15/12/2025
Desde muito cedo, aprendemos que nossos corpos não nos pertencem por completo.
Eles são observados, avaliados, comentados.
Peso. Roupa. Cabelo. Postura. Presença.
O corpo feminino, muitas vezes, deixa de ser íntimo e passa a ser social. 🚺
Esse controle não é apenas externo. Molda a forma como pensamos, sentimos e existimos.
Crescemos com vergonha, culpa, autocensura e uma vigilância constante sobre nós mesmas.
O assédio cotidiano, tantas vezes naturalizado, reforça a mesma mensagem:
o corpo feminino sendo algo público.
E isso produz um medo coletivo que atravessa gerações.
No Brasil, essa violência pode chegar ao seu extremo: o feminicídi@.
Somente em 2024, foram registrados 1.492 casos, o maior número desde que o crime passou a ser oficialmente contabilizado. (Fonte: Statista)
A psicanálise nos ajuda a compreender como corpo, desejo, controle social e violência se entrelaçam, formando um inconsciente social do feminino, marcado por retração do desejo, hipervigilância e culpa.
Isso afeta a autoestima, a sexualidade, a espontaneidade e o direito de existir com liberdade.
Se esse corpo foi, por tanto tempo, vigiado, controlado e atravessado pelo medo, a pergunta permanece:
Quem seríamos se pudéssemos habitar nossos corpos sem vigilância, sem culpa e sem medo?
Nossa psique sente.
Nosso corpo registra.
E, ainda assim, seguimos juntas resistindo e reconstruindo caminhos de liberdade e justiça. ✊