Geovany Mafra Psicólogo

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27/07/2026

Muita gente acredita que vencer a ansiedade significa sentir paz o tempo todo. Mas a psicologia mostra que essa busca incessante pela calma pode, paradoxalmente, aumentar ainda mais a ansiedade.

A ansiedade nasce quando o cérebro percebe uma ameaça, seja ela real ou imaginada. Nesse estado, o sistema nervoso entra em alerta porque acredita que algo precisa ser resolvido para garantir a sobrevivência. Por isso, dizer a uma pessoa ansiosa para "se acalmar" raramente funciona. O cérebro dela não está procurando tranquilidade. Está procurando evidências de que está segura.

É por isso que pessoas ansiosas revisam a mesma mensagem várias vezes antes de enviar, precisam de constante validação nos relacionamentos, antecipam cenários negativos e tentam controlar tudo ao redor. No fundo, não estão buscando perfeição. Estão tentando convencer o cérebro de que não há perigo.

A verdadeira mudança começa quando deixamos de lutar contra a ansiedade e começamos a construir segurança interna. Essa segurança nasce quando aprendemos a tolerar a incerteza, reconhecer nossas emoções sem sermos dominados por elas, estabelecer limites saudáveis e confiar que somos capazes de enfrentar aquilo que ainda nem aconteceu.

A calma é apenas uma consequência.

Porque uma mente segura não é aquela que acredita que nada de ruim acontecerá.

É aquela que sabe que, aconteça o que acontecer, terá recursos para enfrentar.

24/07/2026

Quando observamos exames de neuroimagem, como PET Scan, fMRI ou SPECT, percebemos que o cérebro não funciona da mesma forma em todas as pessoas.

No TDAH, estudos mostram alterações principalmente nas redes relacionadas à atenção, ao controle dos impulsos e às funções executivas.

Nos transtornos de ansiedade, é comum observar hiperatividade em regiões ligadas ao processamento do medo e da ameaça, como a amígdala, enquanto áreas responsáveis pela regulação emocional podem funcionar de forma menos eficiente.

Já nos transtornos depressivos, pesquisas identificam alterações na atividade de circuitos envolvidos no humor, na motivação, na memória e na sensação de recompensa, o que ajuda a explicar por que tarefas simples podem parecer tão difíceis.

Mas atenção: essas imagens não são capazes de diagnosticar sozinhas ansiedade, depressão ou TDAH. Elas mostram diferenças observadas em pesquisas e ajudam a compreender melhor como esses transtornos afetam o funcionamento cerebral. O diagnóstico continua sendo clínico, realizado por um profissional qualificado.

A maior lição é esta: quem convive com um transtorno mental não está enfrentando apenas "pensamentos negativos" ou "falta de força de vontade". Existe um funcionamento cerebral diferente envolvido, e isso merece menos julgamento, mais compreensão e acesso ao tratamento adequado.

20/07/2026

Quem é Gabor Maté?

Gabor Maté é um médico canadense conhecido mundialmente por seus trabalhos sobre trauma, dependência química, TDAH e desenvolvimento emocional. Seus livros, como O Mito do Normal, tiveram enorme impacto ao popularizar a ideia de que muitas doenças físicas e psicológicas estão relacionadas a experiências de trauma e estresse crônico.

Ele é extremamente influente, mas também é alvo de críticas dentro da comunidade científica porque, em alguns momentos, extrapola as evidências disponíveis e apresenta hipóteses clínicas como se fossem explicações universais. Muitos pesquisadores concordam com a importância do trauma, mas discordam da ideia de que ele explique a maior parte dos transtornos psicológicos.

A ansiedade crônica raramente nasce de um único fator.

Ela costuma surgir da interação entre:

predisposição genética;
funcionamento do sistema nervoso;
temperamento;
experiências de infância;
traumas;
estilo de apego;
ambiente atual;
formas aprendidas de interpretar ameaças.

Ou seja...

O medo não elaborado pode contribuir para uma ansiedade crônica. Mas não é a única causa.

Gabor Maté , chama atenção para algo que durante décadas foi subestimado.

Muitas pessoas chegam ao consultório dizendo:

"Tenho ansiedade."

Mas, quando a história começa a aparecer, percebe-se que aquela ansiedade foi construída sobre anos de insegurança, abandono, rejeição, violência emocional, imprevisibilidade ou necessidade constante de agradar.

Nesse sentido, o sintoma pode ser entendido como uma adaptação a um ambiente vivido como ameaçador.

08/07/2026

A ansiedade nunca ataca apenas a mente.

Ela aperta o peito, acelera o coração, prende a respiração e inquieta o corpo porque, para o cérebro, o perigo já aconteceu.

O corpo não reage aos fatos. Reage ao significado que a mente atribui a eles.

Às vezes, o maior campo de batalha da vida não é a realidade. É a antecipação dela.

02/07/2026

Às vezes, o problema nunca foi o tamanho da dor. Foi o tamanho da história que a mente construiu em torno dela.

Uma gota de água dificilmente provoca uma enchente.

Mas, quando o medo assume o controle, a mente amplia, antecipa, interpreta e repete.

O que era apenas um acontecimento torna-se uma ameaça constante.

Nem sempre sofremos pelo que aconteceu.

Muitas vezes, sofremos pelo que imaginamos que ainda pode acontecer.

30/06/2026

Quando as pessoas têm certeza que continuo a mesma pessoa...

Elas esperam a mesma disponibilidade, o mesmo silêncio e a mesma tolerância com aquilo que me machucava.

Mas crescer é decepcionar a versão de você que sobrevivia agradando os outros. Quem aprende a se priorizar deixa de perder a si mesmo para não perder ninguém.

26/06/2026

Como bombeiro e psicólogo, eu enxergo uma tragédia como essa por duas lentes que se complementam.

A primeira é a do desastre: um terremoto destrói muito mais do que prédios. Ele rompe rotinas, separa famílias, interrompe serviços essenciais e transforma um ambiente conhecido em um cenário de incerteza. Nas primeiras horas, salvar vidas é a prioridade, mas o sofrimento não termina quando os tremores cessam.

A segunda é a da mente humana.
A psicologia mostra que, após um evento extremo, muitas pessoas entram em estado de sobrevivência: algumas choram, outras ficam em silêncio, outras parecem "frias".

Essas reações não significam falta de emoção; muitas vezes são mecanismos naturais do cérebro para lidar com uma ameaça intensa. Nos dias e semanas seguintes, podem surgir medo constante, hipervigilância, dificuldade para dormir, culpa por ter sobrevivido e luto.

25/06/2026

Existe um momento em que o sofrimento deixa de ser barulhento. Ele já não se manifesta em lágrimas, desabafos ou pedidos de socorro. Pelo contrário, ele aprende a se esconder.

A psicologia nos mostra que muitas pessoas, depois de serem invalidadas, ignoradas ou de carregarem dores por muito tempo, desenvolvem uma espécie de adaptação emocional: param de pedir ajuda e começam a interpretar o papel de quem está bem.

É quando a felicidade deixa de ser uma emoção genuína e se transforma em uma estratégia de sobrevivência.

Elas sorriem, trabalham, conversam, produzem e até fazem piadas, mas, internamente, estão exaustas. Não porque são falsas, mas porque o organismo humano foi construído para tentar preservar a própria existência, mesmo em meio ao sofrimento.

O mais preocupante é que a sociedade costuma elogiar essa máscara. Chamam de força aquilo que, muitas vezes, é apenas cansaço emocional disfarçado.

Nem todo silêncio representa paz. Nem todo sorriso representa alegria. E nem toda pessoa funcional está saudável.

Às vezes, a dor mais profunda não é a que transborda. É a que aprendeu a se comportar para não incomodar ninguém.

22/06/2026

Do ponto de vista psicológico, a profundidade da frase está em outro lugar.

A psicologia nos ensina que o ser humano necessita de reciprocidade para sustentar vínculos saudáveis. Quando você investe continuamente tempo, energia, afeto e dedicação em ambientes, relacionamentos ou projetos que ignoram sistematicamente sua presença, surge um desgaste silencioso.

Existe uma diferença entre ser humilde e ser invisível.

Pessoas com forte necessidade de pertencimento, muitas vezes, permanecem em lugares onde são toleradas, mas não valorizadas, porque confundem insistência com amor, lealdade com autonegligência e persistência com autossacrifício.

A longo prazo, isso produz exaustão emocional.

Nem sempre a sua maior perda é ser rejeitado; às vezes, é gastar anos tentando convencer alguém do seu valor.

A maturidade psicológica chega quando entendemos que nem todo lugar merece a nossa energia e nem toda ausência de reconhecimento deve ser combatida. Algumas delas devem apenas ser aceitas como um sinal de que é hora de mudar de ambiente.

Porque a sua energia é um recurso finito. E investir continuamente em terrenos emocionalmente estéreis costuma custar muito caro à saúde mental.

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