um guideline importante para a prática psiquiatrica.

Vejam bem: isso não significa que é uma droga perfeita ou que vai resolver todos os casos. Na verdade, significa que temos, potencialmente, mais uma ferramenta que pode mudar a qualidade de vida de pacientes que não respondem bem aos tratamentos atuais. E para o transtorno bipolar tipo II, que tem poucos estudos robustos, isso é especialmente relevante.

Se você convive com transtorno bipolar ou conhece alguém nessa situação, salva esse post. Informação de qualidade muda decisões. 🧠

Ref: Calabrese JR, Durgam S, Satlin A, Vanover KE, Davis RE, Chen R, Kozauer SG, Mates S, Sachs GS. Efficacy and Safety of Lumateperone for Major Depressive Episodes Associated With Bipolar I or Bipolar II Disorder: A Phase 3 Randomized Placebo-Controlled Trial. Am J Psychiatry. 2021;178(12):1098-1106. doi:10.1176/appi.ajp.2021.20091339

Sete a 10 anos. Esse é o tempo médio que uma pessoa com transtorno bipolar leva para receber o diagnóstico correto. Todo...
25/02/2026

Sete a 10 anos. Esse é o tempo médio que uma pessoa com transtorno bipolar leva para receber o diagnóstico correto. Todo esse tempo recebendo tratamentos que não funcionam, rótulos que não explicam o que sente e uma sensação constante de que algo está errado, mas ninguém consegue dizer exatamente o quê.

Eu vejo isso no consultório com uma frequência muito grande. Pessoas que chegam aos 30-35 anos depois de uma década de idas e vindas por consultórios, com diagnósticos de depressão, ansiedade, TDAH. Tomaram antidepressivos que pioraram a instabilidade ou não melhoram a depressão de forma sustentada.

E quando finalmente ouvem "transtorno bipolar", a primeira reação pode ser tanto de alívio como de medo/surpresa.

Entendam que o transtorno bipolar costuma começar cedo. O pico de início dos sintomas bipolares acontece entre os 15 e 25 anos. Mas o diagnóstico correto e o início de um estabilizador de humor só chegam, em média, entre os 25 e 35 anos. Com o atraso, cada episódio não tratado pode ser neurotóxico, dificultando a resposta ao tratamento futuro e impactando negativamente nas relações, carreiras, autoestima.

Uma meta-análise publicada na Acta Psychiatrica Scandinavica revisou 59 estudos com mais de 40 mil pessoas e encontrou que o atraso médio no diagnóstico é de quase 7 anos. Mulheres e pessoas que iniciam com episódios depressivos esperam ainda mais. O acesso a serviços de intervenção precoce encurta esse tempo de forma significativa, mas poucos têm acesso.

Isso me faz pensar em quantas pessoas estão agora nessa janela de atraso, recebendo um tratamento incompleto, achando que o problema é falta de força de vontade. Se você se reconheceu em algo desse post, ou reconheceu alguém, salva e compartilha. Pode ser o empurrão que faltava para buscar uma avaliação mais completa 💙

Ref: Scott J, Graham A, Yung A, Morgan C, Bellivier F, Etain B. A systematic review and meta-analysis of delayed help-seeking, delayed diagnosis and duration of untreated illness in bipolar disorders. Acta Psychiatr Scand. 2022;146(5):389-405. doi:10.1111/acps.13490

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