Carlos Henrique Psicólogo Clínico - Psicanálise

Carlos Henrique Psicólogo Clínico - Psicanálise Explorando as profundezas da mente humana com empatia e compreensão.

Tem gente que passa horas pensando em como dizer algo simples. Reescreve mensagens, ensaia conversas, acrescenta justifi...
27/08/2026

Tem gente que passa horas pensando em como dizer algo simples. Reescreve mensagens, ensaia conversas, acrescenta justificativas e tenta encontrar uma forma de falar que não provoque incômodo algum.

Por fora, isso pode parecer dificuldade de comunicação. Mas, em alguns casos, a pessoa sabe perfeitamente o que gostaria de dizer. O que ela não consegue suportar é a possibilidade de que o outro fique irritado, decepcionado, se afaste ou pense mal dela.

Por isso, comunicar-se vira uma tentativa de prever e administrar a reação alheia. A pessoa não procura apenas as palavras certas. Procura palavras capazes de garantir que ninguém se incomode. Como essa garantia não existe, muitas conversas acabam sendo adiadas.

Na análise, pode ser importante compreender por que discordar ganhou um significado tão ameaçador e por que a reação do outro passou a ter tanto poder sobre aquilo que você se permite dizer.

Às vezes, aprender a se comunicar melhor também passa por aceitar que você pode falar com respeito e, ainda assim, alguém não gostar do que ouviu.

26/08/2026

Existe um tipo de cansaço que não desaparece quando a agenda diminui. É o desgaste de precisar parecer seguro o tempo inteiro, tomar decisões sem demonstrar dúvida e acreditar que qualquer erro pode colocar em risco tudo o que você construiu.

Quanto maior a responsabilidade, mais fácil confundir competência com a obrigação de ter todas as respostas. Então você revisa decisões depois que elas já foram tomadas, tenta antecipar todos os problemas e continua trabalhando mentalmente mesmo quando o expediente terminou.

Talvez parte da exaustão não esteja apenas no volume de trabalho, mas no significado que falhar ganhou para você.

Na análise, também é possível investigar por que ocupar um lugar de responsabilidade passou a exigir que você pareça inabalável.

Uma criança pode aprender muito rapidamente quais assuntos deixam um dos pais desconfortável. Às vezes, ninguém diz dire...
24/08/2026

Uma criança pode aprender muito rapidamente quais assuntos deixam um dos pais desconfortável. Às vezes, ninguém diz diretamente “não fale sobre seu pai” ou “não demonstre carinho pela sua mãe”. Basta uma expressão de irritação, um comentário irônico ou uma mudança de humor para que ela perceba que certos afetos precisam ser escondidos.

Então começa a selecionar histórias, diminuir momentos felizes e controlar o que demonstra. Não porque deixou de amar, mas porque tenta evitar novos conflitos. Aos poucos, passa a cuidar das emoções dos adultos justamente em um momento em que também precisa lidar com a própria adaptação à separação.

Preservar essa liberdade emocional não significa fingir que o divórcio foi tranquilo, apagar conflitos reais ou ignorar situações de risco e decisões judiciais. Significa não transformar a criança em responsável pelas dores conjugais dos adultos.

Seu filho não precisa decidir quem estava certo, transmitir recados ou provar de quem gosta mais. Ele precisa saber que pode amar vocês dois sem sentir que está machucando ninguém.

Talvez uma das formas mais importantes de cuidado depois de uma separação seja permitir que ele volte feliz da casa do outro e consiga contar sobre isso sem precisar observar primeiro a sua reação.

Existe uma diferença entre conseguir fazer humor sobre a própria história e precisar do humor para não permanecer em con...
20/08/2026

Existe uma diferença entre conseguir fazer humor sobre a própria história e precisar do humor para não permanecer em contato com aquilo que ela provoca.

Uma pessoa pode contar algo muito doloroso e, poucos segundos depois, acrescentar uma piada. Pode rir enquanto descreve uma situação de abandono, constrangimento ou medo. Isso, isoladamente, não permite concluir nada. Mas quando esse movimento aparece repetidamente, ele também pode se tornar algo a ser escutado.

Na análise, não existe a obrigação de contar uma experiência da maneira que pareceria “correta”. Ninguém precisa chorar para provar que sofreu, assim como rir não significa que aquilo não teve importância.

A questão pode estar justamente na contradição: por que algumas histórias só conseguem ser contadas depois que você diminui o peso delas?

Às vezes, perceber como você aprendeu a narrar a própria dor é tão importante quanto lembrar do que aconteceu.

Um divórcio pode trazer raiva, decepção, medo, questões financeiras e conflitos difíceis de administrar. O problema come...
17/08/2026

Um divórcio pode trazer raiva, decepção, medo, questões financeiras e conflitos difíceis de administrar. O problema começa quando a criança passa a ocupar um lugar que não deveria ser dela dentro dessa história.

Às vezes isso acontece de maneira muito sutil. Um pai pergunta insistentemente o que aconteceu na casa do outro. Um comentário depreciativo é feito na frente da criança. Ela percebe que não pode contar que se divertiu porque aquilo deixará alguém magoado. Aos poucos, começa a administrar sentimentos e informações para preservar os próprios pais.

Nesse momento, ela deixa de lidar apenas com a separação e passa a lidar também com uma espécie de conflito de lealdade: “Se eu demonstrar que amo um, o outro vai sofrer?”

A relação conjugal pode ter terminado por razões importantes e dolorosas. Ainda assim, para a criança, pai e mãe continuam ocupando outro lugar. Preservar esse espaço não significa fingir que nada aconteceu entre os adultos. Significa não exigir que o filho participe emocionalmente daquilo que ele não tem condições de resolver.

Às vezes, uma das maiores formas de cuidado depois de um divórcio é permitir que a criança continue amando sem sentir que precisa escolher.

É comum os pais ficarem confusos quando recebem elogios sobre o comportamento do filho e, em casa, encontram uma realida...
13/08/2026

É comum os pais ficarem confusos quando recebem elogios sobre o comportamento do filho e, em casa, encontram uma realidade completamente diferente. Essa diferença pode facilmente ser interpretada como provocação: “ele sabe se comportar, só faz isso comigo”.

Mas comportamento infantil não pode ser compreendido apenas pela pergunta “ele consegue ou não consegue se controlar?”. Também importa observar quanto esforço aquela criança precisou fazer ao longo do dia, quais situações enfrentou, como estava seu nível de cansaço e em quais relações consegue demonstrar mais livremente o que sente.

Isso também não significa romantizar agressividade, desrespeito ou qualquer comportamento preocupante. Crianças precisam de limites e, quando existe uma mudança intensa ou persistente, é importante investigar o que está acontecendo.

A diferença é que limite e compreensão não precisam ser opostos. É possível dizer “isso não pode” e, ao mesmo tempo, se perguntar “o que tornou esse momento tão difícil para ele?”

Muitas vezes, essa segunda pergunta muda completamente a forma como o adulto enxerga aquilo que antes chamava apenas de “dar trabalho”.

Muita gente chega à sessão acreditando que precisa saber exatamente o que dizer, organizar os acontecimentos e explicar ...
10/08/2026

Muita gente chega à sessão acreditando que precisa saber exatamente o que dizer, organizar os acontecimentos e explicar com clareza por que está sofrendo. Quando surge um silêncio, um esquecimento ou uma mudança de assunto, pode aparecer a sensação de que a sessão “não rendeu”.

Mas a análise não depende de um discurso perfeito. Às vezes, a pessoa fala longamente sobre assuntos distantes e se interrompe justamente quando se aproxima de algo mais difícil. Em outros momentos, ri ao contar uma experiência dolorosa, esquece repetidamente um tema ou sente que simplesmente não consegue continuar.

Isso não significa que todo silêncio esconda uma grande revelação. O que importa é observar como esses movimentos aparecem, em quais assuntos se repetem e o que acontece emocionalmente quando a pessoa tenta se aproximar deles. Aquilo que ainda não pode ser dito com clareza pode aparecer primeiro na hesitação, no desvio ou na dificuldade de encontrar palavras.

Na análise, você não precisa chegar sabendo por onde começar. Até a dificuldade de começar pode dizer alguma coisa.

Esse post mudou sua forma de imaginar uma sessão de análise? Deixa um like para eu trazer mais conteúdos sobre como esse processo acontece.

Durante muito tempo, paternidade foi associada à ideia de força, autoridade e certeza. O pai deveria saber o que fazer, ...
09/08/2026

Durante muito tempo, paternidade foi associada à ideia de força, autoridade e certeza. O pai deveria saber o que fazer, manter o controle e dificilmente admitir que estava errado. Só que uma criança não aprende responsabilidade convivendo com um adulto que nunca reconhece os próprios erros. Ela aprende observando o que esse adulto faz depois deles.

Pedir desculpas não apaga o que aconteceu, assim como uma conversa não resolve todas as marcas de uma relação. Mas reconhecer um erro comunica algo importante: “o que você sentiu importa para mim e eu também sou responsável pela forma como trato você”.

Talvez uma das experiências mais valiosas que um pai possa oferecer não seja a ausência de falhas, mas a possibilidade de reparação. Porque, no futuro, essa criança também vai errar em seus vínculos. E poderá ter aprendido em casa que errar não precisa significar abandonar, atacar ou fingir que nada aconteceu.

Neste Dia dos Pais, talvez valha menos perguntar se você está sendo o pai perfeito e mais perguntar: quando eu erro com meu filho, consigo voltar para a relação?

Muita gente imagina que uma sessão de análise é um lugar onde a pessoa precisa chegar sabendo exatamente o que dizer, fa...
06/08/2026

Muita gente imagina que uma sessão de análise é um lugar onde a pessoa precisa chegar sabendo exatamente o que dizer, falar coisas profundas o tempo todo ou ter um sofrimento muito grave para ser atendida. Na prática, não é assim.

A análise é um espaço de escuta. Um espaço para falar, pensar, lembrar, associar, se confundir, silenciar e, aos poucos, compreender melhor aquilo que se repete na sua vida e aquilo que ainda produz sofrimento.

Você não precisa chegar pronto. Não precisa ter as palavras certas. E também não precisa transformar a sessão em uma apresentação organizada sobre si mesmo.

Muitas vezes, o trabalho começa justamente onde a pessoa ainda não sabe explicar direito o que sente.

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Nem toda vontade de crescer nasce de insatisfação. É possível desejar novos projetos, responsabilidades e conquistas sem...
03/08/2026

Nem toda vontade de crescer nasce de insatisfação. É possível desejar novos projetos, responsabilidades e conquistas sem transformar a própria vida em uma prova permanente de valor. O sofrimento aparece quando cada resultado precisa responder à pergunta: “Agora eu sou bom o bastante?”

Nesse funcionamento, a conquista oferece um alívio breve, mas não pode ser realmente aproveitada. Assim que a pessoa consegue, começa a diminuir o próprio feito. Diz que teve sorte, que qualquer um conseguiria, que poderia ter feito melhor ou que ainda está muito distante de onde deveria estar.

A próxima meta surge antes mesmo que exista tempo para reconhecer a anterior. Por fora, isso pode parecer ambição. Por dentro, existe alguém correndo atrás de uma sensação de suficiência que sempre se afasta quando está prestes a ser alcançada.

Na análise, a questão não é convencer a pessoa a abandonar suas metas. É compreender por que tudo o que ela conquista perde valor tão rapidamente e qual acusação interna continua exigindo novas provas.

Talvez você não precise conquistar mais uma coisa antes de conseguir reconhecer o que já construiu.

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