07/09/2020
A maternidade é um momento solitário.
Solitário mesmo, daqueles que doem lá na alma e você pode olhar ao redor, até mesmo para outras grávidas que você não encontrará alento…
Você está muda e falando outra língua mesmo para os que dialogam com você. Mesmo que você esteja cercada por pessoas carinhosas, ninguém pode carregar um pouco da sua angústia. E muitas vezes os que mais teriam quase que uma obrigação funcional nisso são os primeiros a abandonar o barco e se restringir a manter o controle remoto na mão assistindo as baboseiras da TV e você continua só, com seus anseios e medos.
Os pais, tão responsáveis quanto você pela vida que cresce na sua barriga, podem simplesmente virar pro lado e dormir enquanto você pensa e pesa todos os aspectos que estão acontecendo. Eles até te acompanham em todo pré natal e nas ultrassons, mas não se intimidam em guardar o brinquedo na caixinha, pra brincar de novo só quando estiver afim.
Definitivamente, mesmo cercada de amigos afetuosos, de avós dedicados e até mesmo do melhor pai do mundo, a maternidade é um momento solitário.
Todo mundo pode ter outra escolha e resolver não querer mais se preocupar com isso, menos você. Todo mundo pode decidir mudar os planos e fazer qualquer outra coisa, menos você. Todo mundo pode voltar atrás, menos você. Sua unica certeza é… você estará comprometida com isso para sempre, somente você não tem escolha, e se tivesse não voltaria atrás, não por ninguém, mas por essa vida que você não viu ainda mas já ama.
As cobranças, as expectativas e claro, que as grosserias, atingirão você.
Ninguém sentirá suas dores por você, ninguém perderá o sono por você, ninguém terá uma bomba de hormônios enlouquecendo por você.
É ótimo poder se abrir com quem te entenda, mas o conflito interno, ah, esse é seu…e acho que todas não devem fazer ideia do que fazer com ele… agora é hora de tentar acalmar o coração e cabeça, afinal o mundo não para para que você resolva suas crises internas…
Tem trabalho, casa e quartinhos que você tem que pensar, nem que seja sozinha.
Carta de uma mamãe, alguém se identifica?