22/06/2026
A vida é feita de chegadas e partidas.
Enquanto alguém aprende a dizer as primeiras palavras, outro alguém pronuncia suas últimas despedidas. Enquanto uma nova história começa, outra encontra seu ponto final. E nós seguimos no meio disso tudo, atravessando estações.
Às vezes vivemos como quem está dentro de um trem olhando apenas para a próxima parada. Queremos que a dor passe logo, que o problema se resolva, que o sonho chegue, que o futuro aconteça.
Mas a vida não acontece na estação seguinte.
Ela acontece agora.
Nas últimas semanas, fui lembrada disso de muitas formas. Entre hospitais, febres, preocupações e despedidas, também houve risadas, abraços, histórias compartilhadas, um bolo improvisado, um karaokê inesperado e a alegria simples de estar junto.
Porque, no fim, nem sempre podemos escolher os acontecimentos. Mas ainda podemos escolher a forma como habitamos cada instante.
A natureza sempre soube disso. A primavera floresce, o verão amadurece, o outono transforma e o inverno ensina a deixar ir. Nenhuma estação é permanente. Nenhuma dura para sempre.
Nós também não.
Talvez por isso a pergunta mais importante não seja quanto tempo temos, mas o que fazemos com o tempo que nos é dado.
Quem amamos hoje?
O que celebramos hoje?
Que lembranças estamos construindo enquanto ainda estamos aqui?
A consciência da finitude não diminui a vida. Ela a torna mais preciosa.
Porque um dia todos nós partiremos. E, quando esse dia chegar, talvez o que realmente permaneça não sejam os títulos, as conquistas ou os bens acumulados, mas os momentos em que fizemos alguém se sentir amado, acolhido, visto e importante.
A vida passa.
Mas o significado que damos a ela permanece ecoando muito depois da nossa partida.
Então, não espere a próxima estação para viver.
Faça valer esta.