21/07/2026
Vamos tomar um chá com a nossa angústia?
Quando a angústia bate à porta, o nosso primeiro impulso quase sempre é correr. Queremos fechar as cortinas, ligar a TV, preencher o silêncio, tomar um remédio ou inventar uma urgência qualquer para não ter que olhar para ela.
Fomos ensinados a tratar a dor como uma intrusa indesejada, uma inimiga que precisa ser expulsa imediatamente.
Mas e se, em vez de fugir ou tentar combatê-la, nós apenas fizéssemos um chá?
A angústia e o sofrimento não são falhas no sistema da vida; são sinais. A dor humana muitas vezes carrega um pedido de sentido.
A angústia surge justamente quando aquilo que é essencial em nós pede passagem, quando as velhas certezas já não servem mais e quando a vida nos convoca a uma mudança ou a um posicionamento interior.
Puxar uma cadeira e convidar a angústia para sentar não signif**a se render a ela, tampouco alimentar o sofrimento. É, na verdade, um ato de extrema coragem e maturidade existencial.
É dizer: "Eu sei que você está aqui. Eu sinto o seu peso. Mas não vou fugir de mim mesmo hoje."
Ao sentar-se com a sua angústia para um chá em silêncio, a urgência começa a dissolver.
Você percebe que é maior do que o sentimento que o assombra. No v***r quente da xícara, na pausa necessária, a pergunta deixa de ser "por que isso está acontecendo comigo?" e passa a ser "o que esse momento está pedindo de mim?".
Não tenha pressa de afastar o desconforto. Às vezes, as maiores viradas da nossa história começam em uma tarde quieta, quando decidimos parar de correr e ouvimos, com gentileza, o que a nossa própria alma tem a nos dizer.
Sente um pouco.
O chá está servido.
Luciane Dewes - psicóloga clínica.
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