Luciane Dewes - Psicóloga

Luciane Dewes - Psicóloga Espaço de acolhimento focado em cuidados paliativos, suporte ao luto e ferramentas para a reconstrução da vida!

Vamos tomar um chá com a nossa angústia?​Quando a angústia bate à porta, o nosso primeiro impulso quase sempre é correr....
21/07/2026

Vamos tomar um chá com a nossa angústia?

​Quando a angústia bate à porta, o nosso primeiro impulso quase sempre é correr. Queremos fechar as cortinas, ligar a TV, preencher o silêncio, tomar um remédio ou inventar uma urgência qualquer para não ter que olhar para ela.

Fomos ensinados a tratar a dor como uma intrusa indesejada, uma inimiga que precisa ser expulsa imediatamente.
​Mas e se, em vez de fugir ou tentar combatê-la, nós apenas fizéssemos um chá?

​A angústia e o sofrimento não são falhas no sistema da vida; são sinais. A dor humana muitas vezes carrega um pedido de sentido.

A angústia surge justamente quando aquilo que é essencial em nós pede passagem, quando as velhas certezas já não servem mais e quando a vida nos convoca a uma mudança ou a um posicionamento interior.

​Puxar uma cadeira e convidar a angústia para sentar não signif**a se render a ela, tampouco alimentar o sofrimento. É, na verdade, um ato de extrema coragem e maturidade existencial.

É dizer: "Eu sei que você está aqui. Eu sinto o seu peso. Mas não vou fugir de mim mesmo hoje."

​Ao sentar-se com a sua angústia para um chá em silêncio, a urgência começa a dissolver.

Você percebe que é maior do que o sentimento que o assombra. No v***r quente da xícara, na pausa necessária, a pergunta deixa de ser "por que isso está acontecendo comigo?" e passa a ser "o que esse momento está pedindo de mim?".

​Não tenha pressa de afastar o desconforto. Às vezes, as maiores viradas da nossa história começam em uma tarde quieta, quando decidimos parar de correr e ouvimos, com gentileza, o que a nossa própria alma tem a nos dizer.

​Sente um pouco.

O chá está servido.

Luciane Dewes - psicóloga clínica.

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O Celeiro do Tempo: Onde nada se perde e o amor permanece salvo 🌾✨​Costumamos olhar para o tempo como um rio implacável ...
16/07/2026

O Celeiro do Tempo: Onde nada se perde e o amor permanece salvo 🌾✨

​Costumamos olhar para o tempo como um rio implacável que tudo carrega. Temos a sensação angustiante de que os dias que passam roubam as nossas alegrias, os nossos anos de vigor, as pessoas que amamos e até mesmo os pedaços de nós que f**aram pelo caminho.

Sob essa ótica, o passado parece ser apenas um território de ausências e o futuro, uma promessa incerta.

​No entanto, a Logoterapia nos convida a uma postura de absoluta tenacidade diante da vida. Viktor Frankl nos propõe inverter completamente essa sensação de perda por meio de uma metáfora poderosa: o celeiro da existência.

​Imagine a vida como um campo a ser cultivado. O futuro é o terreno ainda intocado, cheio de possibilidades de plantio.

Mas cada escolha consciente que fazemos, cada amor que sustentamos, cada alegria que saboreamos e cada dor que suportamos com dignidade não são eventos que se perdem no vento.
Eles são a nossa colheita. Guardar essa colheita no celeiro é uma decisão ativa de resistência.

​Dizer "eu vivi isso" é um ato de extrema força. Signif**a colocar o que foi valioso em um solo onde o tempo não tem jurisdição.

​O passado não é o lugar onde as coisas deixam de existir. Ao contrário: é a dimensão mais segura e real da vida. É nele que as nossas experiências se tornam definitivas, salvas para sempre da transitoriedade.

O que está no futuro ainda pode ser perdido; mas aquilo que já foi depositado no celeiro da sua história está eternamente protegido.

​Nenhuma tempestade do presente, nenhuma crise ou ausência tem o poder de apagar o amor que você já dedicou, a coragem que você já demonstrou ou as raízes que você construiu. O que está no celeiro é um fato inabalável.

​Quando sentimos a dor da saudade, não estamos olhando para o vazio. Estamos contemplando a solidez do nosso celeiro cheio. A dor do luto nada mais é do que a prova de que fomos tenazes o suficiente para construir algo grande e digno de ser guardado.

​Nas estações em que o campo do seu presente parecer seco ou infértil, não se deixe enganar pela escassez da superfície. Firme os pés. O seu celeiro está cheio de vida acumulada. O que foi vivido por você, está salvo.

É com essa força indestrutível guardada no peito que você encontra a teimosia necessária para continuar cultivando o amanhã.

​Com carinho,

​Luciane Dewes – CRP 06/215113

​ **ar

Há dias em que a vida se recolhe 🥀​Olhar para um campo e ver flores que decidiram não se abrir hoje nos lembra de uma ve...
15/07/2026

Há dias em que a vida se recolhe 🥀

​Olhar para um campo e ver flores que decidiram não se abrir hoje nos lembra de uma verdade que insistimos em esquecer: a vida não é uma performance de floração constante.

Na perspectiva da Logoterapia, de Viktor Frankl, a existência não é feita apenas de primaveras. Há um valor imenso e um sentido profundo nos dias de recolhimento, de botões fechados e de aparente escassez.

Os dias em que nossas flores não abrem não são dias perdidos; são dias de preservação, de silêncio e de preparação interna.

​Afinal, o sentido da vida não se manifesta apenas quando estamos brilhando ou produzindo. Ele também se esconde — e se revela — na forma como decidimos nos posicionar diante dos nossos dias cinzentos, das nossas perdas e das nossas pausas inevitáveis.

Um botão fechado não está morto; ele está apenas protegendo sua essência sob o vento frio. Da mesma forma, as dores e os momentos de crise nos despem do supérfluo para nos lembrar daquilo que é indestrutível em nós, mantendo a raiz forte e viva sob a terra, mesmo quando nada parece florescer na superfície.

​Se hoje as suas flores não se abriram, não force a primavera. Respeite o inverno do seu coração, sabendo que há um propósito silencioso em apenas resistir, respirar e esperar o sol voltar a tocar a sua terra.

​Com carinho,
Luciane Dewes - psicóloga clínica.
CRP 06/215113

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O que o nevoeiro esconde, o tempo revela 🌫️✨​Existem dias em que a nossa vida parece coberta por um nevoeiro denso. Olha...
02/07/2026

O que o nevoeiro esconde, o tempo revela 🌫️✨

​Existem dias em que a nossa vida parece coberta por um nevoeiro denso. Olhamos para a frente e não conseguimos enxergar o horizonte, as respostas que tanto precisamos ou o próximo passo seguro a dar. Tudo f**a cinzento, incerto e o futuro parece perfeitamente invisível.

​Nesses momentos de cegueira temporária, a ansiedade costuma gritar, tentando nos convencer de que aquela fumaça fria é o fim do caminho.

Mas a grande verdade existencial é que o nevoeiro não apaga a paisagem; ele apenas a esconde por um tempo. As árvores continuam lá, as estradas permanecem no mesmo lugar e o sol, embora oculto, não deixou de existir.

​À luz da Logoterapia, o nevoeiro é o cenário ideal para exercitarmos a nossa postura diante do inevitável. Viktor Frankl nos lembrava de que não podemos controlar os climas da vida, mas temos a liberdade interior de escolher como reagiremos a eles.

Quando a visão falha, o que nos sustenta é a confiança e a busca pelo sentido que permanece intacto, mesmo atrás das nuvens.

​Se a sua vida hoje está sob uma névoa espessa, mude o foco: pare de tentar adivinhar o que está longe e concentre-se no chão onde seus pés estão firmados agora. O nevoeiro é passageiro por natureza.

Tenha a paciência de esperar e a certeza absoluta de que, em algum momento, o sol irá aparecer, dissipando a escuridão e clareando a sua visão.

Nenhuma neblina dura para sempre. ☀️🌱

Luciane Dewes - psicóloga clínica
CRP 06/215113
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Onde os seus pés estão? 🌿🧉​Muitas vezes, mergulhados no piloto automático da rotina, cometemos o erro de buscar o sentid...
01/07/2026

Onde os seus pés estão? 🌿🧉

​Muitas vezes, mergulhados no piloto automático da rotina, cometemos o erro de buscar o sentido da vida apenas em horizontes distantes.

Projetamos a plenitude para o dia em que alcançarmos a meta ideal, para a próxima grande viagem, ou para quando os problemas finalmente desaparecerem. Esquecemos, porém, que a vida acontece nos intervalos.

​O sentido não está guardado apenas nos grandes palcos; ele se esconde, silencioso, na delicadeza dos instantes mais corriqueiros.

Está no calor de um mate bem preparado, no conforto do canto que chamamos de lar, no perfume de um livro novo ou na pausa sagrada que fazemos para respirar entre um compromisso e outro.

​Na Logoterapia, Viktor Frankl nos ensina sobre a preciosidade dos valores de experiência. Eles se realizam quando paramos de apenas "fazer" e nos permitimos simplesmente "receber" o mundo.

É a arte de contemplar, de absorver a quietude e de saborear o presente com inteireza absoluta.

​Quando você desacelera o pensamento para valorizar essas pequenas frestas de calmaria, você não está perdendo tempo; está abastecendo a sua alma com a força necessária para sustentar a sua própria história.

​Não espere que o cenário perfeito se desenhe para que você finalmente experimente a paz. A beleza e o propósito já estão disponíveis agora.

Basta ter a coragem de silenciar o barulho do mundo e estar verdadeiramente presente onde os seus pés estão. 🤍 ✨






Para a minha mãe (In Memoriam)Existe um mito social de que o tempo cura tudo e de que o luto tem um prazo de validade. M...
17/06/2026

Para a minha mãe (In Memoriam)

Existe um mito social de que o tempo cura tudo e de que o luto tem um prazo de validade. Mas quem já viveu a partida de uma mãe sabe que essa cronologia é uma ilusão.

Anos passam, e ela continua sendo lembrança constante. Em alguns dias, essa memória nos visita como um cafuné manso e saudosista; em outros, ela surge permeada por uma dor aguda que aperta o peito e faz parecer que a despedida aconteceu ontem.

​Há dias em que me sinto como uma menina a contemplar, na janela da alma, a postura de quem espera por um abraço que o mundo físico já não pode dar.

Há dias em que a ausência se torna um peso tão denso que todas as lágrimas que guardamos parecem insuficientes para extravasar o que sentimos do lado de dentro.

E está tudo bem ser assim.

O choro não é sinal de fraqueza; é o amor que não encontra mais um endereço físico para ser entregue.

​Na psicologia e na Tanatologia, compreendemos que a dor do luto não diminui de tamanho: somos nós que precisamos nos expandir ao redor dela.

A saudade que dói é o preço que pagamos por termos amado profundamente. É o rastro invisível e eterno de um vínculo protetor que nos formou.

​Se hoje a lembrança veio vestida de dor e as lágrimas transbordaram, não lute contra elas.

Deixe a chuva interna cair. Acolha a sua vulnerabilidade com a mesma doçura com que sua mãe acolheria o seu choro.

Afinal, honrar quem partiu também signif**a respeitar o vazio legítimo que ficou na nossa estrutura. Ela habita em quem você se tornou.

Sinto sua falta, mãe!


​Luciane Dewes
Psicóloga Clínica • CRP 06/215113
Logoterapia • Tanatologia • Cuidados Paliativos e Luto
​🌐 Arquitetura da Recuperação

(Atendimentos online — Informações no link da bio)

O Lugar da Cicatriz!​Existe uma cobrança invisível, mas sufocante, para que a gente "supere" tudo muito rápido. A cultur...
16/06/2026

O Lugar da Cicatriz!

​Existe uma cobrança invisível, mas sufocante, para que a gente "supere" tudo muito rápido. A cultura do otimismo obrigatório tenta nos convencer de que amadurecer signif**a esquecer o passado, deletar as memórias difíceis e seguir em frente como se nada tivesse acontecido.

​Mas a alma humana não funciona com um botão de reiniciar.

​Na Logoterapia, nós compreendemos que o sofrimento e as rupturas fazem parte da nossa biografia. Superar não signif**a apagar o que foi vivido ou fingir que a dor nunca existiu. Quem tenta esquecer à força acaba apenas soterrando o próprio caos interno.

​A verdadeira recuperação não é sobre esquecimento; é sobre arquitetura. É sobre encontrar um lugar seguro e digno para aquela cicatriz na nossa história.

​Nós não superamos o luto, a perda de um espaço que construímos ou o fim de um ciclo fingindo que eles foram pequenos.

Nós superamos quando nos tornamos maiores do que eles. Quando olhamos para a ferida e, em vez de ver apenas a ruína, passamos a enxergar o tamanho da nossa capacidade de resistir e dar contorno ao que sobrou.

​Não tenha pressa para "f**ar bem". O que foi fraturado precisa de tempo, de silêncio e de cuidado para se reorganizar.

A sua cicatriz não diminui o seu valor; ela é o registro visível de que você sobreviveu e escolheu continuar caminhando.

​Permita-se acomodar a dor no lugar certo, transformando-a, aos poucos, em patrimônio pessoal.

Se você sente que a sua dor ainda está espalhada e precisa de um contorno através da escrita, o projeto Da Ruptura ao Recomeço é um espaço seguro de acolhimento.

Caso queira partilhar uma carta de despedida ou um desabafo guardado, compartilhe comigo pelo e-mail: [email protected].
Também é possível tirar dúvidas através do meu número de WhatsApp que está na Bio.

Nota de Confidencialidade: As cartas enviadas serão utilizadas exclusivamente como base para as reflexões do quadro Da Ruptura ao Recomeço.
Todo o processo é realizado de forma estritamente sigilosa, preservando integralmente a identidade dos autores, em absoluto respeito à ética, ao caráter e à diplomacia do cuidado.

Um abraço afetuoso,
Luciane Dewes
Psicóloga Clínica
CRP 06/215113

Temos apenas duas certezas absolutas nesta existência: o nascer e o morrer. O intervalo exato entre esse primeiro sopro ...
14/06/2026

Temos apenas duas certezas absolutas nesta existência: o nascer e o morrer.

O intervalo exato entre esse primeiro sopro e o último suspiro — aquilo que costumeiramente chamamos de vida — é o espaço que recebemos para usar o tempo de bordar.

​Machado de Assis, com sua genialidade cirúrgica, nos lembra: "O salto é grande, mas o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro."

​Na Logoterapia, compreendemos que o tempo não é um vazio a ser preenchido com pressa, mas uma tela estendida diante de nós.

A vida não nos dá garantias, mas nos dá o tecido. O que colocamos nele através dos nossos valores, das nossas escolhas e do nosso posicionamento é de nossa inteira responsabilidade.

​Podemos escolher bordar a delicadeza de uma flor através do afeto, a liberdade de um pássaro através das nossas buscas, ou a solidez de um castelo através do nosso caráter. Mas o alerta machadiano é real: também se pode bordar nada.

Viver no automático, sem buscar o sentido do momento presente, é deixar o tecido invisível passar em branco. E o vazio também é uma escolha.

​Não temos o poder de esticar esse tecido ao nosso bel-prazer, pois o tear da vida pertence ao tempo.

No entanto, a agulha está na nossa mão. Mesmo quando o cenário ao redor parece rígido ou cinzento, a nossa última liberdade é decidir qual linha e qual desenho vamos deixar registrados na nossa história.

​Diante da única certeza de que o tempo é finito, o que você escolhe bordar na sua tela hoje?

​Luciane Dewes
Psicóloga Clínica • CRP 06/215113
Logoterapia • Tanatologia • Cuidados Paliativos e Luto
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Existem fases na vida em que a destruição parece real e palpável. É a empresa que quebra, o corpo que adoece, o casament...
13/06/2026

Existem fases na vida em que a destruição parece real e palpável. É a empresa que quebra, o corpo que adoece, o casamento que chega ao fim, ou o luto que arranca um pedaço de nós.

Nesses momentos, as nossas estruturas visíveis — aquilo que construímos com tanto suor — parecem desmoronar como um castelo de cartas. Olhamos ao redor e o sentimento é de que fomos despidos de tudo.

​No entanto, a literatura e a psicologia existencial nos lembram de uma verdade oculta: a destruição atinge apenas a superfície. Ela destrói os cenários, mas não o ator.

​A derrota só acontece se você entregar a sua última liberdade: a de decidir quem você será diante do que restou. Enquanto você mantiver o seu caráter intacto, os seus valores alinhados e a sua capacidade de amar e se posicionar de pé sobre as ruínas, você não foi derrotado. Você foi, no máximo, testado na sua estrutura mais profunda.

​O velho pescador de Hemingway passou dias em alto mar, lutou contra tubarões, feriu as mãos, perdeu o peixe gigante e voltou para a praia com apenas uma carcaça presa ao barco. Para os olhos rasos do mundo, ele falhou. Mas, para quem sabe olhar o invisível, ele venceu. Ele venceu porque não se rendeu ao desespero; ele manteve a sua essência de pescador até o fim.

​Ser destruído é um fato da realidade que muitas vezes não podemos evitar. Mas ser derrotado é uma escolha íntima. As cicatrizes que você carrega hoje não são marcas de fracasso; são o esquadro que prova que, mesmo quando a tempestade levou o teto, a sua base permaneceu inabalável.

​Para refletirmos juntos:

"Diante daquilo que a vida já lhe tirou, o que em você permaneceu tão forte que impediu que você fosse derrotado? Se fizer sentido, divida sua resposta comigo no privado." 🌊🛡️

​Luciane Dewes
Psicóloga Clínica • CRP 06/215113
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Hoje, Dia dos Namorados, quero convidá-los a refletir sobre o que realmente sustenta uma caminhada a dois. O início de u...
12/06/2026

Hoje, Dia dos Namorados, quero convidá-los a refletir sobre o que realmente sustenta uma caminhada a dois.

O início de uma história costuma ser feito de dias ensolarados, mas é na chegada das chuvas inevitáveis da vida que o amor escolhe o seu verdadeiro status: o de permanecer.

​Responsabilidade afetiva não é um conceito moderno e abstrato; é a decisão diária de ter clareza com o que despertamos no outro. É entender que o coração de quem nos acompanha não é um território de passagem, mas um solo sagrado que exige cuidado, respeito e honestidade.

Amar com maturidade signif**a segurar o guarda-chuva para que o outro não se molhe, mesmo quando o vento sopra forte contra nós.

​O companheirismo real se revela na capacidade de ajustar o passo. Duas pessoas com histórias, marcas e ritmos diferentes decidem caminhar na mesma direção, dividindo o peso dos dias densos e celebrando a beleza dos dias mansos.

Não se trata de anular a si mesmo, mas de construir uma geografia interna onde o "nós" tenha um chão firme e seguro para florescer.

​O respeito é a base que sela esse valor. É aceitar a alteridade do outro, honrar a sua trajetória e compreender que os ciclos de intimidade exigem posicionamento e paciência.

No entanto, olhar para essa caminhada também nos faz lembrar daqueles que, hoje, atravessam a chuva segurando o próprio guarda-chuva. Se você não tem um companheiro ou um namoro neste momento, lembre-se de que a solitude também é um solo fértil para forjar o próprio caráter.

Não desista de acreditar no amor, mas, acima de tudo, não desista de construir em si mesmo a estrutura segura que você deseja encontrar no outro.

O tempo de espera não é um vazio; é a preparação para um encontro que faça sentido. ​O respeito é a base que sela esse valor.

Que neste dia, muito além dos presentes e das palavras bonitas, possamos celebrar os laços — os que já existem e os que ainda estão sendo construídos no silêncio.

Que haja sempre a coragem de ser abrigo seguro, seja para alguém, seja para a sua própria história.

​Luciane Dewes
Psicóloga Clínica • CRP 06/215113
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