Dr Bruno Cortez

Dr Bruno Cortez Pediatra com pós-graduação em neuropediatria.

Muita criança com TDAH passa anos ouvindo que é “malcriada”, “sem limites” ou “folgada”, quando na verdade o cérebro del...
26/01/2026

Muita criança com TDAH passa anos ouvindo que é “malcriada”, “sem limites” ou “folgada”, quando na verdade o cérebro dela funciona de um jeito diferente.

Alguns sinais que costumam ser confundidos com “falta de educação”:
1. Esquecer recados e combinados o tempo todo
2. Perder material escolar, casaco, garrafinha, lápis… todos os dias
3. Começar várias tarefas e não conseguir terminar nenhuma
4. Demorar muito para se organizar para coisas simples, como tomar banho ou arrumar a mochila
5. Se mexer o tempo inteiro, mesmo quando o ambiente pede mais calma
6. Falar por cima, interromper, responder antes da pergunta terminar
7. Ter dificuldade enorme para esperar a vez em fila, jogo ou conversa
8. Demorar para iniciar o dever, mesmo sabendo o que precisa ser feito
9. Se distrair com qualquer estímulo ao redor, como se o foco “escapasse” o tempo todo
10. Ficar com a autoestima abalada depois de tantas broncas e comparações

A diferença entre “falta de limites” e TDAH não está em um comportamento isolado, e sim no conjunto: intensidade, frequência, prejuízo e em quantos contextos isso aparece, mesmo quando a família já tenta organizar, orientar e apoiar.

Não é sobre passar a mão na cabeça, é sobre entender o que está por trás, para que a educação venha junto de estratégias que façam sentido para esse cérebro.

Se você se reconheceu em vários desses pontos ao pensar em uma criança específ**a, pode ser um sinal de que vale investigar com mais cuidado, em vez de carregar tudo na conta da “má educação”.

👉 Me conta nos comentários, sem expor a criança: qual desses sinais mais aparece aí na sua rotina e como isso tem impactado o dia a dia de vocês?

Algumas crianças não respondem de imediato porque o cérebro delas leva mais tempo para mudar o foco. Elas ouvem, mas o p...
23/01/2026

Algumas crianças não respondem de imediato porque o cérebro delas leva mais tempo para mudar o foco. Elas ouvem, mas o processamento da informação não é instantâneo, principalmente quando estão muito concentradas em algo.

Isso é comum no desenvolvimento infantil e não é um ato de desobediência.

O que ajuda?
• Chegue perto da criança.
• Toque suavemente em seu ombro ou braço.
• Fale olhando diretamente para ela.
• Use frases curtas e diretas.

É uma questão de processamento, não de teimosia.

Entre “vai passar com o tempo” e “deve ser algo sério” existe um meio-termo importante: observar com critério.Três pergu...
21/01/2026

Entre “vai passar com o tempo” e “deve ser algo sério” existe um meio-termo importante: observar com critério.

Três perguntas ajudam muito nesse processo:
1️⃣ Acontece em um lugar só ou em vários?
O comportamento aparece só em casa, só na escola ou em todo lugar?
Quando se repete em diferentes ambientes, com pessoas diferentes, o sinal f**a mais forte.

2️⃣ Traz prejuízo real para o dia a dia?
Todo mundo tem fases e manias.
O que preocupa não é ser diferente, é quando isso impede a criança de aprender, brincar, se relacionar ou simplesmente viver a rotina sem sofrimento constante.

3️⃣ Está igual, piorando ou melhorando?
Algumas coisas melhoram quando ajustamos sono, telas, rotina e forma de falar com a criança.

Outras seguem iguais ou até pioram, mesmo com esforço da família. Essas merecem ser avaliadas com mais cuidado.

Se, ao responder, você percebe que: • acontece em vários contextos
• traz prejuízo claro
• não melhora com pequenos ajustes
talvez não seja só “coisa da sua cabeça” e talvez seja o momento de buscar uma avaliação, sem pânico, mas sem adiar demais.

👉 Sem expor seu filho, se puder, resume nos comentários em qual dessas três perguntas você sente mais dificuldade hoje: contexto, prejuízo ou mudança ao longo do tempo?

20/01/2026

No autismo, a pergunta mais importante não é quando a criança começou a falar. É como ela usa essa fala.

Existem crianças que produzem palavras, frases e até leem cedo, mas têm dificuldade em usar a comunicação para se conectar com o outro. O olhar não acompanha, o gesto não completa, a troca não se sustenta.

Comunicação não é só som. É intenção, reciprocidade, interesse em compartilhar experiências.

Por isso, avaliar comunicação vai muito além do vocabulário.
Envolve observar se a criança chama o outro para a interação, se responde ao nome, se aponta para mostrar, se tenta dividir atenção e emoção.

Entender essa diferença muda completamente o olhar, e o momento certo de intervir faz toda a diferença no desenvolvimento.

💬 Essa distinção já fez você olhar diferente para o jeito que uma criança se comunica?

Ouvir que “cada criança tem seu tempo” pode ser reconfortante.E, em muitos casos, é verdade. Nem todo atraso de fala ind...
07/01/2026

Ouvir que “cada criança tem seu tempo” pode ser reconfortante.
E, em muitos casos, é verdade. Nem todo atraso de fala indica um problema maior.

Mas o cuidado começa quando a espera deixa de ser tranquila e vira dúvida constante.
Quando a fala não vem sozinha, mas acompanhada de pouca troca, poucos gestos, pouco interesse em interagir, o tempo passa a ser um sinal, não uma explicação.

Avaliar atraso de fala não é contar palavras.
É observar o conjunto: como a criança se comunica, se busca o outro, se responde ao nome, se compartilha atenção, se tenta se fazer entender de outras formas.

Investigar não é rotular.
É garantir que, se houver algo por trás, a criança receba apoio no momento certo, quando o cérebro é mais plástico e o impacto é maior.

💬 Você já ficou nessa dúvida entre esperar mais um pouco ou procurar ajuda?

Fim de ano costuma juntar tudo o que uma criança neurodivergente mais sente dificuldade de processar ao mesmo tempo: mud...
29/12/2025

Fim de ano costuma juntar tudo o que uma criança neurodivergente mais sente dificuldade de processar ao mesmo tempo: mudança de rotina, barulho, pessoas novas, cheiros diferentes, horários quebrados, expectativas altas de que ela “se comporte bem” em todos os lugares.

Pra muita família, isso aparece assim:
• mais crises em festas e encontros de família
• recusa para sair de casa ou para f**ar no ambiente cheio
• choro “do nada”, birras mais intensas, agressividade ou total retraimento
• sono bagunçado e cansaço extremo, mesmo “só” depois de um passeio em família

Não é frescura, nem falta de educação. É um cérebro que precisa de previsibilidade tentando sobreviver em dias cheios de imprevistos.

Alguns ajustes fazem diferença, como por exemplo, explicar antes o que vai acontecer, levar um objeto de segurança
garantir um cantinho mais calmo, não forçar interação quando a criança já está no limite, aceitar sair mais cedo, se for preciso.

Fim de ano não precisa ser perfeito, precisa ser possível para a criança e para a família.

👉 E aí na sua casa: o que mais pesa nessa época, a mudança de rotina, o barulho, as festas ou os comentários da família?

Fim de ano costuma ser intenso pra todo mundo, ainda mais pra quem tem criança em casa. Entre festa, expectativa, rotina...
25/12/2025

Fim de ano costuma ser intenso pra todo mundo, ainda mais pra quem tem criança em casa. Entre festa, expectativa, rotina quebrada e coração cansado, às vezes o que a família mais precisa é de calma, colo e um pouco menos de cobrança.

Meu desejo de Natal é que vocês consigam viver esse tempo com mais presença do que perfeição. Que dê pra rir junto, descansar quando possível e lembrar que desenvolvimento também passa pelos vínculos que a gente constrói no dia a dia.

Um abraço e um Feliz Natal,
Dr. Bruno Cortez 🎄

Nas férias, quase toda família solta um pouco a rotina, e o tempo de tela sobe mesmo, isso é parte da realidade atual. A...
23/12/2025

Nas férias, quase toda família solta um pouco a rotina, e o tempo de tela sobe mesmo, isso é parte da realidade atual. A questão não é demonizar a tela, mas entender o que ela ocupa no dia dessa criança e o que ela está deixando de viver por causa disso.

Quando o dia gira quase todo em torno de vídeo rápido, desenho, joguinho e estímulo constante, sobra pouco espaço para tédio criativo, brincadeira livre, movimento, frustração saudável e convivência real, que são justamente as experiências que ajudam o cérebro a amadurecer.

Eu não penso em tela como vilã única, penso em equilíbrio
Se a criança tem momentos de brincar sem tela, convive com outras pessoas, participa da rotina da casa, corre, inventa, se entedia um pouco e também tem seus momentos de desenho preferido, a balança tende a f**ar mais saudável.

O problema maior aparece quando a tela vira babá, calmante, prêmio, castigo e única fonte de prazer ao mesmo tempo. Aí são o sono, o humor, a atenção e o comportamento que começam a cobrar a conta.

👉 E na sua casa, nas férias, a tela está ocupando qual lugar: companhia moderada, protagonista da história ou quase um integrante da família?

Me conta nos comentários como tem sido esse equilíbrio por aí?

Você m***a a cena, compra os brinquedos certos, chama os amigos. Mas, no fim, ele está sempre no canto, focado em alinha...
19/12/2025

Você m***a a cena, compra os brinquedos certos, chama os amigos. Mas, no fim, ele está sempre no canto, focado em alinhar os carrinhos, girar a mesma roda ou empilhar blocos sem um enredo. Ele não entra na fantasia do “faz de conta” com outras crianças.

Essa preferência pelo brincar solitário e repetitivo não é, na maioria das vezes, timidez. É um sinal de como o cérebro dele organiza o mundo. Para ele, a previsibilidade de alinhar objetos pode ser mais segura e interessante do que a imprevisibilidade de uma interação social.

O brincar é a linguagem da criança. Quando ele é rígido e isolado, é um sinal de que a comunicação e a flexibilidade cognitiva podem precisar de um estímulo direcionado. Não se trata de forçar a interação, mas de construir pontes para o mundo da fantasia compartilhada.

Quer entender a diferença entre o brincar focado e um sinal de alerta para o desenvolvimento? Vamos conversar.

Algumas crianças reagem de forma intensa a sons que parecem inofensivos, não por frescura ou “manha”, mas porque seu sis...
17/12/2025

Algumas crianças reagem de forma intensa a sons que parecem inofensivos, não por frescura ou “manha”, mas porque seu sistema auditivo processa os sons de maneira diferente.

Sons que mais disparam essa reação:
• Objetos caindo, como brinquedos e talheres.
• Sons agudos e repentinos, como gritos, balões e sirenes.
• Barulhos metálicos, como tampas de panela.

Por que isso acontece?
O cérebro da criança pode ter uma sensibilidade sensorial maior, o que o faz reagir ao susto antes mesmo de conseguir identif**ar a fonte do barulho

Quando merece atenção? ⚠️
Observe se a criança tampa os ouvidos várias vezes ao dia, evita lugares barulhentos, irrita-se com sons comuns ou f**a desorganizada após um barulho alto.

O que ajuda:
• Acolha, não invalide: “Eu sei, foi um barulho forte.”
• Dê tempo: Permita que ela se reorganize em silêncio.
• Antecipe: “Agora a mamãe vai ligar o liquidif**ador, vai fazer barulho, ok?”.

Não é birra. É sensorial.

15/12/2025

A audição é uma das primeiras portas de entrada do mundo no cérebro do bebê. Mesmo sem entender as palavras, ele percebe o ritmo, a melodia, a intenção da voz.

Por isso, quando você conversa, canta, embala e responde aos sons que ele faz, não está “só interagindo”: está ajudando o cérebro a criar conexões importantes para linguagem, vínculo e desenvolvimento emocional.

Ao longo do dia, vale observar como o bebê reage quando escuta sua voz, quando escuta um barulho diferente, quando ouve uma música que se repete sempre em casa.

Se algo chama atenção ou se você sente que ele responde pouco aos sons, traga isso para a consulta. Podemos pensar juntos no que é esperado para a idade e no que merece um olhar mais cuidadoso.

Salva esse conteúdo para lembrar de usar a sua voz como aliada no desenvolvimento do seu filho.

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