Bruna da Rocha

Bruna da Rocha "A voz do inconsciente é sutil, mas ela não descansa até ser ouvida"

17/03/2024

O BBB pode ser analisado como um experimento social.
Hoje ouvi umas das ex participantes, em entrevista, relatando o quão desesperador é ter intrigas com uma pessoa e ter que conviver com ela.
É possível confirmar essa afirmação ao assistir desavenças banais que chegam a situações caóticas, e acabam em cancelamento da parte dos telespectadores que estão sempre dispostos a escolher um dos lados e recriminar, e rejeitar o outro.
Ao mesmo tempo em que nos mostra a importância de manter um bom convívio pautado no respeito e educação, também nos ensina que aqui fora não vale a pena insistir em relacionamentos ruins.
Aqui, temos a opção de nos afastar. Porém, muitas das vezes seguimos insistindo naquilo que nos sufoca e machuca psicologicamente, e emocionalmente.
Em um relacionamento abusivo, o abusador consegue arrancar o pior de você. É uma armadilha, da qual, se você cair, cairá direto sob os julgamentos e o cancelamento de pessoas até mesmo próximas que não sabem de fato o que acontece na sua vida.
Culmina no adoecimento a nível físico e psicológico.
É um jogo sá**co, que só termina quando você entender que perdeu. E que a única forma de vencer, é aceitar isso e decidir nunca mais entrar no jogo.
O afastamento é essencial para a saúde mental.
Não tem muitas opções, quando se trata de relacionamento abusivo.
A única saída, é pegar as suas coisas e ir embora.
a partir de então, você vai precisar lidar com as suas dores, com a culpa que chega por N's motivos, com a solidão, com o medo do futuro, com a dificuldade de ressocialização, com a necessidade de se integrar novamente a grupos sociais dos quais antes você estava isolada.
Mas tudo isso é um processo, do qual não tem como dar errado. Quem opta por esse afastamento, caminha para o sucesso pessoal.
É sobre saúde física, psicológica, emocional e sobre a única chance de felicidade.
Seja só, se assim for. Seja em um amor, que depois de curar a sua dependência você vai descobrir realmente o que é, e vivê-lo de forma real!

Esta reflexão visa desmistificar a psicanálise, especialmente em relação a quantidade de informações distorcidas sobre e...
28/11/2023

Esta reflexão visa desmistificar a psicanálise, especialmente em relação a quantidade de informações distorcidas sobre ela, no que tange o sofrimento.
O texto não busca apenas esclarecer aqueles que desconhecem a psicanálise, mas também orientar àqueles que estão em processo de análise e questionam-se diante dos mitos frequentemente compartilhados.
Quem melhor para falar sobre a "doença da alma" do que aquele que a sente e a sofre?
É uma falácia que, estando imersos ao processo analítico, estamos imunes ao sofrimento.
A análise não é um troféu que nos torna superiores a outros seres humanos e o sofrimento mental é inerente à condição humana.
A análise desempenha bem sua função ao eliminar certos sintomas que têm o poder de paralisar o sujeito diante da vida. Ainda assim, é um processo e exige o tempo necessário. Muitos desses sintomas desaparecem simplesmente pelo fato de o sujeito tomar consciência deles. No entanto, é irreal pensar em eliminar todo o sofrimento. A busca pela felicidade não implica ausência de dor; o objetivo da análise não é nos distanciar da nossa humanidade. Não pretendo romantizar o sofrimento, mas desmascarar a hipocrisia de discursos que associam qualquer angústia ao "fracasso da análise".
Minha observação é sobre a transmissão irresponsável da ideia de que depois da análise nada lhe afeta. Isso é um desserviço, pois a análise só ocorre com a entrega do analisante, e ao se deparar com esses mitos, o sujeito passa a acreditar que "não conseguiu", "que não é capaz" de entrar em um processo analítico.
Hoje, li uma frase que me motivou a compartilhar esta breve reflexão: "A maior dor é não poder sentir a sua dor."
Pense em um processo analítico como o nascimento de um filho: doloroso, uma dor que lentamente se transforma em algo bom. Como disse Clarice Lispector em "Água viva": "Não vê que isto aqui é como filho nascendo? Dói. Dor é vida exacerbada. O processo dói. Vir-a-ser é uma lenta e lenta dor boa."🌱🌟

Sigmund Freud já havia advertido: “nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo; se a boca se cala, falam as pontas ...
14/11/2023

Sigmund Freud já havia advertido: “nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo; se a boca se cala, falam as pontas dos dedos”. Demonstrando assim que aquilo que não é dito se manifesta através de sintomas. O pai da psicanálise desvendou os fundamentos do tratamento psíquico ao constatar a força da palavra falada, dando início ao famoso conceito psicanalítico de “cura pela fala”.

Jacques Lacan, ao explorar o campo da linguagem e seus fundamentos científicos com base em sua releitura das obras freudianas, bem como em sua conexão com outras áreas do saber, como a Linguística e a Matemática, mostrou que o inconsciente é estruturado como linguagem. A linguagem, compreendida como condição da subjetividade do sujeito, descreve que é através da fala, desde sempre dirigida ao Outro, que o sujeito se constitui.

O filósofo grego Sócrates acreditava na tradição oral, exaltando-a como forma de comunicação superior. Ele considerava a fala como a expressão mais pura do conteúdo da alma, enquanto a escrita, representava o mero disfarce de um pensamento.

A filosofia da Sagacidade também reconhece a importância da oralidade. Seu método consiste em identificar os sábios e anciãos que concentram a tradição de determinada comunidade e dialogar com eles. Henry Odera Oruka centraliza em seus pensamentos a valorização da oralidade no conjunto das tradições e na formação dos povos africanos, posicionando-se criticamente em relação ao pensamento de que a alfabetização (e por tanto a comunicação escrita) é condição essencial para a exposição e reflexão filosófica. Dessa forma, ele valoriza, para além da escrita, a sabedoria revelada através da fala.

Em síntese, a importância da palavra falada transcende diferentes campos do conhecimento, desde a psicanálise de Freud e Lacan até as tradições orais africanas. A valorização da oralidade destaca-se como um elemento fundamental na compreensão da subjetividade, na transmissão de sabedoria e na própria expressão da alma.

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