09/07/2026
Uma das perguntas que mais escuto em avaliação: “mas é grave?”
Tecnicamente, existe classificação, sim. No TEA, falamos em nível de suporte (1, 2 ou 3). No TDAH, em especificadores de gravidade (leve, moderado, grave). Isso não muda — são critérios diagnósticos e cumprem uma função clínica real.
Mas quando um pai ou uma mãe pergunta “é grave?”, raramente está pedindo a classificação técnica. Está perguntando outra coisa: “isso vai atrapalhar a vida dele?”
E aí mora a parte que a avaliação precisa capturar: duas crianças podem ter o mesmo nível de suporte, o mesmo especificador de gravidade — e viver realidades completamente diferentes. Porque o que determina o dia a dia não é só a classificação, é o quanto aquilo gera prejuízo funcional: na escola, no sono, nas relações, na autoestima.
É a neurodiversidade dentro da própria neurodivergência. Formas diferentes de funcionar, mesmo dentro do mesmo diagnóstico, do mesmo nível.
Por isso avaliação neuropsicológica não termina na classificação. Ela olha pra função — pra rotina inteira, não só pro comportamento que gera queixa.
Se alguém já te disse “não parece tão grave assim” sobre o diagnóstico do seu filho: essa frase não invalida o que vocês vivem. Ela só ignora que classificação e prejuízo funcional nem sempre andam juntos.
Com afeto e ciência,
Jaque🤍