25/07/2022
Embora sejam consideravelmente importantes mudanças no que diz respeito à tentativa de finalização do estigma e do preconceito, tanto a literatura científica quanto a prática clínica apontam que há de ser operado um trabalho cuidadoso e minucioso para com a população LGBTQIAP+, pois as tendências a quadros depressivos e ansiosos, nesta parcela da população, apresentam-se de modo peculiar.
Em “Homofobia Internalizada”, obra de Pedro Paulo Antunes, o autor apresenta dados de um importante estudo que revela, por exemplo, que “a Associação Médica de G**s e Lésbicas dos EUA concorda que sintomas de ansiedade e depressão parecem afetar mais os homossexuais do que o restante da população” (ANTUNES, 2017, p. 221-222), especialmente parece ser mais grave naqueles que estão no “armário”. Ainda segundo o mesmo livro, “a ansiedade generalizada em homossexuais pode ocorrer devido à supergeneralização de medos realistas de rejeição” (ANTUNES, 2017, p. 225), e “homossexuais e bissexuais, quando comparados a heterossexuais, apresentam três vezes mais chances de desenvolver depressão; 4,7 vezes mais transtorno do pânico, e de três a quatro vezes mais comorbidades para dois ou mais transtornos mentais” (ANTUNES, 2017, p. 225).
Não é raro também, em análise dos discursos e práticas sociais, encontrarmos pessoas LGBTQIAP+ com alto nível de engajamento no trabalho ou em outras atividades, geralmente com elevadíssimo nível de auto cobrança e pouco autor reconhecimento dos seus resultados, na busca imperativa de certa “perfeição” e aceitação social.
Enfim, embora não possamos falar que a orientação sexual ou identificação de gênero define a saúde mental de uma pessoa, pois cada um/umairá experimentar essas condições de forma singular, não podemos deixar de ligar um “alerta” e pensar praticas sociais que diminuam essas tendências. A psicoterapia é uma ferramenta muito importante e geralmente eficaz, mas precisa ser associada a profundas mudanças sociais.
Referência:
ANTUNES, P. P. S. Homofobia internalizada: o preconceito do homossexual contra si mesmo. SP, 2017.