Fale com a psicóloga.

Fale com a psicóloga. Juliane M. C. Pazzanese - CRP 09/8319
Há mais de 14 anos acolhendo histórias.

16/09/2026

Quando um filho morre, uma parte de nós também morre com ele.

E talvez seja por isso que o luto parental não seja algo que simplesmente “passa” com o tempo. O tempo pode mudar a intensidade da dor, pode nos ensinar a respirar dentro da ausência, pode tornar alguns dias possíveis. Mas não devolve quem partiu.

Porque algumas ausências não são “superadas”. São carregadas. E carregar essa ausência não signif**a que a vida precisa parar.

É possível sentir saudade e, ainda assim, sorrir.
É possível chorar e continuar.
É possível reconhecer que uma parte de nós ficou para sempre naquele lugar e, mesmo assim, descobrir outras partes de nós que seguem vivas.

Seguir em frente não é deixar quem amamos para trás. É aprender, dia após dia, a caminhar levando esse amor conosco. 🤍

12/09/2026

Quem mais se sentiu assim?!

Obrigada KARINE CARRIJO LIMA e tati machado por essas palavras. 💜

08/09/2026

A gente é gente como todo mundo 🫠

Quando alguém desaparece, quem f**a também é afetado.A espera prolongada, a incerteza e a impossibilidade de saber o que...
28/08/2026

Quando alguém desaparece, quem f**a também é afetado.

A espera prolongada, a incerteza e a impossibilidade de saber o que aconteceu podem manter familiares em um estado constante de alerta. O corpo sente, a rotina muda, as relações se transformam e o sofrimento pode se prolongar.

A psicóloga Pauline Boss chama de perda ambígua as experiências em que a ausência não se transforma em uma certeza. No desaparecimento, a pessoa está ausente, mas sua morte pode não ter sido confirmada. Não há um desfecho claro que permita organizar essa perda.

Mas existe ainda outra dimensão que me interessa muito: o sofrimento não é apenas psicológico. Ele também é social.

Arthur Kleinman e Veena Das nos ajudam a pensar como o sofrimento é produzido e vivido dentro das relações sociais, das condições de vida e das instituições. O sofrimento não acontece somente “dentro” de alguém: ele também pode ser aprofundado pela maneira como a sociedade responde àquilo que essa pessoa está vivendo.

No caso das famílias de pessoas desaparecidas, isso pode aparecer quando elas são desacreditadas, culpabilizadas, submetidas a burocracias, enfrentam silêncios institucionais ou precisam insistir para que sua dor e sua busca sejam reconhecidas.

26/08/2026

A fala de Carolina Dieckmann sobre a perda de Preta Gil traduz uma experiência que muitas pessoas enlutadas conhecem muito bem.

No luto, não existe uma linha reta.

Há dias em que conseguimos trabalhar, conversar, rir, fazer planos. E há dias em que uma música, uma fotografia, um cheiro, uma data ou simplesmente a saudade nos atravessa de repente.
E isso não signif**a que estamos “voltando para trás”.

O dia em que você conseguiu sorrir não anulou a sua dor.
O dia em que você chorou novamente não apagou todo o caminho que já percorreu.

O luto oscila.

Às vezes, conseguimos olhar para a vida e seguir por algumas horas sem que a ausência ocupe todo o espaço. Em outros momentos, ela parece voltar com uma intensidade que nos surpreende.

Não é recaída. Não é fraqueza. Não é falta de superação.

É luto.

Talvez a elaboração da perda tenha menos a ver com aprender a “deixar para trás” e mais com aprender, aos poucos, a viver em uma realidade que agora inclui a ausência.

E nessa montanha-russa, alguns dias serão mais leves. Outros, mais difíceis.

Tudo isso também faz parte do caminho. 💜

Por muito tempo, eu falei sobre luto por aqui sem falar sobre uma experiência de perda que atravessa profundamente minha...
21/08/2026

Por muito tempo, eu falei sobre luto por aqui sem falar sobre uma experiência de perda que atravessa profundamente minha trajetória de pesquisa: o desaparecimento de uma pessoa.

O que acontece quando alguém não está mais presente, mas também não existe uma confirmação de sua morte?
Quando a família precisa continuar vivendo entre a esperança, o medo, a busca e a incerteza?

O luto por desaparecimento possui particularidades que ainda são pouco compreendidas, inclusive por quem deveria acolher essas famílias.

Neste carrossel, quero começar a falar sobre isso.

Sobre a ausência. Sobre a espera. Sobre aquilo que não termina porque nunca teve uma resposta.

E, a partir daqui, quero trazer também para este espaço algumas das questões que têm atravessado minha pesquisa.

17/08/2026

Às vezes pensamos na morte como o último dia de uma história. Mas, para quem f**a, ela também é o primeiro dia de uma nova realidade.

Uma realidade em que a pessoa amada não está mais fisicamente presente, mas continua ocupando um lugar na memória, nos afetos, nas histórias e na vida de quem ficou.

O luto não acontece em fases previsíveis, nem segue uma linha reta. Há dias de saudade intensa, dias mais leves, momentos em que parece possível seguir e outros em que a ausência volta a doer.

E tudo isso pode fazer parte do processo de enlutar-se.

Na Psicologia do Luto, entendemos que seguir vivendo não signif**a esquecer, deixar para trás ou “superar” quem morreu. Signif**a, pouco a pouco, encontrar maneiras possíveis de viver em uma realidade que mudou.

Por isso, o acolhimento é tão importante. 💜

Nem sempre precisamos encontrar palavras para explicar a dor do outro. Às vezes, precisamos apenas reconhecer que aquela vida mudou e que existe alguém aprendendo, dia após dia, a viver nessa nova realidade.

O relato de Guilherme Alf Guilherme Alf , em sua palestra no TEDx São Paulo, nos convida justamente a olhar para o luto dessa forma: não como um caminho que precisa ser percorrido até chegar a um ponto final, mas como uma experiência humana que transforma a maneira como continuamos vivendo, amando e sentindo saudade.

Se existisse um concurso de “palpites que ninguém pediu”, os fiscais do luto com certeza levariam o troféu de ouro. 🏆🙄Pa...
11/08/2026

Se existisse um concurso de “palpites que ninguém pediu”, os fiscais do luto com certeza levariam o troféu de ouro. 🏆🙄

Parece que quando alguém passa por uma perda signif**ativa, o mundo ao redor ganha um diploma automático em “Gerenciamento de Sentimentos Alheios”. É gente dizendo que você tá chorando demais, gente dizendo que você tá saindo de casa cedo demais, ou que “nem parece que está sofrendo”.

A verdade? O luto não é uma linha reta, não tem receita de bolo e, definitivamente, não é um espetáculo para a plateia aprovar. Um dia a gente quer o colo do mundo, no outro a gente quer maratonar série e esquecer que o mundo existe. E adivinha? Está tudo bem.

Se você está lidando com algum fiscal desses por aí, lembre-se: a prancheta de regras deles não tem validade nenhuma no seu coração. Sorria, acene e continue vivendo o seu processo no seu tempo. 💛

Me conta aqui nos comentários: qual foi o palpite mais “sem noção” que você já teve que ouvir?
Vamos rir (para não chorar) juntos! 👇

Não existe cuidado integral ao bebê quando a saúde mental da mãe é invisível.E eu falo isso enquanto profissional da saú...
06/08/2026

Não existe cuidado integral ao bebê quando a saúde mental da mãe é invisível.

E eu falo isso enquanto profissional da saúde, como mãe e como mulher que convive com a depressão desde a adolescência e que gestou após uma perda.

Eu acredito que nem toda mãe precisa de psicoterapia.
Mas toda mãe merece ter a saúde mental olhada com atenção. 💜

02/08/2026

Há uma frase do Jão que me chamou a atenção: “Você é apresentado a uma nova lente da vida.”

A psicologia do luto descreve algo muito semelhante. A morte de alguém importante não muda apenas a nossa rotina; ela altera a forma como percebemos o tempo, os vínculos, a segurança e até quem somos.

Por isso, o luto não é um processo de “esquecer” ou “superar”. É um processo de adaptação a uma realidade que já não comporta a presença física de quem partiu. Aos poucos, a pessoa enlutada precisa reconstruir signif**ados, reorganizar sua identidade e aprender a existir em um mundo que, de repente, parece estranho.

Não existe preparo para essa travessia. E ela não acontece em etapas rígidas, nem segue um prazo determinado. Cada vínculo perdido produz uma experiência única, porque cada relação também era única.

Talvez seja por isso que tantas pessoas se sintam incompreendidas durante o luto. Quem olha de fora costuma enxergar apenas a ausência. Quem vive a perda sabe que ela transforma a maneira de olhar para a própria vida.

🎥 Repost de BBC News | Brasil com um trecho da entrevista de Jão sobre a morte de seu pai e o álbum Memórias Póstumas.

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