02/05/2025
Almodóvar nunca decepciona: é um gênio! Em seu novo filme, O Quarto ao Lado, o premiado cineasta espanhol, Pedro Almodóvar, conhecido pela estética extravagante e pelos temas provocativos que permeiam sua obra, nos captura com sua sensibilidade profunda e sofisticada.A começar pela escolha das atrizes: Tilda Swinton e Julianne Moore. Brilhantes!O filme inicia com o lançamento do novo livro da escritora Ingrid (Julianne Moore), em uma livraria de Nova York. É nessa ocasião que ela recebe uma notícia inesperada: Martha (Tilda Swinton), uma amiga correspondente de guerra com quem Ingrid trabalhou por alguns anos em uma revista, está internada tratando um câncer em estágio terminal.
Ingrid, que acaba de lançar um livro justamente sobre o medo da morte, desconhecia a condição da Martha. Abalada, decide visitá-la no hospital.A partir desse reencontro, emergem diálogos, memórias, revelações — e, sobretudo, a potência do afeto e da amizade entre duas mulheres. É essa relação que conduz a trama por caminhos dramáticos e poéticos, profundamente almodovarianos. O câncer cervical que acomete Martha está em processo de metástase, espalhando-se pelo seu corpo. Martha já se submeteu a diversos tratamentos e não suporta mais a devastação da doença e dos efeitos colaterais da quimioterapia. Deseja pôr um fim ao seu sofrimento intenso, o qual refere como uma agonia. E então a trama central de O Quarto ao Lado é revelada: a morte assistida.Existem três formas de morte assistida: eutanásia, suicídio assistido e ortotanásia. Na maioria dos países essas práticas são ilegais. No entanto, em algumas nações, a legislação reconhece o direito de pessoas em condições irreversíveis — geralmente com dor extrema ou doenças incuráveis — de optarem por uma morte indolor. Não pude deixar de lembrar da obra do psicanalista Marcelo Veras, A morte de si, finalista da última edição do Prêmio Jabuti, quando o autor questiona se a legalização da morte assistida seria uma medida justa ou se apenas serviria para facilitar e encorajar o suicídio de pessoas inservíveis ao sistema capitalista. Uma provocação importante.
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