20/03/2026
Quando foi que a testosterona passou a ser mais importante para a mulher do que o estrogênio?
Como ginecologista, preocupa-me o “modismo” da testosterona. Antigamente, tinha-se medo de usar hormônios; hoje, o medo é de não usar e f**ar excluída. A amiga da academia usa, a conhecida implantou um chip, a vizinha aplicou a injeção.
Testosterona, para a mulher, não foi feita para melhorar apenas vigor físico; não serve para definir os músculos, não é estética. Ela tem função na sexualidade. Mas quando? Principalmente, na PÓS-MENOPAUSA.
A mulher de 25 anos precisa? Não. A de 35 precisa? Não. E a de 40? Nem sempre. Na vida reprodutiva, não se deve prescrever pelo simples fato de prejudicar a fertilidade. SE QUISER ENGRAVIDAR, NÃO USE.
Libido não é igual a testosterona. Libido é multifatorial. De que adianta testosterona alta, mas uma vida conjugal péssima?
Mulher nunca terá testosterona de homem; se tiver, tem doença. Dosar no sangue não ajuda o médico a fazer diagnóstico (a não ser os charlatões). Portanto, NÃO peça ao seu ginecologista. Ele vai solicitar, se achar necessário. E prescrever também!
O seu estrogênio em queda, na menopausa, traz mais problemas, posso garantir. Seus SINTOMAS nos importam mais que números de laboratórios!
Testosterona em excesso traz piora do perfil de colesterol, aumento de risco cardiovascular, labilidade emocional e agressividade. A acne não é a única preocupação - e nem o pior efeito colateral.
Reflitam: abdome definido pode esconder um coração doente e uma mente perturbada!
Hormônio pode ser utilizado e traz grandes benefícios, mas ter critério na prescrição faz parte do cuidado integral à saúde da mulher em qualquer fase da vida!