19/05/2026
MÃO DUPLA — A relação entre obesidade e ansiedade é bidirecional, multifatorial e com evidências de associação signif**ativa. Indivíduos com obesidade apresentam maior prevalência de sintomas e transtornos de ansiedade. Os mecanismos por trás dessa associação são complexos e envolvem fatores biológicos, psicossociais e comportamentais.
Entre os mecanismos biológicos, destacam-se estresse, resistência à insulina, alterações hormonais e uma disfunção na comunicação entre a região cerebral do hipotálamo, a glândula hipófise, que f**a logo abaixo, e as glândulas adrenais, acima dos rins. É o que os médicos chamam de eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
Entre os fatores psicossociais, por sua vez, estão o estigma relacionado ao peso, a insatisfação com a imagem corporal, o bullying, as tentativas de perda de peso malsucedidas e a discriminação associados à obesidade.
Mas, como já mencionado, o caminho costuma ser de mão dupla. Há evidências de que a ansiedade pode contribuir para a manutenção da obesidade, seja por meio de alterações comportamentais, como uma alimentação desordenada, ou por mecanismos neuroendócrinos.
Portanto, obesidade e transtornos ansiosos precisam de avaliação integrada e intervenções multidisciplinares para melhorar os desfechos clínicos — é o que faz questão de reforçar o Departamento de Psiquiatria e Transtornos Alimentares da Abeso.
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