15/06/2026
Escrever também é uma forma de cura
Ao longo da história, seres humanos escreveram cartas, diários, poemas e histórias para registrar experiências, organizar pensamentos e dar sentido à própria existência.
Muito antes de ser uma ferramenta literária, a escrita foi uma necessidade humana.
Quando escrevemos, algo acontece. Aquilo que antes circulava de forma difusa em nosso mundo interno começa a ganhar forma, contorno e significado.
Na Psicologia Analítica, compreendemos que a consciência se amplia quando conseguimos estabelecer diálogo com conteúdos internos. Escrever pode ser uma das maneiras mais acessíveis de realizar esse encontro.
Nem sempre sabemos exatamente o que sentimos.
Às vezes, descobrimos enquanto escrevemos.
Uma frase leva a outra. Uma lembrança desperta uma imagem. Uma emoção encontra uma palavra. Aos poucos, algo que parecia confuso começa a revelar sua própria narrativa.
Na arteterapia, a escrita pode ser compreendida como uma forma de expressão simbólica. O importante não é produzir um texto perfeito, mas permitir que a experiência interna encontre uma via de manifestação.
Escrever não substitui um processo terapêutico, mas pode se tornar um recurso poderoso de autoconhecimento.
Muitas vezes, aquilo que não conseguimos dizer em voz alta encontra espaço em uma página.
A escrita cria testemunho.
Ela registra.
Ela organiza.
Ela transforma.
Quando revisitamos textos escritos em momentos diferentes da vida, frequentemente percebemos o quanto mudamos, amadurecemos e ressignificamos experiências.
É como se cada palavra deixasse um vestígio do caminho percorrido.
Talvez por isso tantas pessoas encontrem na poesia uma experiência tão profunda. O poema não nasce apenas para ser lido. Ele nasce para dar forma ao indizível.
Escrever não apaga feridas.
Mas pode ajudar a construir pontes entre quem fomos, quem somos e quem estamos nos tornando.
E, muitas vezes, é justamente nesse encontro que encontramos possibilidades de cura.
**Pamela Sassoli Domingues é psicóloga e autora do livro *Poemas, poesias, poeminhas*.**