27/05/2026
Nem sempre a perda de saúde aparece em um exame.
Muitas vezes o processo de adoecimento começa quando a pessoa idosa deixa de ser ouvida.
Quando param de perguntar sua opinião.
Quando decidem tudo por ela.
Quando ela passa a ocupar apenas o lugar de “quem precisa de cuidados”.
A ciência do envelhecimento já mostrou que isolamento social, perda de autonomia e sensação de inutilidade aumentam risco de depressão, fragilidade, declínio cognitivo, internações e até mortalidade.
Por isso, cuidar de uma pessoa idosa vai muito além de controlar doenças ou ajustar remédios.
É entender quem ela é fora do diagnóstico.
Como vive.
O que consegue fazer.
O que ainda deseja.
O quanto participa das próprias decisões.
Na geriatria, escutar não é detalhe.
É parte do tratamento.
Pessoas idosas que mantêm autonomia, vínculos sociais e participação ativa na própria vida apresentam melhores desfechos de saúde, maior adesão ao tratamento e melhor qualidade de vida.
Envelhecer bem não é apenas viver mais.
É continuar sendo reconhecido como alguém que ainda tem voz, escolhas e importância.
Se você convive com uma pessoa idosa, observe: ela tem sido ouvida? Tem sido incluída? Tem se sentido necessária?
Cuidar também é presença, escuta e respeito.
Dr. Márcio Kanda
Geriatra
CRM 200920 | RQE 111932