25/06/2025
No primeiro dia em que nos falamos nesta vida, a conversa fluiu como entre dois velhos amigos, rindo das coincidências encontradas a cada passo, que iam se revelando como pistas de um mapa invisível.
Frequentamos a mesma universidade.
Fizemos amizade com pessoas em comum, só que em tempos diferentes.
Escolhemos a mesma profissão. A mesma escuta.
Acreditamos no sonho e nas conexões invisíveis.
Somos piscianos.
Mas a vida, sempre brincando com o tempo, nos separava por um detalhe:
No mundo material, no tempo das coisas, José Guilherme sempre chegava antes. Quinze anos antes, precisamente.
Com o Centro de Conexão e Restauração de Futuros, não foi diferente. José Guilherme chegou antes. O sítio ganhou vida dentro dele primeiro — foi sendo sentido, pensado — até que pudesse ganhar corpo, forma e virar convite, costura, laços se conectando ao tempo dela Renata.
O desejo nasceu, e começamos juntos, oito anos depois da primeira conversa, a construção subjetiva e objetiva do espaço.
Muitas vezes, o que chamamos de procrastinação pode ser entendido, a posteriori, como sabedoria.
O Centro Olinda da Mata evoca o encontro com a exuberância da natureza — grande mestra da escuta — que, por si, já nos provoca ao silêncio interno, convidando-nos a olhar para dentro e sentir o que — ou quem — nos habita fundo.
É um espaço-tempo fora do relógio, que nos propõe sair da sociedade do cansaço e da performance e nos direcionar para a voz interna que nos fala.
Se o Outro social não está ali para nos gerar demanda e nos dizer o que quer de nós, o que é desejável, o que falaremos nós de nós mesmos?
Quem somos? O que nos falta? O que faz caminhar? O que nós desejaremos?
Criamos o Centro Olinda da Mata como quem planta uma semente: com tempo próprio, pedindo cuidado e paciência diante das intempéries — e que se apresenta como lugar, mais além, convidando ao encontro com nós mesmos.