26/02/2026
A maciça onde de notícias de violência dirigidas às mulheres têm atravessado as paredes do consultório.
Novas pacientes chegaram, suas feridas até então tamponadas voltaram a sangrar. Elas trazem notícias de seus algozes, de suas memórias, da dignidade esfacelada.
Me dizem do silêncio ensurdecedor da sociedade. A quem recorrer? Onde meu grito será ouvido?
Disse-me uma paciente que a ideia de limite e o reconhecimento de que estava sendo violentada veio só tardiamente na escola. Na tão condenada aula sobre sexualidade.
Foi ali que se deu conta: estou sendo objeto do outro, não estou sendo protegida. O espaço familiar (que deveria me resguardar), é o espaço onde a violência acontece.
Estas mulheres me alertam: estes homens continuam circulando. Respeitados nos círculos familiares, validados socialmente.
Como acolher estas vítimas e legitimar nelas um direito até então sequestrado?
O direito do não, do limite, da justiça.
Como cuidar deste corpo ferido, das revivências de violência?
A nós terapeutas resta um estristecimento, uma indignação, de que as marcas continuem sendo expressas em segredo. Uma confissão realizada entre quatro paredes.
Aqui f**a o meu registro de repúdio, a minha tímida esperança de melhora, o meu abraço a todas.
Sandra Aparecida Fiorentin
Psicóloga Clínica
CRP 12/13885