02/04/2026
O que a “Tia Nanda”, lá de 2013, tem a dizer hoje?
Eu nunca tinha ouvido falar sobre você, autismo.
E não… eu não vou te romantizar.
Mas nós temos uma história.
Comecei sem conhecimento, com poucas oportunidades. Filha de pais analfabetos, vindos da zona rural, aprendi desde cedo o valor da luta. Eu sonhava com um estágio em RH… mas a vida ou melhor, Deus me colocou em outro caminho.
E não foi fácil.
Lá no início, eu era a “Tia Nanda”.
Aplicadora ABA, aprendendo na prática, cheia de dúvidas, mas com vontade de fazer dar certo.
Lembro de pensar em desistir muitas vezes.
Mas foi ali, no meio do cansaço, dos desafios e das dúvidas, que eu fui ficando… e me encontrando.
O tempo passou. Vieram famílias, crianças, histórias… e eu cresci junto com cada uma delas.
Me formei. E junto com a formação, veio também uma decisão:
deixei de me apresentar como “Tia Nanda” e assumi meu nome Gilda Mourão a psicóloga .
Não foi só uma mudança de nome.
Foi uma construção de identidade, de posicionamento e de autoridade profissional.
O autismo deixou de ser algo desconhecido e passou a ser meu propósito. Meu foco. Meu chamado dentro da psicologia.
E então a vida me trouxe um novo olhar: a maternidade.
E com ela, me tornei também mãe atípica.
Hoje, 2 de abril, eu posso dizer:
Eu te conheço de perto… bem de perto.
E continuo sem te romantizar.
Mas reconheço que você ensina.
Ensina a olhar diferente.
Ensina a sentir diferente.
Ensina a crescer.
E, principalmente… ensina sobre amor em uma perspectiva que poucos conseguem enxergar.
De “Tia Nanda” a Gilda Mourão…
não foi só uma trajetória profissional.
Foi um encontro de propósito.
Hoje, dentro do autismo, eu me defino assim:
**firme, sensível e em constante construção — porque cada criança também me ensina.**
E se tem algo que essa caminhada me ensinou foi:
**acredite em você. Acredite no seu processo. Acredite no seu propósito.**